18

fev11

Tortura em nome da ciência (Parte 22)

Cientistas descobrem por acaso possível remédio anticalvície

A descoberta acidental de uma substância que fez crescer novamente pêlos em ratos de laboratório pode abrir caminho para um potencial remédio contra calvície em seres humanos, segundo uma pesquisa americana publicada esta semana.

“Nossa descoberta mostra que um tratamento de curta duração com esta substância fez crescer novamente pêlos em ratos que foram geneticamente modificados para ficarem cronicamente estressados“, explicou o Dr. Million Mulugeta, professor adjunto de medicina da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, um dos coautores deste estudo.

“O trabalho pode significar o início de novas abordagens para tratar a calvície em humanos, ao neutralizar os receptores de um hormônio que desempenha um papel-chave na condição de estresse”, acrescentou.

Tais tratamentos poderiam tratar a perda de cabelos relacionada ao estresse e à velhice, precisou o médico. O estudo foi publicado na versão on-line da revista científica americana PLoS One, uma publicação da Public Library of Science (Biblioteca Pública de Ciência.

Os cientistas fizeram esta descoberta inesperada ao conduzir pesquisas sobre as maneiras como o estresse pode afetar as funções gastrointestinais. Para isso, utilizaram ratos geneticamente modificados para produzir em excesso corticotropina ou CRF (corticotrophin-releasing factor), um hormônio de estresse.

Ao envelhecer, esses ratos começaram a perder os pêlos, principalmente nas costas, ao contrário do grupo controle de roedores não modificados geneticamente.

Pesquisadores do Instituto Salk na Califórnia, membros da equipe que desenvolveu o trabalho, conseguiram criar um peptídeo, uma substância química batizada de astressin-B, que bloqueia o efeito estressante do hormônio CRF, e o injetaram nos ratos que perdiam os pêlos.

Três meses mais tarde, os médicos voltaram para analisar os efeitos do astessin-B, mas não conseguiram distinguir os ratos geneticamente modificados dos outros, já que seus pêlos haviam voltado a crescer totalmente.

Eu inicialmente pensei que fosse relativo a ratos com calvície “natural” induzida – o que não deixaria de ser um abuso contra esses animais, já que seria de qualquer jeito fazer um animal nascer “programado” para sofrer problema -, mas o buraco foi muito mais embaixo. Eles nasceram já condenados ao sofrimento intenso de um estresse crônico.

E o pior é que a pesquisa-tortura visava experimentar se esse sofrimento causa danos nas funções gastrointestinais. Ou seja, alta probabilidade de os bichos sofrerem em dobro: com o estresse grave e com distúrbios digestivos. O experimento parece tender a um fim aplicado, mas, assim como os dois últimos posts da sequência Tortura em nome da ciência, não tinha o fim de diretamente pesquisar uma cura – a descoberta da substância anticalvície foi acidental -, o que significa que os animais transgênicos sofreram até o fim de suas vidas, com ou sem pelos caindo.

Promovem esse tipo de tortura em roedores porque, à vista da comunidade científica, eles fundem duas características muito relevantes: a similaridade do funcionamento do seu organismo com a fisiologia humana e a sua inferioridade moral, que os torna suscetíveis a sofrer as violências mais diversas em nome da ciência sem que os códigos e comissões de “ética” possam intervir.

Se fôssemos aplicar a (ultrapassada) teoria etnoevolucionista de Lewis Morgan na ciência biomédica, ela estaria classificada na fase da selvageria, por ser tão violenta em sua metodologia e arcaica em sua tecnologia e rejeitar a possibilidade do uso de tecnologias como a computacional para substituir as sofredoras cobaias.

imagrs

Seja a primeira pessoa a comentar

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo