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fev11

Campanha contra o machismo no Equador: Brasil deveria seguir o exemplo

Achei no blog Escreva Lola Escreva a descrição de uma campanha muito bacana que relaciona de forma muito eficaz papéis de gênero machistas e violência contra mulheres.

Ao contrário de lá, que não pode incorporar os vídeos por causa do layout estreito, ponho aqui no Arauto os vídeos incorporados, prontos para serem vistos por você leitor/a.

Vamos seguir o Equador na luta contra o machismo?
por Lola Aronovich, do Escreva Lola Escreva

Não tenho palavras pra descrever o quanto amei esta excelente campanha equatoriana contra o machismo: “El machismo és violencia (o machismo É violência). Reaja, Equador”. Fiquei sabendo aqui da existência da campanha, que começou em novembro de 2008 e segue até hoje. Precisamos de uma campanha dessas no Brasil, não? Veja os comerciais […].

Este comercial [acima] mostra como os gêneros são uma construção social, que mulher nenhuma nasce gostando de rosa, ou homem de azul. A menina aprende a se comportar como uma princesinha, enquanto o menino aprende a ser violento. Ele ganha de presente metralhadoras e espadas de brinquedo; ela, bonecas e maquiagem. Quando os dois, já adolescentes, se encontram, ela já foi treinada pra ser escrava (está com algemas, acorrentada, com bola de prisioneira), e ele pra ser um machão agressor (não desgruda de suas luvas de boxe). A narração diz: “O machismo é um mal que se aprende e está em você poder evitá-lo”. Muito bom que o comercial não faz distinção: os dois gêneros adquirem um comportamento machista.

Neste [acima], vários homens falam com a câmera sobre suas atitudes “pouco masculinas”: “Eu lavo e cozinho, e daí? Eu não bebo, e daí? Eu às vezes choro, e daí? Eu sou carinhoso com meus filhos, e daí? Eu não sou machista, e daí?”.

A mesma coisa [acima], só que com mulheres: “Eu não quero casar, e daí? Eu ganho mais que meu marido, e daí? Eu sou forte, e daí?” E repete a pergunta que aparece no comercial dos homens: “Eu não sou machista, e daí?” Porque mulheres também são machistas.

Este comercial [acima] parece ter sido feito sob medida pros adeptos da psicologia evolucionista: um homem das cavernas é mostrado em vários momentos de fúria e cretinice (incluindo assediar uma mulher na rua). A narração diz: “Sua violência absurda é pré-histórica”.

Este [acima] foge do tom mais leve das outras peças e mostra o inferno da violência doméstica, e como ela afeta os filhos. “As mulheres têm direito a uma vida livre de violência. Se acontece com uma, acontece com todas”.

Este [acima] também é extremamente sério, sobre meninas e mulheres de todas as idades violentadas nos mais diversos lugares: em casa, na faculdade… Narração: “A violência sexual deixa marcas para sempre. Se você foi vítima ou conhece algum caso, denuncie imediatamente”.

Neste [acima], uma mulher bate de leve na tela da TV, pedindo licença pra te abordar: “Vamos te dar 30 segundos para que você nos dê um motivo pelo qual você acredita que mulheres são inferiores aos homens”. Depois de várias mulheres de diferentes raças aparecerem esperando, volta a protagonista: “Não existe nenhum motivo. No entanto, 80% das mulheres equatorianas temos sofrido violência machista. Chega!”.

Este [acima] é a mesma coisa, só que de homem pra homem. “Não existe nenhum motivo. Então por que 80% das mulheres equatorianas têm sido vítimas de violência machista? Chega!”

Este comercial [acima] põe os machistas como peça de museu em 2045. Diz o guia/professor: “Este é um equatoriano do tipo machista, numa época em que era considerado homem quem mais álcool consumia, batia na mulher [Nota do Arauto: como revelado recentemente, eu pessoalmente sou contra darem à palavra “mulher” o significado de “esposa” sem que haja equivalente atribuição semântica ao sexo oposto, ou seja, “homem” significar também “marido”.], ou tinha uma atitude desrespeituosa com as mulheres. Podia pertencer a qualquer classe social ou econômica. Graças à reação da sociedade equatoriana, isso passou a ser parte de uma história que jamais deverá repetir-se”. Um rapaz observa: “Que tempo horrível em que estávamos”. E um menino, olhando pro esqueleto do homem machista: “Que bom que se extinguiram”. Narração: “Eliminando o machismo, teremos um futuro sem violência”. Brilhante como a narração da campanha é masculina, dirigindo-se aos homens mesmo.

E é incrível que eles digam que sem machismo acaba toda a violência. O melhor é que é verdade. O machismo não gera apenas violência doméstica, estupros e assassinatos de esposas e ex-parceiras (um terror que afeta diretamente às mulheres, todos os dias). Gera brigas. Gera mortes de homens por homens. Gera marcação de território. Gera guerras. Imagina o quanto todo mundo tem a ganhar se apagarmos esse mal chamado machismo.

imagrs

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