Balanço do protesto virtual contra artigo pró-vaquejada
Entre os últimos dias 7 e 19 de abril, houve um protesto, que convoquei por aqui pelo Consciencia.blog.br e pelo Vista-se, contra o artigo de Fátima Oliveira intitulado A vaquejada tradicional é diversão que não maltrata os animais, no site do jornal O Tempo e no blog Viomundo. Foram dezenas de comentários se manifestando contra a apologia a um pseudoesporte baseado na violência e a romantização tradicionalista da exploração e crueldade contra animais no meio rural nordestino. Creio ser bom divulgar um breve balanço dessa que foi minha primeira convocação bem-sucedida de mobilização na internet.
Contrários à exaltação da crueldade e exploração animal, foram 18 comentários (incluindo os meus) no O Tempo e mais 40 comentários (também incluindo os meus) no blog de Luiz Carlos Azenha. Sem falar na “batalha” das positivações e negativações que envolveu todos os comentários, seja os de manifestantes, seja os pró-vaquejada – uma batalha ganha pelo nosso lado, visto que os comentários em defesa dos animais foram substancialmente avaliados como positivos (ainda que @s reacionári@s os tivessem negativado, foram superad@s) e os em defesa da tradição vaqueira foram negativados bem mais do que positivados. Todos os comentários pró-animais ganharam nessa “pontuação”, enquanto todos os pró-vaquejada perderam.
Em resposta ao nosso protesto, algumas pessoas até tentaram responder, mas conto numa mão aquelas réplicas de nível razoável, ainda sim de argumentação frágil e treplicadas com facilidade. A grande maioria, sem capacidade racional de nos responder à altura, recorreram a desqualificações que iam desde o fato de a maioria de nós morarmos em cidades até “não termos o que fazer”. O que demonstra que a defesa de ações violentas só por serem tradição não é um ato racional, refletido, é semelhante nesse sentido à fé religiosa cega.
A autora do fatídico texto respondeu no Viomundo, seja defendendo os “esportes equestres”, seja “defendendo” os jegues. Em ambas as ocasiões, foi respondida por mim, que não encontro coerência em alguém que diz defender jegues do abandono mas não liga para o sofrimento de outros animais, que eram/são apartados das mães, marcados a ferro incandescente, descornados, laçados, perseguidos e derrubados na mata… para no final serem mortos e transformados em carne.
Estão de parabéns tod@s que me ajudaram a mostrar que a vaquejada é motivo de repúdio por parte de uma quantidade cada vez mais numerosa de pessoas, as quais não toleram qualquer violência contra seres inocentes, seja ela motivada por tradição, por “esporte” ou mesmo por alimentação. O protesto não foi “meu”, mas sim nosso. Foi também dos animais que não podem falar nem se defender das maldades que certas pessoas insistem em transformar em lembranças românticas ou tradições aprazíveis.
Sei que o ideal seria um mundo em que não precisássemos protestar contra nada, mas esse ideal está a anos-luz de nós nos dias de hoje. Portanto, exerçamos nossa cidadania e protestemos contra as próximas apologias à violência e à exploração humana ou não-humana que encontrarmos pela internet. Quando eu encontrar algo do tipo, farei questão de convocar mais protestos, mais chuva de comentários em defesa dos animais.
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