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jan11

Yahoo omite pecuária/agronegócio entre causas maiores do desmatamento no mundo

As dez florestas mais ameaçadas do mundo

A ONU (Organização das Nações Unidas) lança, oficialmente nesta segunda (24 de janeiro), 2011 como o Ano Internacional das Florestas. O objetivo da instituição é, claro, chamar a atenção para a preservação ambiental, mas também incentivar a reflexão sobre o uso das florestas e a relação que o homem estabelece com as matas. Mas quais são as florestas do mundo que merecem mais vigilância, que correm maior risco de desaparecer dos mapas captados por satélites?

São elas as florestas em risco críico: Bacia do Mediterrâneo, Sul da Europa, Norte da África, Oeste da Ásia (a mais ameaçada, com 5% da sua cobertura original preservada); Indo-Birmânia (nos países asiáticos Mianmar, Cambodia, Laos, Tailândia e Vietnã, com 5% da vegetação natural); Nova Zelândia (também 5%); Sunda (Indonésia, Malásia, e Brunei, com 7%); Filipinas (7%); Mata Atlântica (no Brasil, com 8%); Montanhas do Centro-Sul da China (8%); Província Florística da Califórnia, nos Estados Unidos (10%); Florestas de Afromontane (em Moçambique, Tanzânia, Quênia e Somália, com 10%); Madagascar e Ilhas do Oceano Índico (Madagastar, Seichelles, Ilhas Maurício, União das Comores e Reunião, 10%).

A lista, que considera a maior perda proporcional do habitat natural de cada floresta, é da organização não governamental Conservação Internacional (CI). Dessas áreas, já foram devastadas 90% ou mais da vegetação original. Por isso, elas são consideradas “hotspots” – os locais mais ricos em biodiversidade e, ao mesmo tempo, mais ameaçados do mundo.

Atualmente, a CI considera que existem 35 “hotspots” em todo o planeta. As dez áreas citadas encabeçam o ranking da degradação mundial. Cada floresta da lista abriga ao menos 1.500 espécies de plantas endêmicas. Com a perda das florestas, essas espécies desaparecerão. Segundo a CI, a Mata Atlântica, por exemplo, possui 8 mil plantas, 323 anfíbios e 48 mamíferos endêmicos.

Origem do desmatamento

Segundo Matt Foster, diretor da Divisão de Ciência e Conhecimento da CI, a maior ameaça das florestas é o uso da terra para a agricultura [Qual tipo de agricultura – agricultura familiar minifundiária ou o famigerado agronegócio latifundiário? E cadê a dona pecuária?], industrialização e urbanização. Estevão Braga, engenheiro florestal da ONG WWF-Brasil, explica que no Brasil, o processo de desmatamento é lento. “Desmatar é muito caro. Então, a retirada de madeira – além de financiar o desmatamento do local – é uma maneira de começar a transformar a área em pastagem que depois servirá à agricultura [Novamente, qual agricultura? E a pecuária?]“, conta o engenheiro.

Um problema que escapa aos satélites é que o desmatamento no Brasil é feito em pequena escala, em áreas próximas, até elas se unirem. “Muitas vezes, o gado é colocado embaixo de árvores altas para despistar os satélites que acabam, assim, registrando um certo nível de cobertura vegetal”, revela Braga. Segundo o engenheiro, hoje no Acre (onde está localizada a Amazônia), há três vezes mais gados do que pessoas.


Salvar para todos viverem

Foster conta que é importante proteger as florestas porque elas proporcionam inúmeros benefícios, inclusive, econômicos. “Muitas delas ajudam a evitar a erosão e aumentam a absorção de água da chuva, o que é fundamental na manutenção das águas subterrâneas de uso doméstico”, afirma. “O desmatamento também tende a aumentar o depósito de sedimentos em água doce de córregos e de rios, fazendo com que as populações de peixes diminuam. Além disso, a maioria dos benefícios econômicos resultantes do desmatamento é ganho de curto prazo (como, por exemplo, a venda de madeira). A longo prazo, essas terras podem ser tornar improdutivas”, explica o ambientalista.

Além disso, a preservação dessas áreas ajudam a atenuar os efeitos das mudanças climáticas. “Elas absorvem o dióxido de carbono da atmosfera, sendo grandes depósitos de carbono”, explica. Desse modo, quando desmatadas, liberam quantidades enormes de dióxido de carbono na atmosfera aumentando o efeito do aquecimento global.

Os entrevistados acreditam que é possível preservar as florestas como, por exemplo, compensando financeiramente os “guardiões das florestas” como os índios e populações que dependem diretamente dela e incentivando o pequeno produtor a recuperar sua área. “Além disso, as pessoas devem saber o que estão consumindo. A carne que está embalada é proveniente de algum lugar – no Acre, região da Amazônia, por exemplo, há três vezes mais gado do que pessoas. Qualquer consumo impacta o meio ambiente”, alerta Braga.

Há o lado positivo na história. O engenheiro disse que basta parar de desmatar e degradar para que a floresta, como a Mata Atlântica, sozinha possa aumentar aos poucos. “A tendência das florestas é de se recuperar, mas, para isso, é necessário uma política de combate ao desmatamento”, afirma Braga.

Há várias evidências no próprio texto que apontam a pecuária como um dos grandes responsáveis pela destruição de ecossistemas, como as  referências a gado e carne que deixei em negrito. No entanto, nenhuma referência direta à criação de animais ou ao agronegócio. É como se a redatora da reportagem tivesse medo de apontar o dedo para a agropecuária latifundiária – incluídas nela a pecuária e a agricultura de alimentação animal.

Me pergunto: que conscientização o texto pode passar se foi feito com esse enorme receio de se apontar e descrever diretamente os fatores responsáveis pela destruição das florestas do planeta? Por que não mostra até onde cada pessoa, enquanto consumidora de madeira, carnes, leite, soja latifundiária etc., tem uma parcela de responsabilidade pela diminuição do verde e da fauna do planeta? Por que o cagaço de peitar os responsáveis maiores pela destruição – pecuaristas; donos de latifúndios; indústrias frigoríficas, laticínias e granjeiras; donos de madeireiras ilícitas?

Seria pressão do Yahoo para a redatora evitar pôr os latifundiários na berlinda, talvez por serem anunciantes seus?

Seja lá qual for a causa, parece que ainda estamos distantes de ver a mídia apontando o agronegócio, a pecuária, a carne (e o leite) como responsáveis maiores pelo desmatamento.

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