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fev11

Diario de Pernambuco, mais uma vez contra o exercício da cidadania

Depois de uma estranha mas desmascarável trégua em 28 de janeiro, o Diario de Pernambuco voltou, na edição de 4 de fevereiro, à sua posição reacionária anterior, de hostilidade e tendenciosidade contra os manifestantes que lutam para cancelar o aumento das passagens de ônibus na região metropolitana do Recife.

Como não fui para o protesto dessa vez, pude me pôr pela primeira vez no papel de leitor desinformável, e tive uma ideia de como uma pessoa desavisada que usa pouco senso crítico na leitura de jornais pode ter uma ideia distorcida de como foi o protesto do dia 03/02 no centro do Recife.

De acordo com o que li no DP, a passeata foi algo repudiado pela população, que lamentou muito o seu acontecimento por causa dos engarrafamentos e bloqueios causados. De tão impopular, não recebeu o apoio de ninguém, mesmo que o aumento das tarifas tenha sido economicamente muito desagradável ao povo – porque ninguém favorável ao ato foi entrevistado, novamente apenas pessoas contrárias.

E também “vi” que só estudantes participaram, não havendo trabalhadores de fora das faculdades e escolas. Ou seja, uma baderna de jovens estudantes que afrontam a população com sua revolta vã.

Resumindo, o evento foi um transtorno só para a cidade, tendo suas causas tão pouca relevância que não mereceram muitas referências na notícia.

A impressão que me fica é que pouco há a discutir – aliás, “nada” mais a discutir, segundo o próprio DP do último dia 28 – sobre as causas das passeatas dos manifestantes, sobre a política de aumentar anualmente as tarifas de ônibus sem que a qualidade do serviço evolua.

Mas muito sobre a validade do direito aos protestos de rua, mesmo sendo este uma garantia constitucional e um osso do ofício da vida em sociedade.

Pelo visto, em todos os dias seguintes aos protestos contra o aumento das passagens, o DP irá sempre alienar e desinformar seus leitores, dando-lhes a impressão de que ir às ruas contra injustiças é condenável, tudo de ruim, e incitando-lhes o ódio de classe contra os cidadãos que não podem nem querem continuar pagando caro pelos direitos de ir e vir, estudar e trabalhar. Continuará seu esforço de jogar cidadãos contra cidadãos, desmobilizar e despolitizar as pessoas e assim deixar o terreno livre para os governos e as empresas continuarem oprimindo a população sem oposição.

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