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fev11

Mais um estaleiro e mais uma ameaça a mais um pedaço de vegetação em Suape

Governo anuncia mais 4 indústrias

O Governo do Estado acaba de anunciar mais quatro empreendimentos para Pernambuco. É dinheiro demais chegando nessa terra. Se puderem adiantar minha parte, agradeço… hahahaha. Segue a nota enviada pela Secretaria de Imprensa:

Quatro de fevereiro de 2011. Uma sexta-feira produtiva para a economia pernambucana. Num mesmo dia, Pernambuco conquistou mais um estaleiro e outras três empresas: a Companhia Brasileira de Vidros Automotivos (CBVA), a Vita Derrm e a Brasfrut Frutos do Brasil. Ao todo, os quatro empreendimentos juntos somam investimentos da ordem de R$ 850 milhões e vão gerar cinco mil postos de trabalhos, sendo dois mil empregos diretos.

O governador Eduardo Campos assinou os quatro protocolos de intenções com os representantes das companhias no início da tarde, em solenidade realizada no Palácio do Campo das Princesas. Cidades da Mata Sul, Mata Norte e do Agreste serão os destinos das empresas: o estaleiro vai para o Porto de Suape, a CBVA e a Vita Derm para Goiana, e a Brasfrut para o município de Bonito.

[…]

Terceiro estaleiro a chegar em Suape, o Galíctio é um consórcio de quatro empresas espanholas, entre elas, a Navantia, líder do setor naval militar no país europeu. O estaleiro atuará na construção e também no reparo de embarcações, respondendo a uma demanda da Petrobras Transporte S.A, (Transpetro), que atualmente realiza o conserto dos seus navios em Cingapura ou na Coreia do Sul.

O investimento é de 440 milhões de dólares (quase R$ 750 milhões), e a área separada para construção do empreendimento é de 40 hectares, por trás do local onde já funciona o Estaleiro Atlântico Sul. Serão geradas 500 vagas de emprego na fase de construção e outras quatro mil na operação do estaleiro, sendo mil delas diretas. “Nossa empresa procurou se expandir para fora da Europa e Pernmabuco foi o lugar ideal para fazermos isso”, disse Isidro Silveira Rey, presidente do Consórcio Galíctio.

É fato que o estaleiro ameaça mais um pedaço de mangue e restinga ao redor de Suape. Cada indústria que se instala sobre trechos destruídos de ecossistemas estuarinos e/ou florestais é uma amostra de como a política ambiental pernambucana, se existe, é débil e inócua a ponto de ser tornada irrelevante na política industrialista de Eduardo Campos.

Se a política ambiental de Lula e Dilma é capenga por ser meramente conservacionista e amazonocêntrica e não ter nenhuma inovação ética e tecnológica, nem mesmo esse conservacionismo existe na (suposta) política ambiental pernambucana.

E a sanha do grande empresariado por vagas no entorno do Porto de Suape, área que vem se tornando a menina-dos-olhos de negócios bilionários, vai tornando cada vez mais complicado impedir a destruição daquele estuário e a interrupção e revisão da atual política de crescimento insustentável. Gerar emprego e renda rendeu muitos, muitos votos a Eduardo, e interromper algo do tipo seria motivo de críticas e xingamentos vindos da parcela não consciente ambientalmente da população – que é muito grande.

E, pelo visto, Sérgio Xavier terá que se tornar um ser sobre-humano para conseguir conciliar o industrialismo de Eduardo Campos e a sustentabilidade – se não forem coisas mutuamente excludentes, como vêm parecendo ser – sem ter que interromper a vinda de novas indústrias a Suape. Senão acabará pedindo demissão, ou mesmo sendo sacado, pela pressão bilionária que sua nova secretaria (Meio Ambiente e Sustentabilidade) vai inexoravelmente sofrer para dar anuência à destruição em lotes do estuário suapense.

Aproveito para invocar a força d@s ambientalistas de Pernambuco, porque a luta contra o ecocídio continua e está voltando a esquentar.

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