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fev11

Desobediência militar heroica na Líbia: pilotos de caças negam-se a reprimir seus compatriotas e desertam

Diz aquele ditado que “é mais fácil militarizar um civil do que civilizar um militar”. Mas militares civilizados felizmente existem. E estão demonstrando solidariedade à ascendente revolução libertária líbia.

Pilotos líbios desertam e levam caças para Malta, dizem fontes

Dois pilotos da Força Aérea da Líbia desertaram na segunda-feira e levaram seus caças para Malta, onde disseram às autoridades que haviam recebido ordens para bombardear manifestantes, segundo fontes do governo maltês.

As fontes disseram que os aviadores –ambos com a patente de coronel– decolaram de uma base perto de Trípoli. Eles estão sendo interrogados pela polícia local, e um dos dois pediu asilo político.

Os dois disseram que decidiram voar para Malta após receberem ordens para atacar manifestantes em Benghazi, segunda maior cidade da Líbia, epicentro dos protestos contra o regime de Muammar Gaddafi.

A polícia maltesa também está interrogando sete passageiros que chegaram da Líbia a bordo de dois helicópteros com matrícula francesa.

Fontes do governo disseram que os helicópteros deixaram a Líbia sem autorização das autoridades locais, e que só um dos sete passageiros — que afirmam ser cidadãos franceses– tinha passaporte.

A chancelaria francesa disse que estava analisando o caso.

Os maus, como os tiranos que estão sendo pouco a pouco derrubados de seus tronos e o megaempresariado mal-intencionado que influencia as políticas de países como os EUA, trazem opressão e desesperança para a humanidade. Dão a impressão de que os seres humanos estão realmente fadados à perdição, ao colapso, a matarem-se uns aos outros. Mas existem os bons, vide os povos do mundo árabe e esses dois admiráveis pilotos que renunciaram à sua militaridade, à doutrina da obediência cega imposta pela hierarquia à qual estavam subordinados, e desertaram de um dos corpos militares mais cruéis da atualidade.

As forças armadas, ao mesmo tempo em que se dizem corpos responsáveis pela defesa da soberania – contra justamente outras forças armadas (ou civis, no caso do crime organizado) -, tornam-se hordas opressoras de alta periculosidade quando têm o poder político nas mãos e são adeptas de ideologias autoritárias antidemocracia. No sistema de obedecer sem questionar por mais antiéticas que sejam as ordens, os soldados acabam se convertendo em máquinas sob controle desprovidas de sentimentos positivos e virtudes. Os poucos seres pensantes que secretamente não concordam com a mentalidade opressora de seus “superiores” acabam ou tendo que obedecer por medo de serem executados ou presos por longos anos, ou recorrendo à deserção para fugir da loucura de, sob ordens “superiores”, oprimir, agredir e matar seus própri@s compatriotas civis.

Pessoas como os dois pilotos líbios, @s jovens shministim (objetoræs de consciência israelenses criminalizad@s por seu país) e o ex-militar e hoje cantor James Blunt merecem a admiração do mundo, como pessoas que lutam pela paz nem que para isso seja preciso peitar o Estado opressor e os “superiores” das forças armadas e jogar de lado as armas que lhes dão para fazer violência e causar dor.

Se depender desses militares ou pré-militares que conseguem preservar suas “almas” de cidadãos civis – objetores de consciência e militares desobedientes e/ou desertores -, as revoluções libertárias que vêm livrando um país atrás do outro de regimes opressivos vão ter ainda mais força para exorcizar a tirania e a opressão de suas nações.

imagrs

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carol

fevereiro 22 2011 Responder

coragem que a grande maioria das pessoas – incluindo eu – provavelmente não teria.
mas…
penso que “bons” e “maus” não cabe aqui, mas sim, respeito político pelo povo/cumprimento dos deveres como governante (em prol da maioria da população) e atitudes/ações/políticas ditatoriais, respectivamente.

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