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Coelhos são comercializados e tratados como brinquedos na Semana Santa. E muitos são abandonados

Minicoelhos de estimação viram sucesso na Páscoa

Os olhos claros, o pelo branco e macio encantam mais na Páscoa do que nas outras épocas do ano, é o que mostram as vendas dos minicoelhos na Semana Santa.

Na Páscoa, as vendas triplicam. Vendi 70 minicoelhos em duas semanas“, conta a empresária Elizângela Peraceta, proprietária do site www.minicoelhos.com.br.

No Cobasi, rede de produtos veterinários, cada bichinho custa R$ 79; em algumas unidades, já não havia mais nenhum à venda nesta sexta-feira (22).

No Pet Center Marginal, os minicoelhos brancos estavam em falta ontem. [Segundo a] Supervisora do local, Maria de Lourdes Vieira, 45, a venda de minicoelhos foi 10% superior à de 2010. “Em um mês normal, vendemos de 20 a 30 coelhos, mas só nessa semana já foram 60.”

Com medidas entre 25 e 35 cm, o minicoelho chega a pesar até 2,5 kg. Eles comem ração, frutas, folhas escuras e legumes e têm de se exercitar. Os coelhinhos encantam as crianças e os pais que preferem bichos menores.

Mas a ativista Sabine Fontana, 38, do projeto “Adote um Orelhudo!” alerta: “Você não sabe se a pessoa vai ter tempo, disposição e dedicação para cuidar. E muitos acabam abandonados“.

 

ABANDONO

Após a Páscoa, segundo ela, é também a época em que há mais coelhos “descartados”. Só no ano passado, Fontana recolheu mais de 30. “Passa a primeira empolgação, o animal começa a crescer, a dar trabalho e acaba sendo abandonado”, diz.

O temperamento do animal, assim como o tamanho, dependerá da criação. “Tem que interagir, senão ele fica arisco”, explica a bióloga Paola Antoniassi, 30.

E, apesar de pequenos, eles precisam de espaço. Gaiola, só para quando o coelho ficar sozinho em casa.

Esse fenômeno é mais uma vertente da nossa cultura de tratar animais não-humanos como mercadoria, como brinquedos, como objetos que podem ser dados de presente. O resultado disso inúmeras vezes é o maltrato, o aprisionamento em gaiolas e/ou o abandono. Porque, afinal, esses coelhos não são vistos como seres sensíveis, dotados de sentimentos e de interesses próprios, mas sim como meros brinquedos autômatos sem senciência que podem ser descartados quando bem convier.

É assim com coelhos, com “miniporcos”, com ferrets, com iguanas, com os animais prisioneiros de gaiolas (pássaros, roedores e peixes “ornamentais”), mesmo com os tradicionalmente “amados” cães e gatos. Tudo baseado na visão especista, a presunção da “liberdade” de se tratar esse animais como seres inferiores aos humanos – estes que seriam da única espécie protegível dos atributos de propriedade de outrem e de mercadoria.

Enquanto houver uma demanda de “consumidoræs” especistas e a permissão legal de se tratar animais como propriedade e mercadoria, vai haver lucro nesse comércio de vidas. Por isso, é mais que necessário haver duas frentes de ação: a conscientização pelos direitos animais e a proibição legal da comercialização desses bichos.

Na conscientização, deve-se sim mostrar por que é moralmente errado comprar, “usar” e descartar animais como se fossem brinquedos. Mas não apenas no sentido de mostrar que eles têm alta probabilidade de serem abandonados, mas também de pôr as pessoas diante dessas perguntas…

– Por que você não vê os animais de estimação como tendo a mesma dignidade moral dos seres humanos? Por que se pode comprar esses bichos e tratá-los como brinquedo, mas jamais comprar e tratar crianças pequenas da mesma forma?

– Por que você compra animais de estimação mas não aceitaria comprar uma criança pequena, para ser seu filh@ ou irmã/o pequen@?

– Você compra animais por estarem na moda. O que acharia se a mídia anunciasse que ter um/a filh@ ou irmã/o pequen@ careca é a nova mania do momento? Compraria (ou pediria para a mãe ou pai comprar) uma criança careca? Se não, por quê?

E trabalhá-las socraticamente (sucedê-las com mais perguntas, baseadas nas respostas da outra pessoa, pegando-a em contradição) na medida do possível.

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Ruth Iara Lopes Ferreira

abril 23 2011 Responder

Animais oferecidos como brindes e presentes para crianças devem acabar neste mesmo instante. Não há nenhum sentido em se fazer isso. As crianças devem aprender sobre os animais como seres que vivem em seus habitats naturais, ou aprenderem que as pessoas tomaram para si estes animais e houve a crença antiga no planeta de que os animais foram feitos para servirem aos homens.
Os tempos mudaram. A floresta Amazônica está sendo mais cuidada hoje pelo IBAMA que colocou lá soldados para prender caçadores e obriga-los a devolver animais como os jabutis, colocados de cabeça para baixo e amarrados.
Se temos de cuidar de alguns animais e tê-los como bichos de estimação é porque o mundo ainda sofre as sequelas de uma longa escravidão destes animais. Os animais de estimação devem ser animais abandonados, nunca os comercializados. Uma loja que vende animais tem um problema sério em termos Filosofia e Ética.

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