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jan11

Mais meio ambiente na UFPE

Não apenas os ambientalistas e os pré-vestibulandos de certos cursos, mas todo o planeta, clamam por uma atitude da UFPE em aumentar o poder do meio ambiente em seus cursos e atividades. Hoje em dia ainda é fraca a presença do ambiental na instituição, não acompanhando a demanda crescente da sociedade por mais opções de estudo acadêmico socioambiental. Portanto, venho, enquanto membro da comunidade universitária e graduado (pelo ex-Cefet-PE) em um curso ligado à área, solicitar atenção e melhorias no que tange aos estudos ambientais na Federal.

A demanda primeira é a criação de mais cursos de graduação e pós-graduação relacionados, das mais diversas e peculiares formas, ao meio ambiente. Recomendo:

a) A implantação de um curso de ciências humanas com ênfase em estudos socioambientais. Seria muito positivo ter um curso dedicado enfaticamente ao estudo sociológico, antropológico, geográfico, educacional, político e filosófico, com pitadas históricas, aos princípios da relação entre sociedade e meio ambiente e à busca de soluções para torná-la civilizada, sustentável e não mais antropocêntrica.

Precisamos de pensadores e professores para essa área, ainda em desenvolvimento enquanto uma soft science, de modo que a UFPE passe a se tornar centro de referência no assunto. Para isso faz-se demandada essa nova opção curricular.

Hoje o que mais se aproxima de um curso ambientalista na área de ciências humanas é Geografia, que conta inclusive com a pós-graduação do PRODEMA mas não é um curso necessariamente tematizado nas relações sociedade-natureza. As Ciências Sociais também têm uma pitada de meio ambiente, mas muito e muito fraca – ainda hoje só contam com duas disciplinas eletivas, nem sempre disponíveis, ligadas ao temas ambientais, não existindo nem um grupo de saber ambiental.

b) A criação de uma graduação e/ou uma pós-graduação de Educação Ambiental no Centro de Educação, uma vez que esta vem sendo cada vez mais demandada nas escolas e nas mais diversas situações extraescolares.

c) A implementação de uma graduação de Gestão Ambiental, à parte do Departamento de Geografia e situada no CCSA, entre as ciências sociais-aplicadas. Porque, embora fortemente correlacionadas, a gestão ambiental e as ciências humanas socioambientais não são a mesma coisa, elas possuem focos distintos e despertam interesses de estudo idem.

d) Indo para a área das ciências naturais e biológicas, a criação dos cursos de Engenharia Ambiental e Engenharia Florestal, os quais fariam concorrência com as graduações já existentes na UFRPE, dando-se mais oportunidades aos estudantes interessados na área mais voltada aos cálculos entre as ligadas a meio ambiente – em outras palavras, mais vagas no vestibular.

Saindo do foco de novos cursos, faço um apelo também para que a universidade passe a sediar mais eventos (conferências, simpósios, palestras, mesas-redondas etc.) que, em todos os centros, discutam assuntos ambientais, desde o biológico até o sociológico e filosófico. E que também se torne rotineira a produção de fóruns de discussão entre alunos, professores e pessoas de fora da instituição para que sejam abordados problemas contemporâneos, como os impactos ambientais da duplicação ou pavimentação de rodovias e o (pseudo)desenvolvimento empreendido pelo Governo de Pernambuco às custas de ecossistemas como a Mata Atlântica, a Caatinga e o estuário de Suape.

Considerando a aproximação das eleições para reitor, dou as sugestões acima, que serão essenciais para a UFPE dos próximos anos. Esta só será verdadeiramente uma UFPE do futuro quando começar a abraçar o meio ambiente entre suas prioridades acadêmicas.

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