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Alistamento e consciência

por Flávio Amaral, para A Gazeta do Iguaçu

No feriado da Proclamação da República, recebi carta sobre artigo meu publicado à internet, referente ao alistamento militar e à objeção de consciência. Resumo a questão do leitor F.S. e trechos da resposta. Aproveito para tecer comentários adicionais:

F.S. “- Tentei alegar objeção de consciência. Dissertam que eu receberia serviço alternativo. Concordei, esperei, e nada. Chegou o prazo do alistamento e tive que me apresentar. Prestei juramento à bandeira, jurei sacrificar minha vida pela Pátria. Estou insatisfeito. Não gosto da ideia de ser incorporado às forças armadas. Existe alguma forma de retirar meu nome da lista de reservista, após ter jurado à bandeira?”

Resposta: “- Sua luta pode implicar muito esforço e nenhum resultado. A preocupação de ser chamado não é tão grande quanto a de chamarem quem já serviu e quem irá servir. Recomendo direcionar os esforços em outra direção: ajude a esclarecer os problemas do serviço obrigatório.”

Caros leitores. Todo país necessita de Forças Armadas para a defesa territorial. No entanto, a discussão sobre servir à nação e promover a Paz não pode ficar restrita à opção militar.

Realizei trabalho voluntário de vários tipos, desde adolescente, tanto em comunidades pobres e ricas. Através de arte, donativos, ecologia, educação e pesquisa, procurei levar, dentre muitos valores, a Paz. Jamais precisei pegar em armas. Milhares ou milhões de brasileiros trilham igual caminho, diariamente, buscando levar bem-estar e harmonia social a seus compatriotas. São dotados de coragem e bravura não menor que a do soldado, quando defende o País à linha de frente. Cabe a todos nós, ao Estado, às Forças Armadas, reconhecermos a existência destes verdadeiros Exércitos da Paz, que dignificam nosso País através de meios não militares.

Manifesto aqui minha esperança de cumprir-se, o quanto antes, o Art. 143 § 1o da Constituição Federal, que permite optar por serviço comunitário em alternativa ao alistamento militar. Por meio desta, jovens brasileiros que não sentem vocação para as armas terão oportunidade exemplar de servir à Paz e honrar a nossa querida Pátria.

Publicado no jornal A Gazeta do Iguaçu, Ano 23, N. 6.715, de 22.11.2010, página B-7.

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