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nov10

Repressão ao aborto, tudo o que as mulheres não queriam

Operação prende médico e fecha clínica de aborto no CE

O médico Dionísio Broxado Lapa Filho foi preso nesta quarta-feira (10), em Fortaleza, acusado pelo crime de prática ilegal de aborto. Ele e mais cinco funcionários tiveram prisão preventiva decretada dentro da operação “Exterminador do Futuro”, deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Ceará. Broxado, que é ex-prefeito de Maracanaú, cidade na região metropolitana de Fortaleza, e ex-deputado estadual, mantinha uma clínica clandestina em Fortaleza e um Hospital em Pajuçara, Maracanaú.

Na clínica, foram apreendidas armas, prontuários, material cirúrgico e computadores. O estabelecimento funcionava na Rua Silva Júnior, no bairro de Fátima. De acordo com a polícia cearense, dez pessoas foram ouvidas ao longo de cinco meses de investigação. A clínica é acusada de [cobrar] R$ 2 mil por aborto.

O promotor Marcos William disse que, quando havia complicações médicas, as mulheres eram levadas da clínica para o hospital de Broxado, em Maracanaú. A representação foi recebida há seis meses. A clínica estava em péssimo estado de conservação.

A denuncia partiu do Movimento Pró Vida (Movida). Segundo Fernando Lobo, membro do Movida, “tem que ser cumprida a lei em relação ao aborto”. A ação foi também do Movimento Brasil Sem Aborto, que pretende continuar procurando e denunciando as clínicas clandestinas existentes em todo o Brasil.

Além do médico, foram presos durante a operação Adriana Fernandes Vieira, que era secretária de Dionísio Broxado; Antônia Deusanira Mota Teixeira, atendente; Ricardo Henrique de Lima Demétrio e Francisco José de Lima, seguranças; e José Wilton do Carmo, motorista do médico.

Ao meu ver, a clínica poderia ser punida por más condições de higiene, mas o que aconteceu não foi isso, mas sim a repressão policial do aborto. Por causa da denúncia de grupos pseudo-pró-vida, mulheres em necessidade de abortar (por motivos que não sejam o estupro ou o risco de vida materno) terão que recorrer a clínicas ainda mais clandestinas e anti-higiênicas.

Não adianta essas organizações tentarem se intrometer na vida das mulheres e lhes impor dogmas cristãos, elas farão aborto de qualquer jeito, mesmo arriscando suas vidas.

Mas essa realidade infelizmente continuará sendo ignorada por quem, por influência religiosa, ofende a laicidade do Estado brasileiro e impõe suas crenças sobre as necessidades de outrem. Graças a essas inconvenientes pessoas, notícias como a acima vão se multiplicando, demonstrando como um caso de direito feminino e saúde pública é tratado como caso de polícia, como pessoas que tudo o que querem é ajudar são tratadas como bandid@s.

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