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dez10

Quer ser visto como um troll? Questione a experimentação animal e defenda as cobaias

Comentando em portais jornalísticos sobre a crueldade da experimentação animal, aprendi uma lição: se você quer ser malvisto nesses lugares, visto como um autêntico troll, defenda os animais no espaço de comentários de notícias que envolvam pesquisa em cobaias.

Se quer ser reputado como um “Robert”, entre em páginas de notícias que falam que, por exemplo, uma equipe de pesquisadores estudou o câncer, o diabetes, o envelhecimento etc. em ratos ou camundongos. E comente que a experiência relatada foi uma tortura que deveria ser desencorajada e coibida em vez de uma realização científica admirável.

Você assim verá como a sociedade foi tão familiarizada com a “naturalidade” da vivissecção, o ato de torturar e matar animais não humanos em nome da ciência. Receberá muitas avaliações negativas e, muito provavelmente, será questionado com perguntas do tipo “Você preferiria fazer experiências com humanos?”.

É patente que essas pessoas que lhe respondem com desdém foram acostumadas pela mídia em geral e pela comunidade científica a naturalizar e aceitar a pesquisa com cobaias. Parece-lhes que a experimentação animal é algo natural e metodologicamente insuperável, e que as ciências biológicas são incapazes de inovar tecnologicamente e buscar a substituição, mesmo que gradual, da vivissecção.

Trata-se a pesquisa biológica como uma dicotomia rigorosa que, ou sacrifica a integridade e a vida de bichos como camundongos e cães, ou terá que fazer obrigatoriamente pesquisa forçada em seres humanos ao pior estilo Josef Mengele. Não se vislumbra a possibilidade de, num futuro próximo, haver meios de se criar réplicas virtuais de organismos humanos via supercomputadores, recorrer-se ao estudo de culturas celulares e tecidos sintetizados ou mesmo pesquisar-se com voluntários ávidos por uma contribuição à evolução da ciência e por uma cura para seus insuportavelmente dolorosos problemas.

Esquece-se por completo de que a vivissecção não é à prova de objeções éticas, uma vez que inflige severo sofrimento e morte precoce em seres tão sencientes quanto o ser humano e é uma metodologia essencialmente antropocêntrica, que se choca com a cada vez mais aceita perspectiva da expansão do círculo moral humano – da exclusividade humana à abrangência de todos os animais sencientes.

Ao invés do questionamento crítico, as notícias são tratadas geralmente com aplausos acríticos, de tal forma que causar câncer em camundongos ou assassinar ratos para extrair-lhes os cérebros parece tão elogiável e bem encarável quanto o abraço de um amigo, uma atitude filantrópica ou uma militância pacifista.

Fica a mensagem a quem quer defender os animais usando o teclado como instrumento de ação: não se importe em ser visto como um troll e ver seus comentários massivamente desaprovados pelos leitores. Se a internet existisse no começo do século 20, você seria igualmente rechaçado pela opinião pública se defendesse a igualdade entre mulheres e homens ou entre negros e brancos. Mas, independente do que o senso comum acha, não deixaria de estar ajudando o mundo a ser mais justo e igualitário.

imagrs

3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Gabriel

dezembro 6 2010 Responder

interessante, mas… mesmo com o uso de altas tecnologias, simulações computacionais, ainda assim, em algum ponto, teria-se que fazer os experimentos animais, não? E mais: tecnologia pode ser bem cara. Lógico que, como desenvolvedor de sistemas, eu adoraria trabalhar em pesquisa, e em sistemas de simulação, é uma área bem interessante. Mas mesmo assim, nem toda pesquisa poderia bancar com isso.

    Robson Fernando

    dezembro 6 2010 Responder

    Gabriel, hoje ainda é “necessário” se fazer experimentos em animais, simplesmente porque falta tecnologia avançada o bastante pra substituir o modelo animal.

    Quanto ao preço da tecnologia, as ciências biológicas deveriam passar a pensar como as ciências naturais (física e química) e não se importar mais em investir grandes quantias. Aliás, a biologia tem ainda a razão de salvar vidas, e dinheiro nenhum compensa vidas perdidas.

ruth iara

dezembro 6 2010 Responder

Deixei de lado estes medicamentos grosseiros que nos causam efeitos indesejáveis mesmo que testados antes em pobres animais torturados cruelmente. Não preciso disso, Robson. Mobilizei outro tipo de defesas em meu corpo e na minha mente. Uso apenas o própolis conforme não deveria.
Alguns precisam? Da minha parte se eu tiver uma doença muito grave pode ter chegado minha hora. Deixem-me ir por favor! Deixem-me ir quando chegar minha hora e deixem os animais em paz, por amor! Aqueles que salvam os animais estão me salvando. Sou animal.

Um grande abraço.

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