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Tortura em nome da ciência (Parte 27)

Sexo e agressão no hipotálamo

Sexo e agressão podem estar relacionados. Em alguns felinos, a agressividade entre indivíduos é tão alta que cada animal vive isolado. A agressividade só diminui quando, durante o cio, animais do sexo oposto se aturam nas poucas horas em que ocorre o acasalamento. Em espécies nas quais os machos disputam as fêmeas, como os ratos, o comportamento sexual é antecedido por brigas entre machos. Entre os humanos, a violência sexual é frequente. Até recentemente, a associação entre agressão e sexo era explicada no contexto do comportamento social de cada espécie. Mas essa associação pode ser mais forte que o imaginado, pois foi identificada uma única população de neurônios, no hipotálamo, envolvida no controle do comportamento sexual e da agressividade dos camundongos.

Em 1955, foi descoberto que, se o hipotálamo de um gato for estimulado com eletricidade, o animal se torna agressivo. Mais tarde, foi demonstrado que o estímulo dessa região aumenta a agressividade dos ratos. Depois, neurocientistas que mapeavam regiões do cérebro ativadas pelo sexo descobriram que no hipotálamo existiam neurônios com receptores para hormônios sexuais e esses neurônios eram ativados durante o sexo. Mas, como essa região contém milhões de neurônios, não se sabia se existiam duas populações de neurônios, uma controlando o sexo e outra a violência ou se esses comportamentos eram controlados pela mesma população. Agora, a questão foi resolvida.

No primeiro experimento, os cientistas anestesiaram camundongos machos, abriram um orifício na calota craniana e inseriram no hipotálamo um eletrodo capaz de medir a atividade elétrica de um neurônio. Após o animal se recuperar, ele era posto na gaiola. O eletrodo enviava um sinal cada vez que o neurônio era ativado. Na primeira fase do experimento, a atividade do neurônio era monitorada quando o camundongo estava sozinho. Na segunda, era colocada uma fêmea na gaiola.

Nessa situação, os animais se cheiram e copulam. Retirada a fêmea, começava a terceira fase, quando era colocado um macho na gaiola. Os animais se cheiravam e brigavam. Na quarta fase, o macho era retirado, outra fêmea era colocada e a atividade sexual era observada. O mesmo experimento foi repetido com dezenas de camundongos machos, de modo a observar o comportamento de um grande número de neurônios.

Os cientistas descobriram que há neurônios que são ativados apenas durante o sexo e outros que o são apenas nos períodos de agressão. Mas quase um terço dos neurônios é ativado tanto durante o sexo quanto durante a agressão, demonstrando que um mesmo subconjunto de neurônios está envolvido em ambos os comportamentos.

Para demonstrar que esses neurônios controlam essas atividades, é preciso ativá-los ou reprimi-los e ver o comportamento do camundongo. Quando os neurônios foram estimulados, os cientistas observaram aumento na agressividade dos animais. Eles atacavam qualquer coisa que se mexia na gaiola. O interessante é que se a estimulação fosse reduzida a agressividade contra fêmeas diminuía primeiro.

No último grupo de experimentos, os neurônios tiveram a atividade inibida. Nesse caso, a agressividade dos machos foi anulada (não atacavam outros machos) e continuavam a ter sexo com as fêmeas. O resultado sugere que é possível dissociar o comportamento agressivo do sexual.

Os resultados demonstram que nessa região do hipotálamo há neurônios envolvidos simultaneamente no controle do comportamento sexual e agressivo dos machos. Mas também demonstram que é possível modular a agressividade do animal sem afetar seu comportamento sexual. Isso demonstra que os circuitos cerebrais que controlam esses comportamentos estão relacionados. Se esses mecanismos existirem no cérebro humano, talvez seja possível produzir drogas para controlar a violência associada ao sexo.

Ciência é violência, pelo menos em se tratando de vivissecção. A experiência acima é uma amostra de como a tortura pode vir em forma de estímulos cerebrais. E no caso a violência não veio apenas infligida pel@ cientista (vide a inserção do eletrodo no cérebro dos camundongos, ainda que anestesiados), mas foi induzida entre as vítimas do experimento.

Assim caminha a ciência mais violenta e antiética do mundo.

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