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jan11

Globo e SBT caíram dramaticamente de audiência entre 2000 e 2010. Mereceram

Os números da Globo: lenta decadência

por Rodrigo Vianna

Altamiro Borges, aqui, e Paulo Henrique Amorim, aqui, destacam fatos que demonstram a decadência da TV Globo.

O texto de Miro mostra que o Faustão – em crise de audiência (e de faturamento?) – demitiu a banda de músicos. E que o “Fantástico” enfrenta a pior crise de sua longa história. O Paulo Henrique relata como a audiência do “JN” encolheu em dez anos: o jornal apresentado por Bonner perdeu um de cada quatro telespectadores de 2000 para 2010 – são números oficiais do IBOPE.

São fatos. Não é bom brigar com eles. Mas é bom analisar esse proceso com cautela.

Quando entrei na TV Globo, em 95, o “JN” dava quase 50 pontos de audiência. Era massacrante.  O “Globo Repórter” dava perto de 40 pontos.

Em 2005/2006, quando eu estava prestes a sair da emissora, o “JN” já tinha caído pra casa dos 36 ou 37 pontos (havia dias em que o jornal local conseguia mais audiência do que o principal jornal da casa) e o “Globo Repórter”  se segurava em torno de 30 ou 32 pontos (programa que desse menos de 30 abria crise, era preciso sustentar a marca dos 30).

Esse tempo ficou pra trás. O “JN” já caiu pra menos de 30 pontos. E o Globo Repórter hoje patina em 24 ou 25 – dizem-me.

O “Jornal da Record” dobrou de audiência. Em São Paulo chega a 10 pontos, em outros Estados passa dos 12 ou 13. Nas manhãs, a Globo e a Record (com o SBT um pouco atrás) brigam pau a pau. E a Record vence em muitos horários matutinos, há meses. Aos domingos, a Globo também sofre. A grande jóia da coroa da emissora carioca é o horário nobre durante a semana: novelas+ JN. Nesse caso, os números revelam que o domínio da Globo se reduz, ainda que de forma lenta.

SBT perde metade de seu público em uma década

O PNT (Painel Nacional de Televisão) do Ibope mostra que o SBT perdeu quase 50% de seu público de 2000 até 2010.

A emissora caiu de 10,4 pontos de média em 2000 para 5,5 pontos em 2010 –cada ponto no PNT corresponde a 191 mil domicílios no país.

A segunda que mais caiu foi a Globo, que teve queda de 8,5%, passando de 19,9 pontos em 2000 para 18,2 pontos em 2010.

Mereceram completamente essa queda, e merecem continuar minguando. São duas emissoras inimigas da cidadania e dos valores progressistas.

A Globo finge ser uma emissora engajada no estímulo à cidadania e na mudança de valores – se bem que às vezes, como no caso da homossexualidade, ainda exerce um papel relevante como desmontadora do preconceito sub-homofóbico -, mas na realidade contribui como nenhuma outra mídia no Brasil para a alienação, a despolitização e a perpetuação de mediocridades culturais (alô, BBB e novelas?) da população brasileira.

Põe programas educativos e pró-cidadania (Telecursos, Globo Ecologia, Globo Ciência, Ação etc.) nos horários mais remotos da manhã, quando só uma pequena minoria da população está acordada e disposta a assistir televisão.

Seus telejornais fazem pregação da ideologia direitista-conservadora, seja através de opiniões de cabeças como Arnaldo Jabor e Miriam Leitão, seja através da tendenciosidade política – onde a esquerda (orientação de partidos como o PSOL) e a centro-esquerda (orientação dos governos Lula e Dilma) e os valores sociopolíticos incorporados por ambas são visivelmente desqualificados e destrutivamente criticados e a direita e o conservadorismo são sutilmente promovidos como melhor ideologia sociopolítica a ser pensada e apoiada pelo povo -, seja pela manipulação que desvaloriza e deprecia os movimentos sociais e os atos de cidadania ativa (protestos) e torna inócua e abreviada a opinião de quem defende valores que contrariam os interesses de grandes empresas e otoridades políticas. Tudo de uma forma que induz a audiência a pensamentos acríticos e mal refletidos.

Suas novelas, ao mesmo tempo em que alegadamente promovem mudanças positivas de valores, alimentam diversos conservadorismos – privilegiar personagens ric@s, marginalizar negr@s e pobres, favorecer brigas e violências diversas (esse, aliás, é um dos grandes trunfos das novelas para chamar audiência) etc.

O Big Brother Brasil, “grande” atração do primeiro semestre de todos os anos desde 2002, promove a baixaria, a violência, o não-pensar, a futilidade.

O SBT, por sua vez, como eu já denunciava no Consciência Efervescente, sequer tenta disfarçar seu total descompromisso com a função socioeducativa da TV. Não possui programas nacionais de função educativa – já teve no passado, como a finada TV Animal – e promove uma programação totalmente alienante e despolitizada, promovendo anestesia social e intelectual, desligando as pessoas da realidade. E, ainda pior que a Globo, investe em programas-lixão como o Programa do Ratinho e em novelas desprovidas de qualquer conteúdo sério.

Pela amoralidade de adormecer e despolitizar a consciência das pessoas e induzi-las a pensamentos conservadores desprovidos de reflexão, posso dizer de peito aberto que Globo e SBT merecem estar caindo desse jeito. Quanto menos pessoas dão audiência a essas emissoras, mais próxim@s estaremos de formar uma demanda por uma televisão cidadã que substitua o modelo atual de programação e cujos interesses sejam predominantemente os públicos, coletivos.

imagrs

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Nguala

março 3 2012 Responder

Eu sou angolano, vejo a tv globo e a tv record, sendo cincero, digo q a globo é uma merda tv sem criatividade, os programa são d baixa qualidade e sem criatividade, o seu jornalísmo é uma porra pregação religiosa…. Mas a tv record tem criatividade e geito diferente de fazer televisão, a tv record superou audiência da televisão local(angola t.p.a) todo angolano só quer ver a tv record, a marca record virou uma frebre nacional com suas novelas boas, noticiários bons de alta qualidade, realmente é uma tv de primeira.

Kreator

janeiro 7 2011 Responder

Infelizmente a Globo e o SBT não estão perdendo audiência por uma súbita melhora na inteligência dos brasileiros, mas sim pela aumento da audiência da emissora da Igreja Universal.

Sinceramente, prefiro ainda a dominação cultural da Globo (emissora católica) ou do SBT (judaica, mas na prática laica) a ter que suportar a Record e toda a podridão das igrejas neo-pentecostais.

Ainda defendendo a Globo, não acho que ela tenha algum alinhamento político, ela sempre me pareceu partidariamente neutra, mais ou menos com o PMDB, onde há governo, há apoio.

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