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mar11

Maior usina de biodiesel do mundo produzirá energia a partir também de gordura animal

Neste Oil inaugura em Cingapura a maior usina de biodiesel do mundo

A companhia petrolífera finlandesa Neste Oil inaugurou em Cingapura a maior usina de produção de biocombustível do mundo, que teve investimento de 550 milhões de euros (mais de R$ 1,3 bilhão), informou a imprensa local nesta quarta-feira.

A usina tem capacidade para produzir 800 mil toneladas anuais de biodiesel, a partir de óleo de palma da Malásia e Indonésia e também de gordura animal, para exportar para Europa, Canadá e Estados Unidos.

O presidente da companhia, Matti Lievonen, indicou que, apesar de seu rápido crescimento, os países asiáticos não representarão um mercado de envergadura para o combustível biológico.

A Neste Oil escolheu a Cingapura por ser o terceiro maior centro de refino de petróleo do mundo e pela proximidade com a principal zona produtora de óleo de palma do mundo.

A companhia finlandesa desenvolveu sua própria tecnologia para produzir biocombustível de nova geração, chamada NExBTL, que permite utilizar como matéria-prima qualquer tipo de gordura vegetal ou animal.

O biodiesel NExBTL tem qualidade superior à dos combustíveis fósseis e, além de ser renovável, emite entre 40% e 60% menos de gases do efeito estufa.

Os grupos ambientalistas acusaram a indústria do óleo de palma na Malásia e na Indonésia de acelerar o desmatamento das selvas de Bornéu e Java, colocando em perigo espécies como o orangotango e o rinoceronte de Java.

A Neste Oil, no entanto, assegura contar com o certificado alemão ISCC (International Sustainability and Carbon Certification), que garante que a empresa cumpre com as exigentes normas ambientais.

Imagine as cenas mais nojentas possíveis para essa produção de gordura animal. Desespero de animais entrando no matadouro, sentindo o cheiro de sangue vindo lá de dentro, mais bichos lá dentro se debatendo de dor, pendurados por um gancho a perfurar uma de suas patas traseiras; o manuseio de gordura cheia de sangue no frigorífico (considerando também que essa mesma matança visa acima de tudo a produção de carne)… Sem falar na já arrebatadora vida desses seres, tratados como mercadorias, impedidos de ser livres por cercas e por peões na pecuária extensiva, ou então perpetuamente aprisionados em pequenas baias na pecuária intensiva.

Isso é a energia que servirá milhões de pessoas. Energia suja não só de poluição, mas também suja de sangue, de sofrimento, de morte. Eticamente suja. Mais matança e mais distância entre a realidade e a possibilidade de uma vida 100% vegana.

E lembrando que no Brasil já temos usinas a esse tipo de biodiesel, tendo na inauguração de uma delas o especista Lula até brincado com a situação dos animais cuja gordura abasteceria a usina da frigorífica Bertin (“Aqui jaz um boi” e “biodiesel de picanha” foram duas pérolas ditas às risadas por ele na ocasião).

Isso também acaba sendo um cerco ao nosso direito ao veganismo, um acinte a quem quer viver com ética e não sustentad@ na exploração animal.

 

P.S: Além de antiética, essa usina também é uma amostra de como fontes de energias ditas limpas na verdade são verdadeiras energias imundas de tão sujas. A preocupação com a poluição é patente, mas pouc@s leitoræs podem prestar atenção para o fato de que a palma de onde a usina tirará parte do seu biodiesel é originada de muito desmatamento. Assim como o etanol daqui, também originado de ecocídios seculares e queimadas periódicas de cana-de-açúcar, o biodiesel cingapuriano é sujo não necessariamente pela poluição emanada, mas por se originar de destruição ambiental. E contamos também com o fato de que a própria pecuária que origina a gordura a ser transformada em diesel tem impactos ambientais mais que perversos também.

Além também da sujeira social – plantações de biodiesel geralmente são propriedades de latifundiári@s, são frutos de pesada concentração agrária e opressão rural. E sabemos bem os crimes rurais praticados por quem é interessad@ na perpetuação da valorização dos agronegócios, seja em nome da pecuária, seja em prol do cada vez mais rentável mercado de biodiesel. Ou seja, uma fonte de energia socioambientalmente suja.

Devemos nos atentar para essas falsas energias limpas, que, frutos de políticas socioambientais mais que equivocadas, perpetuam a cultura de de$truição ambiental e opressão social.

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