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mar11

“Eu libertei!”

– Cadê o peixe daqui do aquário?
– Cadê o passarinho que tava aqui na gaiola?
Eu libertei!

Uma resposta tão gostosa de se dizer quanto a exclamação “Estou livre!”. Poucas coisas dão tanto prazer a você quanto libertar um animal, aquele inocente cumprindo prisão perpétua, da sua gaiola ou aquário e lançá-lo na Natureza, onde ele poderá viver em liberdade e se integrar ao cosmos biosférico. É muito gratificante ter o poder de dar a um bichinho essa preciosidade chamada Liberdade, por tanto tempo negada a ele.

Retirar do animal o estatuto de mercadoria, propriedade, objeto de decoração, e a condição de prisioneiro. Abolir seu aprisionamento, seu cárcere, suas privações. Transformar um refém do especismo em um ser livre e filho da Natureza. É singular a sensação que dá – só não o é quando você tem as oportunidades devidamente aproveitadas de libertar animais mais de uma vez.

Tanto o liberto quanto o libertador são altamente gratificados com o corte das grades da prisão. O animal não-humano se livra da tristeza de estar preso, da solidão (quando é um prisioneiro solitário da gaiola ou aquário), da penúria que é viver sem a dignidade de um ser pertencente a um ecossistema. Finalmente pode exercer todas as suas propriedades e habilidades biológicas, outrora limitadas ou impedidas por sua antiga prisão. Mesmo que morra cedo por não estar acostumado com a vida sem paredes ou grades e/ou sucumbir à teia alimentar de seu mais que espaçoso novo lar, pelo menos terá morrido enquanto um ser da Natureza, um ser livre, sujeito às leis ecológicas do mundo silvestre.

Já você, o ser humano que lhe deu a dádiva da liberdade, é tornado um herói, um guerreiro da Ética, ainda que assim seja reconhecido apenas por sua própria visão individual, mesmo que a sociedade hoje não valorize nem cumprimente os libertadores de bichos.

Mesmo que o ex-aprisionador – podendo ele ser desde o traficante de aves engaioladas do pet-shop até mesmo seu irmão ou seu pai – se enfureça com você, sua consciência não esmorecerá, sua autoestima continuará lá em cima. Pois, afinal, não fez nada de errado, nada de imoral ou antiético, nada de criminoso, muito pelo contrário.

E poderá responder à altura, transformando aquele que quer punir você em alguém ávido de se redimir por ter sujeitado um ser inocente à prisão por tantos dias. Por bastante tempo você viverá psicologicamente nas nuvens, como se premiado por mérito com algo muito valioso

A outra grande consequência do ato – ou, por que não, da arte – de libertar é que você estará  afrontando, peitando, desmoralizando a cultura de tratar animais não-humanos como propriedade, como objetos decorativos, como prisioneiros a pagar pelos “crimes” de não serem humanos e serem esteticamente atraentes aos olhares do carcereiro.  Se mais e mais indivíduos começarem a libertar aves e peixes de suas jaulas e soltá-los na Natureza, outras pessoas mais verão que há um motivo para o ato da libertação; que não é justo, não é certo, jogar e criar animais em prisões, tanto legal como ilegalmente. Você ajudará a transformar a gaiola e o aquário em aberrações estéticas, em símbolos de crueldade, de privação, de negação da liberdade.

Fica a mensagem: é uma delícia ter a oportunidade de libertar animais aprisionados. Uma autoestima heroica e uma sensação prazerosa para você que liberta, uma dádiva divina e uma vida de presente para aquele que é libertado. Feliz é aquele que tem a oportunidade de responder a quem lhe perguntar onde foi parar o pássaro da gaiola ou o peixinho do aquário: “Eu libertei!”

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June Maria

maio 5 2011 Responder

Parabens pelo blog, tenho verdadeiro pavor de ver um passarinho preso, esse é o CRIME, seu blog me ajudou muito!

    Robson Fernando de Souza

    maio 5 2011 Responder

    Obrigado June =)

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