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jan11

Governo de Pernambuco quer contratar professores temporários com salário de fome

Estado vai contratar 4,4 mil professores temporários

A Secretaria de Educação de Pernambuco vai contratar 4.404 professores temporários para o ano letivo de 2011. As inscrições para o processo seletivo começam nesta sexta-feira (7) e devem ser feitas através do site www.educacao.pe.gov.br até o dia 16. Podem se inscrever profissionais de todo o Estado e não haverá taxa de inscrição. Também existem 50 vagas para intérprete e 22 para instrutor de Língua Brasileira de Sinais e 24 para braillista.

Segundo Elisabete Jales, superintendente de desenvolvimento de pessoas, as vagas são para trabalhar em projetos da secretaria e em algumas situações de ensino regular, quando houver necessidade de afastamento do professor titular [Sinceramente duvido que o objetivo realmente seja esse]. Os novos professores vão atender a demanda de todas as séries do ensino fundamental e médio.

A carga horária é de 150 horas e salário de R$ 768. O contrato vale por um ano, podendo ser prorrogado a critério do governo. Os candidatos serão escolhidos por meio de seleção simplificada, separados por área de conhecimento: humanas, exatas e educação física. Os critérios de seleção são análise de títulos e experiência docente.

Os nomes dos profissionais contratados será divulgado até o dia 24. O processo está sendo organizado pela Secretaria de Educação.

Assim começa o governo daquele que foi reeleito por mais de 82% da população eleitora, com desprezo pela educação básica. Em vez de contratar professoræs titulares, põe milhares de substitut@s, remunerad@s a salário de fome, para dar aula.

Professor/a é, ou deveria ser, a profissão mais nobre da humanidade. É pelo que elæ ensina que podemos nos tornar pessoas éticas, cidadãs e ricas em conhecimento. No entanto, noss@s mestres são tratad@s, especialmente na educação básica pública, como semiescrav@s. E o pior é que ainda estão sujeit@s a diversas agruras, como a violência de seus própri@s alun@s, o desconforto de ensinar em escolas fisicamente precárias, a desmotivação típica de quem não consegue ver seu trabalho, esforço e dedicação retribuídos, chegando até à possibilidade de contrair distúrbios mentais.

E aqui no próprio Arauto, em um post em que denuncio os salários miseráveis dados a professoræs de algumas cidades brasileiras, recebo, vez ou outra, desabafos de professoræs que se dizem arrependid@s de terem optado por essa profissão.

Com atitudes como a de Seu Eduardo Campos, que às vezes chamo carinhosamente de “É” Motosserra, vou continuar recebendo, e lendo com a melancolia de quem não vê a profissão de professor/a sendo tratada com o respeito minimamente aceitável, desabafos de mestres arrependid@s de ter adotado a profissão (que deveria ser a) mais nobre da humanidade. E vamos, tod@s nós, ver o Brasil, por muito tempo ainda, como um país de pessoas deseducadas e embrutecidas pela falta de educação escolar e familiar decentes.

Atualização (07/01/2011, 14:20): Essas pessoas que ganharão 768 reais ainda terão que, provavelmente, suportar violências como essa aqui:

Professor é agredido por reprovar aluno dentro de escola na Ilha do Leite

O professor de história Henrique Virgínio de Souza, 28 anos, foi agredido por um aluno na manhã desta sexta-feira (07), na Escola Poeta Manoel Bandeira, localizada na Ilha do Leite, Recife. O aluno Emaxuel Robson Coutinho dos Passos, 24 anos, ao saber que foi reprovado em quatro matérias decidiu tirar satisfação na sala dos professores. Ao chegar na sala o estudante agrediu o professor com um soco no olho.

Segundo Henrique, que trabalha há um ano e meio no colégio, o agressor era um mau aluno e sempre faltava as aulas. Ainda, o estudante já teria ameaçado outros funcionários do colégio, inclusive a diretora. No momento da agressão a patrulha escolar da Polícia Militar não se encontrava no local. O estudante fugiu de bicicleta após cometer a agressão e até o momento não foi localizado.

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Lenilda

janeiro 11 2011 Responder

Sou professora e vivo muito decepcionado com o a profissão, nós ñ somos vistos como verdadeiros profissionais, somos mau remunerados, desvalorizados e a cima de tudo disrespeitados, quando será que vamos ser realmente valorizados.

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