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jan11

Genocídio na Coreia do Sul (semana passada)

Não foi por guerra com a Coreia do Norte, mas sim pela igualmente (igual à guerra) violenta pecuária.

Posto aqui com uma semana de atraso porque só soube dessa gritante notícia agora.

Coreia do Sul abate mais de 1 milhão de animais para conter febre aftosa

A Coreia do Sul informou nesta sexta-feira que abateu mais de 1 milhão de animais, principalmente porcos e bovinos, para conter focos de febre aftosa que ameaçam elevar os preços de carne bovina e suína na quarta economia da Ásia.

Importador líquido de carne bovina, suína e de frango, a Coreia do Sul também está lutando contra o crescente número de casos de gripe aviária.

As autoridades têm trabalhado dia e noite para abater os animais e vacinar mais de 1,2 milhão de animais, principalmente gado, informou o Ministério da Agricultura em comunicado.

Os casos detectados desde o final de novembro elevaram os preços de carne bovina e suína na Coreia do Sul e devem levar a um aumento da importação de carne bovina dos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.

“A oferta de carne bovina está ficando instável à medida que os abatedouros são fechados e o transporte de animais é bloqueado devido à febre aftosa”, disse em outro comunicado o ministério.

“Espera-se que os preços da carne bovina continuem subindo em meio à temporada de forte demanda pelos feriados do Ano Novo chinês”, acrescentou o ministério, referindo-se à principal comemoração do país, entre 2 e 6 de fevereiro.

Os preços de carne bovina e suína no varejo na quinta-feira subiram 10 e 11%, respectivamente, em relação ao dia anterior.


EMERGÊNCIA

O presidente da Coreia do Sul fez na quinta-feira uma reunião de emergência para discutir o combate à febre aftosa, que afeta os rebanhos de carneiros, de gado e de suínos. A doença que atinge os animais, no entanto, não apresenta perigo para humanos.

Até sexta-feira a Coreia do Sul confirmou 95 de 134 casos suspeitos de febre aftosa em seis províncias. O país já abateu 1,1 milhão de animais, ou cerca de 8% do número total de porcos e gado, segundo informou o ministério.

O surto nacional, que teve origem em porcos da cidade de Andong, na província North Gyeongsang em 28 de novembro, fez com que todo o comércio de animais fosse fechado, de acordo com o ministério. Alguns zoológicos também foram fechados, de acordo com a mídia local.

Foi necessário muito malabarismo mental para evitar trazer um comentário carregado de emoção e juízo pesado de valor. É difícil falar desse genocídio sem demonstrar uma indignação a níveis intensos, mas me arrisquei a tentar assim mesmo de modo a manter a função do blog de opinar com conscientização.

Pois bem, foram mais de um milhão de animais exterminados por um único motivo: dinheiro. A febre aftosa que afetou parte desses animais (a esmagadora maioria foi exterminada não porque já estava doente, mas porque eram potenciais alvos da infecção) nem faz mal aos seres humanos, mas sim fecha as portas dos mercados de carne e torna os pedaços musculares desses animais mais caros, dificultando a situação de quem ganha dinheiro matando (pecuaristas).

E esse não foi o primeiro genocídio animal nem infelizmente será o último – tivemos no passado recente diversos extermínios em massa de galináceos por causa da gripe aviária, por sua vez nociva à humanidade.

Chama nossa atenção que, para salvar seu “negócio”, os pecuaristas recorrem ao seu mais básico instrumento de produção: a morte, o assassinato, o extermínio em massa. Para continuar tendo condições de matar animais saudáveis para vender carne barata, “precisam” matar todo o seu rebanho potencialmente contaminado.

Assim a pecuária se assemelha ao nazismo, por ter o genocídio de seres “inferiores” como parte de sua prática moral. Aliás, posso considerá-lo ainda pior que o nazismo, porque, até onde eu sei, este assassinava pessoas mas não por interesses econômicos explícitos daqueles que se “assenhoravam” da vida d@s prisioneir@s dos campos de concentração.

Pergunto: é essa a saudável fonte de alimentos dos seres humanos? É daí, um poço inesgotável de violência, matança, exploração, sofrimento e doenças, que tiramos o que comer? Esse sistema em que genocídios, extermínios em massa são praxe comum e o derramamento de sangue se faz moralmente “justificável”? Esse sistema que rebaixa animais não humanos, tão capazes de sentir prazer e dor e sofrer quanto nós seres humanos, ao status de propriedade descartável, nada valendo seus gritos, terrores e debateções mórbidas no abatedouro?

Concluo dizendo: chegará o dia em que falar de pecuária dará tanto mal-estar e tristeza às pessoas quanto falar de nazismo.

“Para os animais, todos os humanos são nazistas.” Isaac Bashevis Singer

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