10

jan11

Roedores poderão ser explorados para diagnóstico de tuberculose

Como viajei nesse fim de semana e só voltei ontem, só pude postar a notícia abaixo hoje.

Pesquisadores indicam uso de roedores para detectar tuberculose

Pesquisadores descobriram uma nova forma de fazer o exame de tuberculose de forma rápida, barata e disponível: grandes roedores capazes de sentir o cheiro da bactéria numa amostra de catarro.

Há exames de laboratório caros e complicados para a tuberculose, e a OMS (Organização Mundial de Saúde) recentemente endossou uma nova máquina capaz de fornecer resultados precisos em menos de duas horas. No entanto, o aparelho custa US$ 17 mil, e cada exame requer um cartucho de US$ 17.

Independente da opinião sobre os roedores, uma coisa é fato: eles são mais baratos.

Hoje, o método de detecção mais comumente usado em países em desenvolvimento é a microscopia. Essa técnica de cem anos envolve a coleta do catarro, a aplicação de uma substância que colore apenas o Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch), causador da tuberculose, e o exame da amostra sob um microscópio.

A técnica pode ser utilizada em locais onde as instalações são mínimas, mas não é muito precisa –a não ser que haja uma alta concentração deles, os bacilos passam facilmente despercebidos, e o resultado é que de 60% a 80% dos casos positivos podem não ser diagnosticados.

Estudos sugerem que o roedor Cricetomys gambianus pode ser uma boa opção.

O animal onívoro com cauda e corpo parecido com o do rato pesa entre 4,5 kg e 6,8 kg, vivendo em colônias de até 20 bichos em toda a África subssaariana.

Essa espécie aparentemente é capaz de sentir pelo cheiro a diferença entre os bacilos da tuberculose e outros germes que habitam a fleuma humana.

O principal autor de um dos estudos sobre os roedores, Alan Poling, professor de psicologia da Western Michigan University, diz que, embora os animais tenham sido aceitos como uma ferramenta [!] de diagnóstico razoável na Tanzânia, “a comunidade médica ainda está cética”.

Em artigo publicado na edição de dezembro do “American Journal of Tropical Medicine and Hygiene”, Poling e colegas reportam um exame em que os roedores usaram mostras que foram confirmadas por cultura de laboratório como positivas ou negativas.

A sensibilidade dos animais –isto é, sua capacidade de detectar a presença da tuberculose– chegou até 86,6% e sua especificidade, ou capacidade de detectar a ausência do germe, foi de mais de 93%.

Em outro teste que comparou o sucesso dos roedores com a microscopia, os animais detectaram 44% mais casos positivos.


ROEDORES CONDICIONADOS

Os redores, criados em cativeiro, são todos descendentes de animais capturados nas Montanhas Uluguru, na Tanzânia, ou nos arredores de Morogoro, uma cidade de 200 mil pessoas nas montanhas. Trata-se da mesma espécie que foi treinada [Como foi esse tal treinamento? É algo para se questionar] para sentir o cheiro de minas terrestres (os bichos são leves o suficiente para não detoná-las).

Os recém-nascidos abrem os olhos com cerca de quatro semanas e imediatamente começam um programa de habituação e socialização. Quando os roedores têm cerca de oito semanas, os treinadores colocam amostras de catarro, positivas e negativas para tuberculose, em uma jaula especialmente projetada.

Quando um roedor passa pelo menos cinco segundos numa amostra positiva, ele é recompensado com amendoim e banana. No fim, o roedor acaba aprendendo que uma cheirada mais longa numa amostra positiva gera uma recompensa, e que amostras negativas são improdutivas e devem ser descartadas logo.

Quando os roedores completam 26 semanas, alguns são “reprovados” no teste [Perguntemos: qual o destino dos roedores “reprovados”?], mas os mais espertos viram especialistas.

Alguns estudiosos, entretanto, têm dúvidas. “Ainda falta muito para que eles demonstrem a robustez da técnica”, disse Neil Schluger, professor de medicina da Universidade Columbia (EUA) e especialista em doenças pulmonares.

“Esses roedores são capazes de coisas incríveis”, continuou, “mas mesmo que aceitemos que isso tenha funcionado em laboratório, será que os roedores ainda serão bons um ano depois? Eles devem ser treinados pela mesma pessoa? Como devemos cuidar deles? Se mudarmos a jaula ou o ambiente onde dormem, a técnica ainda funciona?”

Poling reconhece que a pesquisa com roedores ainda estava em estágio preliminar. Porém afirma: “Acreditamos que no final haverá um lugar para eles nos exames iniciais.”

A notícia acima é uma amostra de que a ciência só respeita a ética quando ela é antropocêntrica. Em relação aos animais não humanos, vale tudo para garantir o bem-estar da espécie “superior” humana – sequestrar, aprisionar, escravizar, torturar, matar.

Para a maior parte da comunidade científica, é válido promover violência, por mais grave que ela seja, contra animais não humanos quando há necessidades humanas em jogo.

No caso acima vemos um sério caso de atentados violentos aos (ainda não reconhecidos legalmente) direitos animais: sequestro de animais de seu habitat natural, aprisionamento – os roedores raptados e os seus descendentes vivem/viverão perpetuamente aprisionados em cativeiro – e um caso clássico de escravidão animal – viverão não para simplesmente viver, mas sim com o fim atribuído de servir ao ser humano cheirando catarros de pessoas possivelmente infectadas.

Sem falar no possível destino sombrio que aguarda esses animais no fim de sua “vida útil”: provavelmente serão descartados com a morte.

A conclusão que temos é que a ciência ainda é eticamente atrasada e imatura demais para admitir o respeito aos animais como parte de seu código bioético. E enquanto isso ela continuará escravizando, torturando e matando milhões de animais por ano.

imagrs

1 comentário(s). Venha deixar o seu também.

ruth iara

janeiro 10 2011 Responder

Sim. Eu concordo contigo. :(

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo