31

dez10

Prefeitura do Rio de Janeiro apela para a superstição: essa é para os etnocêntricos

Prefeitura apela aos espíritos para evitar chuva no réveillon do Rio

No que depender das forças do além, a chuva não vai atrapalhar a queima de fogos no réveillon da praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio. A médium Adelaide Scritori, presidente da Fundação Cacique Cobra Coral, promete recorrer aos espíritos para garantir o tempo bom na noite do dia 31.

Segundo a assessoria de imprensa da fundação, mesmo com o contrato suspenso com a Prefeitura do Rio, o prefeito Eduardo Paes pediu a médium que ela montasse um “quartel general” na Avenida Atlântica para concentrar os trabalhos e as orações para São Pedro. A entidade afirma que o espírito do Cacique Cobra Coral já teria sido de Galileu Galilei e Abraham Lincoln.

A Fundação explicou que o contrato com a Prefeitura do Rio foi suspenso no final de outubro, quando a Secretaria municipal de Obras e a Geo-Rio deveriam enviar relatórios com as obras realizadas e planejadas para conter os problemas climáticos, como chuvas e enchentes.

Ainda de acordo com a Fundação Cobra Coral, o material só foi entregue no último dia 23 de dezembro e será analisado pelos técnicos da entidade espírita no início de janeiro.

Posto isto porque muitas pessoas, mesmo mais de cem anos depois do despertar da Antropologia, insistem em depreciar as culturas indígenas tradicionais por viverem na “barbárie” e no “atraso” da superstição. A aliança entre a Prefeitura do Rio e a tal Fundação Cacique Cobra Coral é uma amostra de que mesmo as sociedades modernas preservam muito de suas velhas superstições e, logo, não podem falar mal dos povos tradicionais, apontar a trave no olho alheio tendo um palito entre suas pálpebras.

Mas fica algo muito curioso, que choca a nossa mentalidade baseada na modernidade e pós-modernidade: até o Estado de uma sociedade industrializada como a brasileira recorre a crenças místicas para a resolução de problemas que não tem o poder de prevenir.

E outra é que, mesmo se fôssemos uma sociedade semiateísta como as de diversos países europeus, que direito ou ética teríamos de taxar uma sociedade espiritualizada e de tecnologias rudimentares de “inferior”? E por que temos que enxergar a crença e a superstição como coisas intrinsecamente ruins, mesmo quando não instituem normas moral-sociais adversas aos direitos humanos e animais?

imagrs

Seja a primeira pessoa a comentar

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo