08

fev11

Promotor sul-matogrossense intolerante desafia ateus a “contribuir para a recuperação da vida”

Repasso aqui denúncia do grupo-newsletter Dignidade sem Divindade:

No último dia 8 de fevereiro, o MS Notícias publicou o artigo Importância da fé é ressaltada em fazenda de recuperação, que começa assim:

A construção da vida e a fé em Deus foram as tônicas dos discursos durante a cerimônia de inauguração da Fazenda da Esperança Nossa Senhora da Abadia. “Digam-me os ateus como eles têm contribuído para a recuperação da vida, que deixarei de dizer que Deus é o caminho para a salvação“, disse o promotor da 27ª Vara de Infância e da Adolescência, Sérgio Harfouche.

O promotor lembrou aos presentes, em parábolas, várias situações do dia a dia e que refletem sempre nas escolhas que fazemos. Para Harfouche o estado protege com muitas leis, mas não tem estrutura para fazer valer o que obriga. Disse que os adultos de hoje são a última geração dos filhos dos que obedeciam aos pais e que a nova geração é a primeira que obedece aos filhos.

Demonstrou preocupação com os números negativos que esta liberdade oferece e afirmou quanto é perigosa a falta de amor entre as pessoas, pois obriga a construção de mais e mais presídios, além de condenar famílias inteiras a viverem sem seus filhos, levados pela violência ou guardados em presídios.

http://www.msnoticias.com.br/?p=ler&id=57704

O discurso do promotor, além de ser aviltante porque ele compareceu ao evento na qualidade de agente público de um Estado teoricamente laico, bate na velha associação entre ateísmo e indiferença moral. Não há nenhuma indicação de que a grande fração de ateus do planeta não dê sua larga contribuição “para a recuperação da vida”, seja lá o que isso queira dizer. As estatísticas dos países europeus com grande número de ateus deixam isso bem claro. Além disso, é claro que não há absolutamente nenhuma ligação entre as ações dos ateus e o “caminho da salvação”. Ora, qual a responsabilidade dos ateus quanto a Amon-Rá com relação às obras sociais? Que obrigação especial têm os ateus que não têm também os descrentes de papai Noel e do saci-pererê?

E mais: sabe-se que as obras religiosas como a da fazenda em questão nunca são verdadeiramente filantrópicas. Elas invariavelmente dão com uma mão e tomam com a outra, utilizando as entidades como ferramenta de evangelização. Assim, o que em tese seria um ato de desprendimento é na verdade uma instrumentalização da caridade (muitas vezes com dinheiro do Estado, como é o caso) para arrebanhar fiéis, prestígio e dinheiro.

Proteste!!

Emails:

editor @ msnoticias.com.br
caoinfancia @ mp.ms.gov.br

imagrs

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carol

fevereiro 9 2011 Responder

queimem a constituição!
seja a bíblia nosso livro de leis!

obtuso.

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