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fev11

Tortura em nome da ciência (Parte 18)

Cientistas curam HIV de camundongo

Eis um enunciado científico muito aguardado: cientistas curaram uma doença similar à Aids, em camundongos. Há, porém, um grande entretanto: os bichos ficaram sem uma variação do HIV que atinge a espécie, mas tiveram tantos efeitos colaterais após o “tratamento” que quase morreram.

Os cientistas não utilizaram antivirais. Forçaram o próprio sistema imunológico dos animais a lutar contra o vírus –e, surpreendentemente, ele conseguiu vencer.

Eles sabiam que o sistema imunológico dos camundongos, assim como o dos humanos, tem uma espécie de disjuntor. Quando ele se depara com um inimigo muito forte, como o HIV, e atinge um estado crítico, o disjuntor “desliga” o sistema, para evitar danos permanentes. É como se o sistema imunológico estivesse se rendendo.

O disjuntor é um gene chamado SOCS3, que libera um proteína de mesmo nome que faz o serviço de “derrubar” a defesa do organismo.

O líder do estudo, o médico Marc Pellegrini, do Instituto Walter e Eliza Hall, na Austrália, pensou: e se tirarmos esse disjuntor e deixarmos o sistema imunológico prosseguir defendendo o organismo até as últimas consequências, o que acontece?

Foi como se Pellegrini estivesse disposto a pagar para ver o preço de um “superaquecimento” do organismo –para manter a analogia, ele apostou que, após o cheiro de queimado e até incêndios terem destruído permanentemente a “estrutura” do sistema imunológico, o corpo ao menos se livraria do vírus.

Os pesquisadores, então, utilizaram um hormônio para nocautear o SOCS3 nos camundongos –a expressão que eles usam é essa, como se o gene fosse um boxeador perdendo os sentidos depois de levar uma pancada.

Sem o SOCS3, a guerra entre o sistema imunológico e o vírus seguiu até que um deles se esgotasse.

A experiência mostrou que Pellegrini estava certo. Após 60 dias, já não era possível encontrar o vírus em nenhum dos ratos do pesquisador — e só eles sabem o mal que devem ter passado nesse intervalo, com o seu sistema imunológico “fora de controle”, obcecado por acabar com o vírus a qualquer custo.

O “superaquecimento” do sistema imunológico não ficou de graça: a saúde dos animais ficou danificada após esse processo.

EFEITOS COLATERAIS

Os bichos desenvolveram graves e recorrentes inflamações, além de vários tipos de doenças autoimunes –quando o organismo perde a capacidade de reconhecer a si mesmo e passa a se atacar, considerando invasoras as suas próprias células.

Os pesquisadores dizem que ainda há muito a descobrir sobre como esses efeitos colaterais se desenvolvem[, precisarão torturar mais animais para obter novas descobertas]. Por enquanto, portanto, a técnica é insegura demais para ser testada em seres humanos, ainda que os mecanismos de reação do sistema imunológico relevantes para a técnica sejam iguais aos dos camundongos.

Como a técnica não é específica para o HIV, os cientistas acreditam que ela funcione também com outras doenças, como as hepatites B e C e também a tuberculose.

O trabalho foi publicado na revista científica “Cell” [Por divulgar experiências de tortura, começo a acreditar que o nome é em homenagem ao vilão Cell de Dragon Ball Z].

Na notícia acima, está claro como a luz do Sol que os animais sofreram muito com essa experiência e que as dolorosas consequências dela eram antes totalmente desconhecidas d@s cientistas que mexeram com o corpo dos sofredores.

E pode ter certeza, se os camundongos tivessem morrido depois de seu longo sofrimento, não teríamos essa notícia na Folha.com, pois a mídia só divulga experiências bem-sucedidas, por mais sofrimento que tenham causado. O artigo científico provavelmente teria sido publicado na revista com nome de vilão de anime, falando das consequências do desligamento do “disjuntor” imunológico, mas a imprensa não se interessaria em publicar um fracasso, pois não interessa aos leitoræs algo que não diz respeito às suas esperanças de cura de doenças.

Isso quer dizer que experiências extremamente tortuosas contra animais vítimas da vivissecção fracassam todas as semanas, se não todos os dias, sem que a opinião pública tenha o mínimo conhecimento da agonia pela qual os bichos passam. Camundongos, ratos, cães, chimpanzés etc. agonizam prolongadamente e morrem por causa de experimentos malfadados, e sua desgraça não chega à imprensa – até porque “nossa” mídia não está nem um pouco interessada em denunciar o altíssimo preço, pago com dor, sofrimento e morte, dos “avanços” da ciência vivisseccionista.

Penso que a mídia não é neutra em relação à vivissecção. Pelo contrário, ela apoia a tortura de animais em nome da ciência, pois divulga violências praticamente explícitas como não-violências. Vende atos verdadeiramente criminosos como “esperanças para a humanidade”. Publica o mal travestindo-o de bem. Induz @ leitor/a ao duplipensar. Só não assume sua posição em editoriais.

Em outras palavras, é um PIG tanto contra o governo petista como contra os animais não humanos.

