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nov10

A violência no Rio e a desilusão do pacifista

A insurreição dos “soldados” do narcotráfico no Rio de Janeiro e a necessária intervenção de diversas forças militares para a pacificação dos bairros dominados me ensinaram uma lição: a humanidade dita “racional” ainda é bestial e violenta demais para ter a mínima condição de declarar independência das forças armadas. Me dá desgosto de ver que ainda estamos numa realidade em que a ordem e a civilidade necessitam ser mantidas pela mira de uma arma carregada.

Como um apaixonado partidário do pacifismo, da resolução dos problemas pelo diálogo e da opção ética pela civilidade e honestidade, penso que a humanidade deveria se desapegar culturalmente das armas e das ordens militares e recorrer à educação pautada na paz e no respeito ao outro para tornar seus integrantes civilizados – no termo de civilidade, não no falso e racista contraste cultural “civilização” X “barbárie”, já que todas as culturas têm suas barbáries.

O que se vê no Rio e em tantos outros lugares do mundo é o que se vê desde sempre na história mundial humana: uma sociedade violenta, incapaz de viver em harmonia por conta própria, tendo que ser coagida por policiais e, às vezes, soldados das forças armadas para adquirir o mínimo de paz e qualidade de vida. Os bandidos, seres humanos corrompidos pela falta de uma educação digna e por uma vida de atribulações sociais e familiares, comportam-se como autênticos agentes patológicos, que devem ser removidos do adoecido organismo da sociedade e cuja purificação descorruptora ainda hoje uma incógnita, alvo de debates distantes de qualquer consenso.

Uma sociedade desprovida da citada educação para a ética e para o respeito ao outro, como a brasileira, que conta com um péssimo ensino público e um privado capenga, continuará assim, um país a corromper alguns de seus integrantes, tornando-os entes patogênicos, e a depender de força policial-militar para se manter civilizada e ordenada – e, logo, incapaz de declarar independência dos corpos militares.

E isso me dá a desilusão do pacifista, que vê que sua sociedade continuará dependendo da arma, da violência e da ameaça para, paradoxalmente, se ver protegida da violência bandida. E a desilusão ao quadrado de que isso acontece e acontecerá em todo o mundo, talvez, por séculos mais.

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Victor S. Gomez

dezembro 9 2010 Responder

Muito difícil essa situação. Acho que só com muito investimento em educação e trabalho é que sairemos dessa. Só aumentar o efetivo policial e repressão não resolvem. Todas essas ações tem de ser realizadas em conjunto. Abraços

Ruth Iara

novembro 28 2010 Responder

Apoio a polícia do Rio, Robson.
Nossa civilização valoriza muito a vida, não o respeito a vida. E esta frase deixo registrada aqui para todos, para os bons e para os maus, para todas as facções políticas. Adquirimos uma longevidade assombrosa com as experiências que usam animais desrespeitando suas vidas e muitas vezes sem matar estes seres os atiram em qualquer canto descartando um ser portador de dor e sofrimento. A vida dos jovens fica comprometida eternamente pelo uso das drogas, os remédios causam efeitos colaterais. Não existe eutanásia por aqui. Pequenas doses de veneno nos são oferecidas diariamente no açúcar branco dos iogurtes com frutas. Agora a polícia está matando bandidos como num faroest americano. Não sou contra isso. Mudei agora mesmo. E sou a mesma que leu José de Alencar.
Nosso pacifismo, vegetarianismo e abolucionismo animal não sofrerá nem um abalo por causa disso, amigo. Somos pelas causas justas, sociais e apaixonantes.

Um abraço, Robson!

José de Arimatéa dos Santos

novembro 28 2010 Responder

É a força do mais forte querendo se impor em todos os momentos. A simplicidade de uma flor ou o sorriso de uma criança não comovem os adeptos da violência. Não respeitam a civilidade que caminha de braços dados com a solidariedade, justiça e principalmente amor.

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