05

mar11

Abaixo-assinados da hora: contra vivissecção e contra propaganda racista e sexista

Dois abaixo-assinados precisam neste momento da adesão das pessoas de bem:

a) Luta contra os testes em animais e a vivissecção no Brasil

Prezado Ministro da Ciência e Tecnologia,
Prezados Senhores Membros do Congresso Nacional,

Em sua manifestação durante a abertura da 11ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (Concea) em Brasília, o Ministro pronunciou-se de forma a incentivar a manutenção e expansão da experimentação em animais no Brasil como algo extremamente relevante para os interesses da população.

Tais declarações carecem de fundamentação científica e embasamento teórico e se encontram na contra mão absoluta da história do planeta. Isto porque, ao contrário das declarações feitas pelo Ministro, há muito que a ciência moderna reconhece as profundas limitações dos resultados obtidos nas pesquisas com animais.

Na transposição dos dados obtidos em experimentos com animais para a fisiologia humana, os erros necessariamente ocorrem e com muita frequência. Disto temos inúmeros exemplos, a começar pelos resultados obtidos com as primeiras vacinas anti-polio que, considerados seguras em animais, provocaram a morte de diversos sujeitos humanos que a receberam.

Desde então inúmeros são os exemplos de substâncias e fármacos considerados seguros em animais e que se revelaram nocivos ou mesmo letais para humanos; bem como, inversamente, de substâncias consideradas letais em animais que se revelaram surpreendentemente positivas para o tratamento humano.

Diante deste cenário – e esta é a REALIDADE, Sr. Ministro – os países do primeiro mundo vem adotando procedimentos que, além de ÉTICOS (por NÃO impor sofrimento extremo e desnecessário aos animais), produzem resultados cuja fidedignidade é imensamente maior: simulações em computador, testes em células humanas etc. A neurologia de ponta avança com o recurso de simuladores. A pesquisa do AIDS vem avançando sem o recurso a este expediente medieval.

A União Européia já caminhou na direção de PROIBIR experimentos em animais para cosméticos e produtos de limpeza.

O mundo começa a acompanhar os trabalhos de pesquisadores sérios que evidenciam a falta de fidedignidade dos resultados obtidos com esta vil experimentação.

As Universidades no Brasil deveriam ser IMPEDIDAS de recorrer à vivisecção, há muito já banida dos centros universitários de renome mundial, que optaram, com vantagem didática, ao uso de simuladores para efeitos de aprendizagem.

Desejamos assim solicitar que o Brasil se alinhe a uma perspectiva mais moderna e ética no campo da pesquisa e do ensino e que todos os fronts da ainda praticada pesquisa animal, não-ética e de baixa fidedignidade – sejam relegados, num futuro próximo, ao triste passado de ignorância deste País.

Remédios, substâncias, cosméticos e produtos de higiene e limpeza DISPENSAM estas práticas bárbaras de resultados duvidosos.

E mais, não há necessidade alguma de continuarmos duplicando aqui erros do passado, sobretudo ao custo de vidas de seres inocentes.

A melhor forma de promover o bem-estar da população implica necessariamente em INFORMAÇÃO.

Apenas decisões informadas e bem fundamentadas poderão produzir este resultado. Como todos bem sabemos, o recurso a experiências em animais tem sido o recurso BARATO de evitar o investimento em métodos didáticos mais modernos por parte das instituições de ensino.

Analogamente, o continuado recurso a estes experimentos por parte dos grandes laboratórios só tem servido para defender os interesses das grandes indústrias farmacêuticas com seu eterno pavor de processos por parte dos pacientes, os quais, é bom que se diga, efetivamente NÃO estão protegidos por este método de “pesquisa”. Se efetivamente desejam maior SEGURANÇA para os usuários de medicamentos, deveriam fazer investimentos – inexpressivos financeiramente, se comparados à enormidade do lucro que fazem – em métodos MODERNOS e de ACUIDADE comprovados, há muito tempo de conhecimento da comunidade científica internacional de renome.

b) Contra a propaganda racista e sexista da Cerveja Devassa (ver foto do anúncio)

Para: CONAR e órgãos de defesa dos direitos humanos

A Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos e demais entidades signatárias vem manifestar seu repúdio e exigir providências públicas cabíveis, somando-se ao Procon Municipal de Vitória (ES) que determinou a retirada da propaganda da Cerveja da marca “Devassa” de uma choperia, e que está publicada na Revista Rolling Stones (Número 51, dezembro de 2010, paginas 6 e 7) e cadernos especiais de jornais, a qual divulga a frase “É pelo corpo que se reconhece a verdadeira negra…Devassa negra encorpada. Estilo dark ale de alta fermentação. Cremosa com aroma de malte torrado”.

A referida frase, que vem acompanhada da imagem de uma mulher negra é explicitamente desrespeitosa em relação a essas mulheres, cujo processo de racismo e discriminação a que estão submetidas historicamente no Brasil é caracterizado, entre outras manifestações, pela veiculação de estereótipos e mitos sobre a sua sexualidade. Uma forma de manter barreiras ao seu processo de inclusão na cidadania como pessoas com iguais direitos.

Esta cultura foi legitimada e legitimadora da escravização a que foi submetido o povo negro trazido da África por quase 500 anos, quando as mulheres negras, desde meninas serviam de iniciação sexual dos brancos, afetando suas vidas, saúde, e violando a sua dignidade como pessoas. Discriminações racial e de gênero se somam tornando a luta das mulheres negras pela igualdade um desafio difícil de ser vencido.

O Brasil é detentor de legislação nacional que tipifica e criminaliza o racismo e as discriminações por gênero e raça, é signatário de documentos internacionais que vedam estas manifestações e protegem os direitos humanos.

Tendo em vista que esta publicidade viola os direitos humanos e a dignidade das mulheres negras, referindo-se ao seu corpo e sua sexualidade, e que a Cervejaria Devassa é reincidente na veiculação de publicidade em que trata mulheres a Rede Nacional Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, apoiada amplamente pelo movimento de mulheres, expressa sua indignação e exige providências do Conselho Nacional de Auto-regulamentação da Publicidade – CONAR, assim como encaminha aos órgãos de defesa dos direitos humanos solicitação de medidas cabíveis.

REDE NACIONAL FEMINISTA DE SAÚDE, DIREITOS SEXUAIS E DIREITOS REPRODUTIVOS

Os signatários

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