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jan11

Tortura em nome da ciência (Parte 17)

Cafeína é cura eficaz para ressaca, diz pesquisa com rato

Nada de chazinhos milagrosos ou fórmulas mágicas. Para curar a ressaca típica de um dia após a farra, nada como uma boa xícara de café –ou talvez várias. Ao menos, é o que diz um estudo com ratos da Universidade Thomas Jefferson (Filadélfia, EUA).

A pesquisa, publicada na revista científica “PLoS One”, testou nos roedores os efeitos de pequenas doses de etanol. Os tratados com cafeína três horas após a simulação da bebedeira não tiveram dor de cabeça.

Os cientistas resolveram identificar com clareza a substância causadora da ressaca, já que o etanol, no fígado, é convertido em uma substância chamada acetaldeído. Este, por sua vez, se transforma em acetato em outros tecidos do corpo, incluindo o cérebro.

Cada grupo de ratinhos ingeriu uma dessas substâncias, e, em alguns deles, inibidores que impediriam seu corpo de processar o etanol.

Entre quatro e seis horas depois disso, foram testadas as reações dos animais a estímulos dos pesquisadores, que aplicavam pequenas pressões em ambos os lados da cabeça de cada roedor.

Ratos que reagiam a esses estímulos –tocando a região com a pata, inclinando a cabeça ou grunhindo– apresentavam hipersensibilidade, o que seria um indicador da dor de cabeça.

Os ratos que sentiram a dor foram justamente os tratados apenas com etanol -sem inibidor- e acetato. Mas, nesse grupo, além daqueles que receberam anti-inflamatórios uma hora depois de ficarem “bêbados”, uma dose de cafeína também inibiu sintomas da ressaca.

Os testes não foram realizados em seres humanos, mas, no nosso caso, diz o estudo, a ingestão de café seria recomendada quatro horas depois de beber, momento em que o nível de acetato no corpo começa a subir.

É importante ressaltar, porém, que, pouco mais de uma hora depois –tempo necessário para o organismo dos ratos processar a cafeína–, os sintomas surgiram, o que significa que é preciso um pouco mais que um cafezinho no dia seguinte se você decidir extrapolar naquela festa do próximo fim de semana.

A tortura da vez foi de novo a alcoolização de animais (já vimos isso aqui e aqui antes), acompanhada da indispensável causação de dor e sofrimento – ratos embriagados se tornaram hipersensíveis à dorência, contraíram dor de cabeça e ainda tiveram suas cabeças pressionadas talvez pelos dedos d@s torturadoræs, sofrendo mais dor ainda.

Algo que me passa pela cabeça em momentos como este é o fato de que a ciência biomédica tenta procurar a cura de atos perniciosos à saúde proporcionados pelas próprias pessoas contra si mesmas, mas não parece visar da mesma maneira medidas de prevenção e desencorajamento a priori de autoflagelações orgânicas. É forte a possibilidade de em breve testarem em roedores – se já não estão fazendo isso neste momento – drogas que sirvam de antídoto antiviciante a narcóticos como crack e heroína – sendo necessárias para a pesquisa a inalação, ingestão ou injeção dessas substâncias nos animais e toda a consequente carga de sofrimento que o uso das mesmas acarreta.

Me pergunto que envergadura ética tem a ciência para usar a tortura e o assassinato como instrumentos de pesquisa. O argumento mais próximo do convincente é a falta de tecnologias para se fazer nos laboratórios a substituição total das cobaias escravas. Daí replico: por que então não existe um engajamento da maioria d@s cientistas, engenheir@s laboratoriais e biotecnólog@s em desenvolvê-las e tirar a biomedicina dessa Idade da Pedra, enquanto sofisticadíssimas máquinas computadorizadas de diagnóstico e até tratamento de males humanos não param de chegar aos hospitais públicos e particulares?

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Jessica Meireles

junho 9 2011 Responder

Há pessoas que defendem o uso de animais em testes, pois dizem que é necessário para se encontrar a cura de várias doenças, para fabricar remédios, apesar que, como você já disse em vários posts, deveria haver um engajamento para procurar soluções e libertar os animais dessa prática cruel. Agora fazer testes em animais para curar a ressaca? Gente, é o fim! O alcoolismo causa problemas de saúde e problemas sociais (violência na família e no trânsito) e tem gente preocupada em curar a dor de cabeça de quem bebe e ainda por cima provocando a dor de quem (ratos) não tem nada a ver com isso, é um absurdo! Por que não pegam centenas de pessoas para fazer esse teste? Aposto que tem muito brasileiro que poderia servir nas pesquisas!

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