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jan11

Novamente o ecocídio de Suape

Audiência pública debate impacto ambiental de estaleiro

Está disponível para consulta, no site da agência de meio ambiente de Pernambuco, o Relatório de Impacto Ambiental do estaleiro Promar. A audiência pública para discutir os impactos do empreendimento, que ocupará 80 hectares de mangue do Complexo Portuário de Suape, será na sexta, 14, a partir das 9h, no clube municipal de Ipojuca (ao sul do Grande Recife).

Essa é a primeira ação de desmatamento de 691 hectares de vegetação nativa (508 hectares de mangue, 17 de mata atlântica e 166 de restinga) em Suape, conforme autoriza lei estadual proposta pelo governador e aprovada em abril de 2010 pela Assembleia Legislativa.

O Promar é o estaleiro que, em junho de 2010, o Ceará rejeitou por conta dos impactos ambientais que provocaria na praia de Titanzinho, em Fortaleza [Link inserido por mim]. Leia aqui matéria sobre dispensa de licitação para a ocupação dos 80 hectares de mangue. Detalhe: na Ilha de Tatuoca, onde o mangue será suprimido para dar lugar ao estaleiro vivem 51 famílias.

Em primeiro lugar, pergunto: por onde anda a ação do Ministério Público que suspendia o ecocídio de Suape até que novo EIA/RIMA geral fosse lançado? Não achei nada, tampouco fui noticiado, sobre o que aconteceu depois, se o Governo de Pernambuco recuperou seu “direito” de destruir o estuário.

Em segundo, a notícia acima serve para nos pôr novamente em alerta, pois a ameaça que ronda o estuário do Rio Ipojuca não foi extinta. E o pior é que mesmo a recém-criada Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade corre o risco de acabar sendo domada e cooptada pelo governo de Eduardo Campos para não se opor ao crescimento desordenado e devastador do complexo industrial-portuário. Mesmo que a nova secretaria vá para as mãos de Sérgio Xavier como vem sendo comentado, não vejo muitas condições para ele, que conquistou menos de 90 mil votos para governador, peitar os interesses do governador mais bem votado da história de Pernambuco. Assim sendo, é possível que não possamos contar com parte daquelæs que declararam defender o estuário das motosserras e dos tratores.

A hora então é de retomar a posição de guarda. É dever ético nosso não deixar que o estuário de Suape, já tão surrado ao longo dos últimos 30 anos, seja assassinado.

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