28

fev11

Política do “cão único” em Xangai: o extremo de tratar animais como propriedade

Xangai anuncia “política do cão único”

A cidade de Xangai anunciou que implementará a partir de maio uma “política do cão único”, destinada a controlar o número de caninos na cidade.

A medida tem como modelo a política do filho único, que submete as famílias a um rigoroso planejamento familiar.

Estima-se que o número de cães não-documentados na cidade seja quatro vezes maior que o número de cães legalizados.

Ao fim do período de registro, mais de 600 mil cães devem ser considerados irregulares [e serão exterminados].

Proprietários [ver também aqui] de animais que não regularizarem seus cães terão de entregá-los às autoridades.

Aqueles que tiverem mais de um cão licenciado poderão manter os seus animais, mas só serão aceitos pedidos de novos cães submetidos por residências sem cachorros.


DEBATE

A nova regulação foi objeto de um longo e aquecido debate entre os legisladores municipais.

No ano passado, mais de 140 mil pessoas prestaram queixa na polícia para registrar mordidas de cães não registrados. [E as modidas de cães “registrados”?]

A polícia já afirmou que deve adotar parte dos cães que forem declarados irregulares.

A lei também proibirá os chamados cães de ataque, como os buldogues[, que, ao que tudo indica, também serão exterminados].

É verdade que a China é conhecida no mundo inteiro como um inferno para os animais não humanos, vide as famosas fazendas de bile, as fur farms, o consumo de carne de cães e gatos e outros aspectos perversamente bizarros da cultura de exploração animal daquele país. Mas o caso acima é passível de acontecer em qualquer país sem um mínimo de legislação animal.

E é um dos extremos aonde a cultura de tratar animais não humanos como objetos e propriedade pode chegar. Os cães de Xangai nada mais são do que objetos sob propriedade das pessoas, que podem ser apreendidos e descartados a qualquer momento de acordo com as conveniências do Estado (ditatorial). Não seres dotados de emoções, sentimentos, consciência, sensibilidade à dor. Mas sim coisas que podem ser jogadas fora ou entregues às autoridades. Coisas que não fazem tanta diferença se estão com a pessoa ou não.

E nessa lógica estamos prestes a ver mais um genocídio, mais extermínio em massa de animais.

Enquanto os animais não humanos continuarem sendo tratados como propriedade e como objetos, continuaremos vendo zoogenocídios e doses miriádicas de sofrimento se multiplicando pelo planeta. E a comprovação de que a humanidade ou não quer paz e justiça ou é fundamentalmente hipócrita ao desejar paz e harmonia entre os seres humanos mas a continuidade da opressão e violência assassina contra os animais não humanos.

imagrs

Seja a primeira pessoa a comentar

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo