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fev11

Resposta do Recife Resiste! à nota do Grande Recife Consórcio

Recentemente, não sei se ontem ou na edição de hoje, o Grande Recife Consórcio de Transportes divulgou nota dirigindo acusações aos manifestantes que se opõem ao aumento das passagens. Objetiva jogar a população contra nós e talvez incitar a Polícia Militar a adotar uma postura ainda mais repressiva do que se viu no protesto passado.

Vale reverberar aqui a voz d@s oprimid@s, dando-lhes um pouco do volume que a mídia não lhes dá direito. Reproduzo aqui a resposta do blog Recife Resiste! à nota acusatória do GRCT:

O protesto de sexta (04/02) e a nota da Grande Recife Consórcios

Nessa  sexta-feira (04/02), o Comitê contra o aumento organizou mais um ato na cidade do Recife. Dessa vez os manifestantes protestaram contra o aumento das passagens de forma mais inovadora: ocuparam o SETRANS, na Maciel Pinheiro, por cerca de 1h. Alguns carregavam cartazes com exigências como “redução é pouco, passe livre já”, enquanto outros traziam consigo bandeiras da UESPE, que acabavam por dar mais visibilidade a esta entidade do que à causa.

Houve panfletagem e agitação com gritos como “mãos ao alto, R$3,10 é um assalto”, no intuito do movimento dialogar com a população e convidá-la para o próximo ato organizado pelo Comitê, o qual será na quarta-feira, 09/02. Alguns reprovaram a iniciativa, outros aplaudiram e até se juntaram ao grupo de 30 pessoas que agitava a sede do VEM.  Em um determinado momento, soltou-se uma bombinha no canto de uma parede, o que assustou algumas pessoas devido ao barulho e à fumaça. No entanto, ninguém se feriu – o que seria bem improvável diante de uma mera bombinha – , não havendo dano qualquer a integridade física dos manifestantes e muito menos dos clientes. Nesse ponto, é importante fazer uma ressalva como resposta à nota mentirosa publicada pela empresa em questão e pelo governo do Estado nos principais jornais da cidade: não houve arremesso de bolinhas de gude, de modo que os participantes do ato não agrediram de maneira alguma a população. Pelo contrário, o movimento está com as pessoas e contra o governo.

O intuito era e é agredir a instituição do Estado, que, embora divulgue que na semana passada recebeu “fraternalmente” uma comissão dos manifestantes, não divulga que, no dia 28/01, o secretário Danilo Cabral covardemente boicotou uma reunião com uma comissão, reunião essa marcada há um mês com a condição de que a UESPE não organizasse nenhum protesto nesse meio tempo. Com essa atitude calculada, o governo tentou desmobilizar a luta contra o aumento das passagens. No entanto, para não sofrer qualquer acusação, o governo, depois de um mês e já calculando a desmobilização, decide receber com muita boa vontade uma comissão de manifestantes para o tal “diálogo”: o governo do Estado está irredutível no que diz respeito ao preço das passagens de ônibus. Um verdadeiro monólogo.

Nunca houve nem há comunicação entre a população e o Estado. Nesse sentido, é legítimo questionar o governo que, ao contrário do que é noticiado em determinadas mídias corporativas, não existe para proteger o povo. É extremamente contraditório convocar, em nota, os estudantes para deslegitimarem uma iniciativa que, verdadeiramente, pretende questionar as medidas governistas que, justamente, prejudicam a população. Além disso, é uma covardia ameaçar diplomaticamente (ou não) as próximas mobilizações. Na nota publicada pela Grande Recife, ficou implícita a ameaça de forte repressão para qualquer outro ato que venha a acontecer. Simbolizar uma resistência soltando bombinha e pichando “Passe livre” nas paredes do “Passe nada Fácil” não é uma agressão à população, e sim uma agressão aos empresários e ao governo. Não é muito mais ofensivo um Estado que  reprime manifestações com seguranças brutos que chegam a rasgar a bolsa de um manifestante para roubar seu megafone e sua máquina fotográfica?

É no mínimo estranho ler em nota uma crítica à “violência” dos “vândalos” quando o próprio Estado dá ordens à polícia e, em muitos casos, ao batalhão de choque para acabar, a todo custo, com a manifestação que, teoricamente, o governo encara como legítima na nossa “democracia”. No ato dessa sexta-feira (04/02), os policiais constrangeram muitos manifestantes ao obrigá-los a abrir a bolsa para revistá-los. E mais: chegaram a ameaçar um participante com um cassetete para que ele parasse de filmar o ato. Que polícia é essa que tem medo de se mostrar? Quem são os verdadeiros vândalos? Sim, os policiais. Mas a mando do governo. A ordem de repressão é dada por aqueles que nos acusam de agredir a população.

Não acreditemos nas mentiras noticiadas pela mídia corporativa e pelo próprio governo do Estado. Foi vergonhosa a  difamação publicada pela Grande Recife Consórcios, que acusou publicamente os manifestantes de uma falsa atitude irresponsável e violenta para com as pessoas:

“Os manifestantes chegaram ao cúmulo de detonar um artefato explosivo (bomba), causando danos materiais e assustando dezenas de pessoas que se encontravam no local (…) também arremessaram bolas de gude contra as paredes, as quais ricochetearam e acabaram por atingir e ferir várias pessoas”.

É uma covardia publicar mentiras numa tentativa de manipular a população. Uma acusação desse porte é muito grave, um verdadeiro absurdo! A mídia corporativa mais uma vez acoberta uma mentira, o que não nos surpreende, dado seu descarado posicionamento a favor da classe dominante, na qual se inclui o Estado.

Protestemos com ainda mais força contra o aumento das passagens, mostrando que não somos nós que precisamos ser legitimados pelo Estado, e sim o contrário, ou nem isso.

Próxima quarta-feira (09/02), vai haver mais um protesto. Será às 13h, com concentração no Ginásio Pernambucano. Participe e resista!

Recife Resiste!

imagrs

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Fernanda

fevereiro 8 2011 Responder

massa!

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