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fev11

Sobre homofobia e presunção de controle da vida alheia

Diálogo recente entre eu e pessoa do meu círculo social (identificada por “Ô):

Eu: Eu tava ouvindo aqui você dizendo no telefone, acho que com Ü…
Ã: Não, eu tava conversando com Ç (mulher) mesmo.
Eu: Te ouvi dizendo que você preferiria ver Ç com um homem mau-caráter do que com uma mulher de bom coração.
Ã: É isso mesmo. Ç e Î estão com uma amizadezinha estranha, e estão parecendo que não querem mais paquerar os rapazes bonitos da idade delas. Sei lá o que pode ser isso, mas não quero ver de jeito nenhum as duas virando sapatão.
Eu: Por quê?
Ã: Você iria preferir ver $ (homem) com uma mulher ou com um macho?
Eu: Eu sou indiferente.
Ã: Não, tem que escolher um dos dois. Queria ver $ com mulher ou com homem?
Eu: Eu não tenho que escolher nada, porque a vida é dele e eu não mando na vida de ninguém.
Ã: Vai, diz aí o que você ia preferir.
Eu: É o que eu tô dizendo, eu não tenho que escolher nada porque não mando na vida de ninguém.
Ã: Mas o que você pessoalmente preferiria ver?
Eu: Hum… Você preferiria me ver com uma branca ou uma negra?
Ã: Eu seria indiferente.
Eu: Não, tem que escolher. Iria preferir qual?
Ã: Eu não iria preferir ninguém, eu sou indiferente.
Eu: Olha aí. Entendeu por que eu sou indiferente a ver $ com homem ou com mulher?
Ã: Não tem nada ver uma coisa com a outra.
Eu: Tem tudo a ver: o preconceito.
à (desconcertado[a]): Não gosto de ver mulher com mulher. Aliás, com os outros, tudo bem, mas dentro da família não quero ver isso.
Eu: Por quê?
(Ã não respondeu e foi ver TV.)

Fica a reflexão: que direito um tem de controlar outro por preferências, ainda mais preconceituosas, que dizem respeito não ao outro, mas à mentalidade pessoal do um? E por que a orientação sexual é, ou tem que ser, mais importante e relevante que o caráter num relacionamento?

Se fulano(a) prefere namorar alguém do mesmo sexo ou do outro, eu não tenho que preferir nada acerca da vida dele(a). Meu único papel na situação é aceitar e respeitar a sua opção, já que sexualidade não tem nada a ver com caráter e não compromete a integridade de ninguém.

Me pergunto por que os preconceituosos têm tanta dificuldade de respeitar as diferenças, mesmo quando se referem a características biologicamente intrínsecas.

imagrs

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