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nov10

Senado faz sessão contra discriminação. Ateus ficam de fora

Obs.: O blog diminuiu a frequência de suas postagens, não fechou suas portas. Por sorte, agora encontrei algo adequado para noticiar por aqui, embora eu desejasse que o contrário acontecesse.

Em sessão especial, Senado presta solidariedade a vítimas de discriminação

O Senado realizou, na manhã desta sexta-feira (19), sessão especial dedicada a expressar a solidariedade dos senadores a todas as pessoas que ainda são vítimas de discriminação e preconceito na sociedade brasileira, incluindo negros, minorias e grupos religiosos.

A cerimônia ocorreu atendendo a requerimento do senador Paulo Paim (PT-RS), que decidiu incluir as outras minorias na comemoração do Dia da Consciência Negra, celebrado no país em 20 de novembro.

A sessão foi presidida pela senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), 2ª vice-presidente da Casa. A Mesa da sessão foi composta por Ivonete Carvalho, representando a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial; Paulo Cesar Jardins, delegado da Polícia Civil do Rio Grande do Sul; Marlete Queiroz, representante de comunidades ciganas; Moacir Roberto Tesch Ausvald, representando as Centrais Sindicais; Varley Martins Gonzáles, da Confederação Brasileira dos Aposentados; Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais; e Adriana Dias, representante da Comunidade Judaica.

Serys: sociedade precisa quebrar visão conformista sobre discriminação

Aposentados e pensionistas se unem à luta contra o preconceito

Campanha eleitoral aflorou preconceitos existentes na sociedade, diz presidente da ABGLT

Líder sindical diz ser necessário reconhecer a existência do preconceito no país

Marlete Queiroz diz que ciganos fazem ‘um Brasil invisível’

Delegado diz que atuação de neonazistas no RS é grave

Representante do governo diz que plano de combate à intolerância religiosa está em estudo

Magno Malta denuncia disseminação do ódio pela internet e diz que CPI convocará diretores do Google

Fátima Cleide pede proteção a homossexuais, idosos, pessoas com deficiência e mulheres

Só educação pode transformar Brasil em nação, diz Cristovam

Comunidade indígena quer ser ouvida por Dilma Rousseff, afirma Jeremias Xavante

Raupp defende punição e educação para se combater preconceito

Antropóloga pede criminalização de sites discriminatórios

Mãe Baiana relata preconceito e violência contra religiões afro-brasileiras

Mozarildo Cavalcanti diz que atos contra preconceito farão do Brasil ‘um país igual e um país de todos’

Mesmo nas notícias linkadas acima, não há nenhuma referência a ateus, ou mesmo a pessoas sem religião.

O Senado reuniu representantes de diversas categorias vítimas de preconceito, mas esqueceu os ateus. É como se ou não existíssemos ou não sofrêssemos nenhuma ofensa e rejeição social por não crermos na existência do deus islamo-judaico-cristão.

Dias como amanhã (Dia da Consciência Negra) deveriam servir para lembrar aos ateus de que há no Brasil muito preconceito contra quem não acredita em Deus, e que esse preconceito, apesar de frequente, é tornado oculto pela falta de solidariedade e também pela relativa escassez de pesquisas sociais que reflitam os maus tratos que sofrem – só há duas pesquisas conhecidas em escala nacional em 4 anos, uma da CNT/Sensus e uma da Fundação Perseu Abramo.

É muito provável que, na entrevista do emprego, perguntem a você qual a sua religião. Se você disser “não tenho, sou ateu/ateia”, é grande a chance de você ser preterid@ em favor de um/a cristã/o. Na escola, é provável que um/a estudante ateu de escola tradicional sofra sanções por ficar calad@ na reza das 7h. Mesmo um/a amig@ ou colega próxim@ seu pode te repreender por você lhe assumir que não acredita em Deus – isso já aconteceu comigo há cinco anos. Ainda existem casos de adolescentes que são expuls@s de casa quando os pais cristãos fanáticos (à sua escolha: pentecostais fervoros@s, católic@s carolas tradicionalistas, testemunhas-de-jeová etc.) descobrem seu ateísmo.

E frequentemente a maldade, o crime, a violência, a tortura são atribuídas ou à “falta de Deus no coração” (vide Datena) ou à “expressão militante do ateísmo” (vide Frei Betto). O ateísmo, explícita ou implicitamente, é frequentemente associado à imoralidade e à falta de senso ético. O que, obviamente, respinga em nós, que passamos a ser ainda mais malvist@s pela população religiosa.

Apesar de tudo, ainda somos esquecid@s nas sessões legislativas de homenagem a vítimas de discriminação. Nem a ATEA, única associação ateísta brasileira atualmente em visível e plena luta contra o preconceito ateofóbico (não posso afirmar ainda nada sobre a UNA, já que nada vi na blogosfera ateísta sobre possíveis ações feitas em seu nome), tem representantes chamad@s.

Eu creio que o que pode nos dar a visibilidade que hoje está em falta é o aumento da mobilização ateísta, com a criação de mais grupos ateus brasileiros e a promoção de ações de divulgação dos ateus como categoria reivindicadora de respeito. Mesmo que isso possa implicar em nos fazer justificar a público por que não cremos em Deus.

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

lucabi brasil

novembro 21 2010 Responder

É , vou tentar organizar uma passeata ateísta em curitiba para ver no que vai dar, esta é a minoria revolucionária que ninguém se atreve a comentar! sabem porquê? nós ateus humanistas com nossas idéias é que movemos o homem rumo a liberdade, pena que a humanidade não nos de o devido valor!

Gostei da noticia, mas isto é pouco, muito aquém do minimo a ser realizado!
abraços!
lucabi brasil

ruth iara

novembro 19 2010 Responder

Fico muito alegre em receber estas notícias, Robson! Eu sei o quanto este país precisa de todas as referidas campanhas.

Quanto ao que escolhemos ser do ponto de vista espiritual e falo isso incluindo o ateísmo que também considero espiritual conforme a maneira como for tratado em posturas Éticas como as que atuas, posso dizer que existe a possibilidade de reconhecimento externo, mas internamente é que sabemos o quanto é libertador sermos quem somos fazendo nossas escolhas com sabedoria.

Somos todos seres únicos e precisamos ser respeitados como tal.

Um grande abraço prá ti, meu querido amigo e muita inspiração nos estudos que farão com que a grande luz que trazes no teu coração ilumine também muiitas das trevas deste mundo.

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