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Família ateia consegue que filhos não tenham aulas de religião em escola pública

Casal de ateus faz acordo e escola libera filhos de aula

Os pais de dois alunos de Pranchita, no interior do Paraná, fizeram um acordo com a direção da escola pública onde os filhos estudam para que eles deixassem de frequentar as aulas de religião.

A professora Eliane Lambert Junkes, 26, e o marido, o caminhoneiro Alberi Junkes, 40, são ateus e defendem o direito de os gêmeos, de sete anos de idade, não serem ‘doutrinados’ sobre a existência de Deus.

A mãe de Marco Antônio e João Antônio não admite que as aulas de ensino religioso comecem com uma oração nem que Deus seja tratado como uma entidade real e superior, que zela pela humanidade e tem poderes para julgar as ações dos homens.

O acordo foi feito no ano passado –as crianças foram às aulas por quase três anos– e permitiu que, nesse horário, os meninos frequentem a biblioteca. Eliane diz que a decisão foi amigável.

‘Não quero que eles sejam doutrinados a crer. Ninguém precisa ser bom na vida porque tem alguém superior olhando. As pessoas devem ser boas porque isso é correto’, afirma a professora.

Eliane acredita que os filhos, quando amadurecerem, poderão adquirir conhecimento suficiente para decidir qual papel a religião terá em suas vidas.

‘Quando eles crescerem, teremos condições de conversar melhor’, diz.

 

HISTÓRIA DAS RELIGIÕES

A mãe dos garotos afirma que, se as aulas tivessem outro tipo de abordagem, como a história das religiões, não se oporia ao aprendizado.

‘A história das religiões é importante para contar o processo de formação do homem. Jamais vou privar meus filhos do conhecimento, mas não é o que acontecia na escola’, afirma.

Procurado pela Folha, o diretor da Escola Municipal Márcia Canzi Malacarne, Everaldo Canzi, declarou que não daria entrevista por telefone porque considera o tema ‘complexo e amplo’.

Ele negou, no entanto, que as aulas tenham o objetivo de ‘doutrinar’ os alunos a crer e disse que a ‘diversidade das crianças é respeitada’.

Antes de eu parabenizar e agradecer à família ateia pela atitude, um detalhe ficou mal explicado aqui: se a Constituição (artigo 210, parágrafo 1º) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9.394/1996: caput do artigo 33) estabelecem que o ensino religioso é de matrícula facultativa, deve respeitar a diversidade religiosa e não deve ter caráter proselitista, por que foi necessário um acordo para que os meninos ficassem livres das aulas de religião? Estaria a escola tornando o ensino religioso obrigatório e lhe imbuindo caráter proselitista e confessional, por iniciar as aulas com orações cristãs e fazê-las afirmar que existe um deus verdadeiro (ignorando outros deuses e deusas e as religiões não teístas)?

Poderiam ter processado a escola por infringir a lei, de modo que ela, ao ser obrigada a ajustar sua conduta, não repetiria a delinquência com outras crianças de minorias religiosas ou irreligiosas. Mas, pelo visto, preferiu-se um acordo amigável, e é provável que tenham ameaçado levar o caso à Justiça antes que a proposta do acordo tivesse sido apresentada.

Enfim, seja lá como o caso se desenrolou, Eliane e Alberi estão de parabéns pela atitude de salvarem seus dois filhos da doutrinação cristã (que aparentemente foi) ilegalmente imposta pela escola onde estudam. Também são dign@s de um muito obrigado por seu precedente que irá inspirar muit@s outr@s mães e pais ateus, agnóstic@s e não-cristã/o/s a fazer o mesmo pelo bem de seus filh@s.

E é mais que necessário afirmar aqui que esse ensino religioso, tornado confessional e obrigatório, é uma forma de discriminação contra o ateísmo, o agnosticismo e as religiões não cristãs, já que ignora que não existem apenas cristã/o/s no Brasil e exclui até das crianças “cristãs” (o mais certo é dizer filhas de cristã/o/s) a oportunidade de conhecer outras crenças com as quais podem se identificar espiritualmente ainda melhor do que o cristianismo – ou mesmo a oportunidade de concluir que religiões com divindades e mitos são todas iguais em termos de verossimilhança.

Faço a seguinte sugestão: se seu/s filh@/s estuda/m em escola pública e essa escola obriga a matrícula em disciplina religiosa e/ou se o ensino religioso provido é cristocêntrico e proselitista, denunciem-na ao Ministério Público, mesmo que seu/s filh@s não estejam matriculad@s em Religião. Façam isso pelo bem de todas as crianças, especialmente daquelas que não querem ser forçadas a adotar o cristianismo como sua crença.

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5 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Paulo Gabriel

dezembro 15 2015 Responder

    Robson Fernando de Souza

    dezembro 15 2015 Responder

    Essa “orientação” realmente exige doutrinação religiosa e fomento à discriminação contra quem não segue a religião dominante?

      Akira

      dezembro 29 2015 Responder

      Se foi conseqüência do casal não acreditar em Deus não sei, mas procure no google o nome deles e veja a tragédia que aconteceu com eles.

ruthiar

abril 30 2012 Responder

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