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fev11

“Não há mais o que ser discutido”: é mentira

Protesto de 13 de janeiro em frente à Secretaria das Cidades de Pernambuco. O secretário Danilo Cabral deu uma banana para o povo ao quebrar a promessa da reunião com representantes populares e o Diario de Pernambuco ainda justificou esse boicote.

Nota: Por ter tido apenas tardiamente a ideia de comentar a frase do título em um artigo, só me impeli a escrever o texto no final do dia 31/01, quase quatro dias depois da veiculação da notícia pelo jornal e pela versão online.

Diferente das outras ocasiões – protestos de 27/12, 11/01 e 13/01 –, quando usou o noticiário para fazer panfletagem reacionária contra o direito dos estudantes e trabalhadores de promover protestos de rua, o Diario de Pernambuco de 28/01 mudou o tom e passou a prestar uma inédita atenção, ainda que parcialmente, aos manifestantes e sua causa, dedicando-se a ouvi-los e compreender os motivos de sua insatisfação – os aumentos das passagens de ônibus e dos salários dos parlamentares – e deixando de dar aquela ênfase total de outrora aos engarrafamentos.

A aparente mudança de atitude seria elogiável, ainda que o veículo tenha na verdade feito sua obrigação em prestar nesse momento um jornalismo razoável com respeito aos fatos e sem tendenciosidade, se não fosse a última frase do texto, que terminou maculando, se não anulando, o esforço do jornal de respeitar a nossa cidadania e democracia. O DP encerra a notícia com o seguinte dizer: “Em resposta aos estudantes, a Secretaria das Cidades informou que aguardava o posicionamento do MP para dar o respaldo aos manifestantes. Como o parecer foi favorável, não há mais o que ser discutido.” (grifo meu)

Não é novidade entre os mais entendidos de jornalismo pernambucano a suspeita que o Diario tem uma aliança tácita com o governo estadual, e esse trecho final acaba dando evidência à chapa-branca. Isso porque, pela altamente sugestiva frase final, tenta convencer os leitores de que não há mais o que se discutir em relação ao aumento das passagens e mesmo à qualidade do transporte público que temos. Declara extraoficialmente “fim de jogo” para os manifestantes, que passariam a não ter mais motivos para se opor à inflação das tarifas e consequentemente protestar nas ruas para incomodar e pressionar o governo.

É aquele caso em que uma única palavra fez toda a diferença. Se estivesse escrito “não haveria mais o que ser discutido”, poderíamos considerar a reportagem honesta, por apenas descrever neutramente a postura sacana do secretário Danilo Cabral. Mas o foi decisivo para escancarar que a posição do jornal foi declarar que os manifestantes perderam definitivamente a guerra contra o aumento e, logo, não tinham mais motivos para ir às ruas.

Em resposta a essa postura, me autorizo a dizer em nome dos cidadãos opostos à tunga financeira que os empresários de ônibus e o governo do estado nos impõem: editores e diretores do Diario, vocês estão errados. Há tudo para ser discutido.

O Ministério Público de Pernambuco não é o povo, não é a voz do povo, não tem poder de falar em nome dele. Nem todas as suas decisões são favoráveis aos interesses públicos, e a aprovação desse reajuste é o maior exemplo disso no momento.

Não é porque o MPPE contrariou a população que o caso está encerrado. A decisão antipopular da entidade não vai nos poupar de continuar sofrendo no bolso a carestia das tarifas de um serviço que, por ser essencial, deveria ser tão público, pago por impostos, quanto a saúde e a educação. Não vai tornar ética e aceitável a opressão econômica que se impõe por parte das empresas de ônibus e do governo estadual aos trabalhadores e estudantes – em especial aos alunos mais pobres e aos cidadãos que não recebem auxílio-transporte.

E o que nossos representantes queriam discutir com Danilo Cabral não era apenas a tarifa injusta que somos obrigados a pagar, ao contrário do que o DP reducionisticamente sugere. Queríamos pôr em pauta os atuais modelo e situação de transporte público, de tarifas caras, de ônibus lotados e pouco numerosos, sem conforto, de terminais desconfortáveis, inseguros e abarrotados, de desprezo ao transporte ferroviário – não temos VLT nas avenidas e o metrô é muito curto, limitado e mal distribuído –, de baixos salários aos motoristas e cobradores, sem licitação, sem transparência – demandamos auditoria nas contas e planilhas das empresas de ônibus.

Queríamos falar de um sistema que vem induzindo anualmente milhares e milhares de pessoas a comprar carros buscando a alforria desse péssimo sistema, e consequentemente engarrafar cada vez mais o limitado sistema viário do Recife e região metropolitana, aumentar a poluição, piorar as mudanças climáticas e exaurir os recursos minerais. E também do modelo de transporte e trânsito existente como um todo, que não nos dá sequer o direito de usar bicicletas como meios de transporte de distâncias não pequenas (mais de 1km).

E nada disso será resolvido por uma decisão impopular do MPPE – pelo contrário até, será piorado, já que significa o apoio do poder público, aquele mesmo que deveria nos defender, aos abusos praticados no sistema público de transporte metropolitano.

Portanto, é mentira a afirmação de que “não há mais nada a discutir”.

Se o Diario de Pernambuco pareceu nos respeitar no corpo da notícia, desmanchou a boa impressão na última frase desta ao tentar decretar um falso “game over” contra os cidadãos. Mostra favorecer os interesses mais antidemocráticos do governo de Eduardo Campos em detrimento das demandas do povo pernambucano ao justificar e apoiar o covarde boicote feito pelo secretário à prometida reunião marcada com os representantes do povo.

imagrs

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carol

fevereiro 1 2011 Responder

a logomarca do grande recife consórcio de transporte é uma encruzilhada – com as cores da bandeira de pernambuco.
e no centro desta encruzilhada estamos: preço abusivo de passagens, transporte de péssima qualidade, más condições para os trabalhadores dos transportes coletivos e engarrafamentos.
a logomarca do GRCT vira uma encruzilhada de uma cor suja.

grande falta de ética.
o consórcio é com as empresas de vendas de automóveis de passeio.
o recife sem o transporte (literalmente) devido.

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