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EMBRAPA e a arte de transformar morte em riqueza

Tanques de aquicultura, onde peixes "comestíveis" são condenados a viver por toda a sua curta vida.

O que são os direitos dos animais para a EMBRAPA? O que são para ela os sentimentos, o sofrimento e a dor dos animais não humanos? E a vida deles? Observando os esforços dessa empresa em promover a pecuária, a pesca e a aquicultura, podemos perceber que essas qualidades nada lhe valem.

Essa conclusão é fácil de ser tirada quando contemplamos a mais recente novidade da entidade: as pesquisas de criação de um “superpeixe”, que cresceria mais rápido e seria abatido muito mais cedo do que outros peixes. Via de regra, uma categoria de animais criados para serem comidos. Bichos que nascerão não para viver em liberdade, mas sim para criar músculos e morrer cedo.

A EMBRAPA, ao desenvolver o “superpeixe”, ensina aos brasileiros que alguns animais nascem com o fim único de serem escravizados, aprisionados e comidos. Ensina que a vida dos animais que nascem subjugados pela pecuária e pela aquicultura não vale nada, e que seus sentimentos e dores nada mais são que frias “variáveis” que precisam, em nome da qualidade dos seus “produtos” e do lucro, ser controladas por critérios de “bem-estar” – tendo inclusive o apoio de organizações pseudoanimalistas que pensam não em salvar os animais, mas sim em limpar a imagem dos pecuaristas e aquicultores da pecha de cruéis.

O que não impede, no entanto, que esses bichos jamais tenham o direito à liberdade que vá além das cercas da propriedade do pecuarista ou das paredes do minúsculo tanque do aquicultor. Ou que sofram insuportavelmente ao serem pendurados e degolados ou retirados da água que, no caso dos animais aquáticos, lhes provê oxigênio.

Além de prover esses “ensinamentos”, essa empresa estatal, com a seleção genética que originará o tal peixe “lucrativo”, mostra ao mundo que é mestre na “arte” de transformar vida em mercadoria e morte em riqueza. Afinal, os animais, para dar dinheiro aos seus “proprietários”, podem ser vendidos vivos, medidos em toneladas ou arrobas, ou ser mortos para a retirada de sua carne, couro, vísceras etc. Das mais diversas formas, sua vida e morte são transformadas em cifrões.

E no fundo de tudo, a EMBRAPA fala que quer incentivar o consumo de carne de peixe. Uma iniciativa que não só transforma vida, sofrimento e morte em dinheiro como ameaça os ecossistemas submarinos. Se a proposta é popularizar a venda da carne dos animais aquáticos, é de se pensar na possibilidade de haver um fatal efeito cascata que implique o aumento do consumo de carne de outros peixes, o subsequente aumento do extermínio pesqueiro nos mares, rios e lagos brasileiros e, logo, a piora na ameaça de extinção faunística que espreita as águas do planeta.

É assim que a EMBRAPA trabalha contra os animais, mantendo e fortalecendo o atual sistema de escravidão e abate que, na pecuária, pesca e aquicultura, reduz a vida animal a nada e transforma a morte em coisa rentável. Realiza, a cada pesquisa que envolve animais “comestíveis”, a proeza de criar vidas que não servem para viver, animais que não servem para a liberdade. Reduz os bichos, e todos os seus sentimentos e sensibilidades, a meros corpos insensíveis que serão vendidos no supermercado como carne.

imagrs

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Antonia

janeiro 25 2011 Responder

e como ficam os alimentos verdes que também são produzidos para alimentação dos vegetarianos.
Eles também comem o que são plantados para alimentação. o verde também não tem o direito de viver?
Se protegem as florestas porque não proteger os legumes, verduras e outros. todos precisam de alimento.

Augusto Queiroz

dezembro 29 2010 Responder

Comentário editado por grosseria. Quem precisa se tratar é quem não sabe respeitar o outro.

Grato,
RF

José Jacobina

dezembro 29 2010 Responder

O que se pode sugerir com este artigo acima? Que vivamos nos tempos da caverna, caçando em harmonia com a natureza? Só se for isso mesmo, rsrsrsrs, só pode ser piada…..

Dra. Regina Assunção

dezembro 29 2010 Responder

Quanta ignorância! Você utiliza um vocabulário rico, no entanto, não sabe empregá-lo. Ninguém neste país é obrigado a ter a mesma crença religiosa, por que teria que ter a mesma crença alimentar? Sou zootecnista e minha função profissional é produzir proteína de origem animal, em particular a dos peixinhos, sabe o que acontece se eles estiverem sofrendo? Eles morrem! Animal nenhum produz se não estiver “feliz”. Portanto para mim, teus fundamentos são furados. Ouvi uma frase recentemente muito boa: “por que os vegetarianos, que gostam tanto dos animais, comem toda a comida deles? ”
Além disso, se como bom vegetariano consome arroz, feijão, verduras e legumes produzidos no Brasil, acredite, a Embrapa esta envolvida nisto. É uma empresa de pesquisa séria e com pessoas socialmente responsáveis.

    Robson Fernando

    dezembro 29 2010 Responder

    Vou contra-argumentar ponto a ponto do comentário:

    Ninguém neste país é obrigado a ter a mesma crença religiosa, por que teria que ter a mesma crença alimentar?

    Não existe “crença” alimentar, mas sim hábitos alimentares. O sofrimento dos animais causado pela pecuária e pela pesca e a exploração animal são fatos, nunca crenças.

    Sou zootecnista e minha função profissional é produzir proteína de origem animal, em particular a dos peixinhos

    Isso justifica em grande parte seu comentário.

    sabe o que acontece se eles estiverem sofrendo? Eles morrem!

    Não entendi o sentido dessa parte.
    Mas saibamos que o sofrimento não implica morte imediata. Os animais podem sofrer, agonizar por vários minutos antes de morrer sem oxigênio aquático ou por degola.
    Sem falar no sofrimento de viverem desprovidos de liberdade.

    Animal nenhum produz se não estiver “feliz”.

    E você pensa nos animais como meros instrumentos de produção ou matérias-primas? Eu os penso como seres sencientes que querem viver em liberdade.

    Ouvi uma frase recentemente muito boa: “por que os vegetarianos, que gostam tanto dos animais, comem toda a comida deles? ”

    Se comemos alimentos de outros animais, é de animais que foram poupados de vir à existência condenados ao aprisionamento, à escravidão e à morte precoce.
    Aliás, eu retruco: os animais, no caso da pecuária intensiva ou semiextensiva, comem alimentos que poderiam abastecer toda a população humana mundial. E ainda representam um desperdício desses alimentos, já que 7kg de proteína vegetal (proteínas vegetais se completam com uma variedade simples de vegetais comidos) se reduzem a 1kg de proteína animal.

    Além disso, se como bom vegetariano consome arroz, feijão, verduras e legumes produzidos no Brasil, acredite, a Embrapa esta envolvida nisto. É uma empresa de pesquisa séria e com pessoas socialmente responsáveis.

    A Embrapa também trabalha com agricultura e é séria no que tange a seus objetivos. Mas ética ela definitivamente não é, pois domina como ninguém a arte de transformar morte animal em riqueza.

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