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dez10

Tortura em nome da ciência (Parte 10: a dúvida)

Antes de tudo explico brevemente: não está confirmada a notícia abaixo como uma tortura. O foco do meu comentário é em outra questão – leia abaixo.

Cientistas dos EUA geram rato a partir de dois machos

Pesquisadores americanos usaram células-tronco para gerar um rato a partir de dois machos, em uma operação que poderá preservar espécies ameaçadas de extinção, além de ajudar casais homossexuais a ter seus próprios filhos.

Segundo o estudo publicado nesta quarta-feira, na revista Biology of Reproduction, cientistas do Texas especializados em reprodução manipularam células-tronco provenientes de um feto macho (XY) de rato para produzir células-tronco pluripotentes induzidas (CPi).

Algumas células-tronco que foram obtidas desta forma perderam naturalmente seu cromossomo Y para se tornar uma célula-tronco do tipo XO. Estes ratos cresceram e puderam cruzar com ratos machos normais, gerando um animal com material genético de ambos.

O estudo foi conduzido por Richard R. Behringer, do Centro Anderson de Câncer. Os pesquisadores declararam que com uma variação desta técnica “também será possível gerar esperma a partir de uma doadora e produzir machos viáveis e fêmeas através de duas mães”, apesar do caminho para se aplicar isto a humanos ser longo.

A notícia aqui e em outros lugares não falou nada sobre o estado de saúde do ratinho que nasceu resultado do cruzamento bipaternal. Será que ele nasceu e vive saudável? Será que não está predisposto a certas doenças de origem genética? Tem alguma deformidade corporal ou orgânica? Qual sua expectativa de vida caso não seja torturado e morto em alguma outra experiência?

E outra: quantos camundongos tiveram que nascer deformados antes de o filhotinho “certo” ter nascido?

A mídia elogia o caso como um precedente para a geração de crianças filhas de homossexuais, mas está simplesmente defecando se a experiência causou vida condenada, sofrimento e morte precoce para ratinhos recém-nascidos – não tenho certeza se causou mesmo, e essa dúvida é ignorada.

E mais uma: atentemos para o trecho “…cientistas do Texas especializados em reprodução manipularam células-tronco provenientes de um feto macho (XY) de rato…“. É nesse momento em que penso como a tal “defesa da vida” empreendida por religios@s é fajuta e seletiva: em nome do “direito à vida”, o aborto e a pesquisa com células-tronco humanas são rejeitad@s, para proteger mórulas humanas ou pré-fetos sem nenhuma senciência formada, mesmo que sirvam para evitar ou pôr fim ao sofrimento de seres humanos já plenamente dotados de senciência. Mas com animais não humanos essas coisas são totalmente permitidas, não recebem um “Ah” de críticas de cunho ético. Mesmo que milhares de fetos bem desenvolvidos de camundongos sejam descartados.

imagrs

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ruth iara

dezembro 11 2010 Responder

As questões colocadas e outras deste tipo não devem calar jamais até que sejam respondidas.

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