Enquanto isso continuar acontecendo, continuaremos vendo as pessoas comemorando indiretamente a tortura e o assassinato de animais não humanos, graças a essa imprensa nada imparcial.

imagrs

5 comentário(s). Venha deixar o seu também.

carol

fevereiro 9 2011 Responder

atire a primeira pedra quem não for hipócrita.

assumindo, a gente começa a fazer alguma coisa.
realizando, a gente começa o caminho.

não defendo x ou y aqui, mas entendo que adjetivos são bem escorregadios, pois são, inevitavelmente, juízos de valor.

acredito que se há tecnologia em termos macro (como satélites tirando foto 3D do sol), há sim, ao menos, tecnologias em âmbito micro (como a nanotecnologia) que podem ser utilizadas ao invés de animais.
por que isso não é feito – pelo menos em larga escala?!
bom, penso que seja mai$ econômico utilizar seres vivos.

abraços calorosos.

Pedro

fevereiro 9 2011 Responder

Desde que eu deixei aquele comentário sobre o post que falava do suposto machismo na língua portuguesa, venho pesquisado este blog. Muito interessante – e muito hipócrita.

Várias vezes li coisas completamente descabidas, mas não comentei porque são muitas coisas, e assuntos muito complexos, e também são muitos posts. Mas agora venho registrar meu descontentamento e indignação com a hipocrisia das pessoas que protestam contra – entre outras coisas – a experimentação em animais não-humanos.

É lindo uma pessoa fazer o supremo esforço de deixar de ir na rápida e assassina McDonald’s com seus hambúrgueres de carne bovina e ir comer uma saladinha light (com o benefício de ser mais saudável) em um restaurante vegano, que não tem – supostamente – ligações com o sofrimento de animais e as políticas bem-estaristas. Realmente admirável, não é?

Agora eu quero ver veganos deixarem de usar (entre milhares de outras coisas) antibióticos, vacinas, remédios contra HIV, computadores, energia elétria, remédios industrializados em geral, plástico, tantas coisas que tiveram ou têm ligações diretas com o sofrimento e dor de animais não-humanos.

Não sou contrário ao movimento vegano em si – é realmente admirável tentar acabar com o sofrimento de qualquer ser. Até já pensei em parar de me aproveitar dos animais. Mas COMO fazer isso? Sem hipocrisia? Realmente sem cegueira?

Me revolto com pessoas que fazem das suas posições uma hipocrisia.

    Robson Fernando

    fevereiro 9 2011 Responder

    Não sou contrário ao movimento vegano em si – é realmente admirável tentar acabar com o sofrimento de qualquer ser. Até já pensei em parar de me aproveitar dos animais. Mas COMO fazer isso? Sem hipocrisia? Realmente sem cegueira?

    Quem enxerga o veganismo como uma “hipocrisia” por não poder haver boicote a remédios não pensa que a humanidade é refém da vivissecção. A verdade é que lutamos tanto pelos animais como pela alforria da humanidade da “necessidade” de explorar e matar animais pra seu benefício.

    No Brasil imperial mesmo, por mais abolicionista que fosse, uma pessoa não poderia boicotar a agricultura escravocrata, pois a economia brasileira era totalmente escravista. Mesmo os abolicionistas eram reféns do sistema. Nem por isso estariam sendo hipócritas, pois sonhavam com o dia em que não teriam mais o constrangimento de ter relações com um sistema de opressão escrava.

    Quem pensa que o veganismo é hipocrisia por não poder boicotar tudo geralmente acredita que o veganismo é uma meta total, o que infelizmente não é nos dias de hoje. Como é impossível alguém ser 100% livre da exploração animal, o veganismo define não a independência absoluta dos frutos da exploração animal, mas sim o boicote a tudo aquilo que pode ser boicotado, a todo o consumo exploratório evitável.

      Pedro

      fevereiro 11 2011 Responder

      E é possível parar com pesquisas que usam animais não-humanos em experimentos? Ou melhor, é possível fazer todos os testes em voluntários?

        Robson Fernando

        fevereiro 11 2011 Responder

        Essa é uma situação incômoda que torna a humanidade refém daquilo que (pelo menos a sociedade ocidental) mais repudia – a violência, a tortura, a escravidão.

        Hoje ainda estamos numa situação em que é impossível parar e substituir imediatamente todas as experiências de vivissecção. Ainda se está pra desenvolver tecnologias suficientemente complexas pra simular o corpo humano ou todas as suas partes em separado.

        Mas isso acontece por causa da falta de interesse da comunidade científica, acostumada com a visão antropocêntrica e, por que não, ignorante acerca dos motivos éticos que fazem os animais não humanos merecerem direitos e resguardo legal. Levando adiante a crença de que o ser humano é superior aos demais animais, continuam torturando os seres que consideram inferiores – especialmente ratos e camundongos, que reúnem as conveniências de serem, segundo os cientistas, moralmente inferiores e terem o funcionamento fisiológico similar ao do organismo humano.

        Só vamos nos livrar da atual condição inconveniente de dependência da vivissecção se promovermos pressão e influência ético-filosófica sobre a comunidade científica. Personalidades como Sônia Felipe e Sérgio Greif estão aí fazendo a frente, levando a cabo a fase inicial dessa influência.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo