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mar11

Superstição sangrenta: diretoria do Sport paga búfalo a ser sacrificado por promessa antiga

A lenda que virou verdade: Sport paga o búfalo

Em 2008 o Sport foi o campeão da Copa do Brasil, e como é de praxe em qualquer canto do mundo, vários torcedores fizeram suas promessas, consequentemente assim que o objetivo foi alcançado, pagaram. Porém, o babalorixá “Pai Carlos”, que garante ter ajudado o clube nessa conquista, sempre repetiu que o Sport não pagou sua promessa de sacrificar um búfalo, que foi pedido por um santo.

Coincidência ou não, desde o não pagamento do búfalo o Sport não vive uma boa fase. Por todo esse período Pai Carlos sempre repetia: “Paguem o búfalo”, e no desespero da má campanha na temporada do hexa, Gustavo Dubeux resolveu pagar a dívida com os santos.

No início da tarde desta terça-feira (22) representantes do clube foram ao terreiro de Pai Carlos e pagaram uma quantia de R$ 5 mil referente ao búfalo. Segundo o presidente do clube essa foi uma medida preventiva, para que depois ninguém acuse o clube de não ter feito de tudo para que o Sport fosse campeão.

Agora é esperar para ver se Pai Carlos está certo desde 2009 ou se essa história do búfalo só levou prejuízo aos cofres rubro-negros.

A origem da história foi essa:

Segundo Pai-de-Santo, Sport deve búfalo a Zé Pilintra
(27/01/2011)

Em entrevista ao radialista Geraldo Freire, durante o programa Super Manhã, da Rádio Jornal, na manhã desta quinta-feira, Pai Carlos revelou o possível motivo pelo qual o Sport vem enfrentando uma má fase no início da temporada 2011.

Segundo o Pai de Santo, um dirigente rubro-negro (não revelou o nome) teria pedido um “trabalho” para ajudar o clube a conquistar o título brasileiro [da Copa do Brasil]. O pagamento seria um búfalo, que, segundo o Pai Carlos, ainda não foi feito.

“O Sport não deve a mim. Deve a entidade Zé Pilintra”, afirmou.

Por causa de pura superstição e crendice, tanto de quem fez a promessa de dar um animal para ser vítima de um sacrifício religioso como de quem pagou, assim como do Pai Carlos, um animal inocente, que absolutamente nada tem a ver com o mau desempenho dos jogadores do Sport, será assassinado cruelmente.

Bem diz o verso de uma música da banda de um amigo meu, Os Medonhos: assassinatos por causa de merda!

Não culpo exclusivamente a diretoria rubronegra, já que agiu sob muita pressão da supersticiosa e religiosa* torcida , mas sim a todo mundo envolvido. Integram uma cultura em que a vida animal não tem valor nenhum fora o utilitário – utilidade como objeto de experiências dolorosas, ou como instrumento para “esportes” violentos, ou como alimento, ou como servo afetivo, como ornamento de casa, ou como objeto de oferenda religiosa…

Os sacrifícios humanos foram abolidos praticamente no mundo inteiro, e nem as religiões “mortas” reconstruídas sacrificam mais seres humanos como faziam antigamente – algumas reduziram mesmo os sacrifícios animais à compra e consumo de alimentos de origem animal. Então, o que se espera para se abolir o sacrifício de animais não-humanos também? O que se espera para que as religiões passem a poupar seres inocentes que nada têm a ver com problemas estritamente humanos – muitos deles altamente particulares?

 

*É uma contradição gritante que uma torcida de grande maioria cristã acredite nos rituais de uma religião bastante diferente da sua – o candomblé. Isso só pode ser explicado pelo caráter sincrético da religiosidade no Brasil, que também se contradiz, por sua vez com o fato de grande parte dessas pessoas não considerar o candomblé, e sim o cristianismo, uma religião portadora da verdade sobre o mundo, sobre o ser humano, sobre a moral etc.

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