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fev11

Folha.com objetifica animais e usa “racismo canino” para divulgar livro

Descubra qual raça de cão combina com seu estilo

O cão e o homem possuem uma relação antiga. Ele foi um dos primeiros animais a serem domesticados e desde então acompanham a humanidade em seus trabalhos no campo por conta de sua boa audição e olfato, além da lealdade e inteligência.

Com o passar dos séculos, a proximidade evoluiu para a convivência e amizade. O cachorro possui um temperamento dócil e social, o que facilita esta relação de companheirismo.

Para que os donos possam conhecer melhor o animal de estimação que têm em casa, “Cães – 176 Raças para Você Conhecer e se Encantar” oferece informações para saber lidar com estes animais, seus hábitos e suas origens.

Ricamente ilustrado, traz um pequeno histórico e um perfil do temperamento de cada raça discriminada. Além de alimentar a paixão dos amantes de cães, o guia ajuda a escolher qual cão se adapta melhor à sua personalidade e estilo de vida.

Entre as raças estão o Golden Retriever, o Dobermann, o Bichon Frisé, o Schnauzer e o Boiadeiro Bernês, todos com uma ficha com o tamanho e o peso a que podem chegar, e até quantos anos costumam viver.

O título e o assinalado em negrito mostram como a Folha.com pensa os cães: como adornos para as pessoas, tais como as roupas e as joias. Incentiva que as pessoas escolham que raça de cão “combina” melhor com o estilo da pessoa. Ou seja, o fim do cão é adornar seu “don@“, por isso fica melhor para a pessoa comprar o cão cuja raça combine com seu estilo visual ou comportamental – se é uma mulher de cabelo castanho curto e perfeccionista, o “melhor” para ela é comprar e andar com um/a dashchund; se o estilo da pessoa é luxuoso e adepto de casacos de pele (!), bom é comprar e andar com um/a collie; se tem cabelo muito longo, adquira um/a lhasa apso; se é um pitboy musculoso e pavio-curto, obtenha um pit-bull bravio.

É um notável incentivo à mercantilização, comercialização e objetificação de animais domésticos, e um contraincentivo à adoção, já que reforça a “importância” de se escolher um animal por sua raça, por estética (!), em vez de adotá-lo por sua estatura, pelagem e temperamento (por exemplo, uma pessoa que mora em apartamento pequeno e tem alergia a pelo só poderá adotar um cachorro pequeno, de pelagem muito curta e que não seja acostumado em morder móveis), além de reiterar a crença tácita de que tutelar um cão visa em especial o bem do ser humano, não do bicho.

Especismo, racismo canino, objetificação de animais e incentivo à mercantilização de vidas, tudo em um só guia de livro.

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