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abr11

Comentário rápido: 50 anos do primeiro ser humano/homem no espaço

Ontem fizeram 50 anos do passeio do soviético Yuri Gagarin ao espaço sideral, e mais de 90% dos portais online estamparam: 50 anos da ida do homem ao espaço e/ou 50 anos do primeiro homem no espaço.

A grosso modo a expressão 50 anos do primeiro homem no espaço não está gramaticalmente errada, visto que Yuri Gagarin era homem. Mas falar do “homem” no espaço se torna polêmico sob a perspectiva da desigualdade de gênero, porque:

a) é muito pouco provável que em 2013, quando farão 50 anos da primeira mulher (Valentina Tereshkova) ao espaço, vá se alardear pela mídia que serão os 50 anos da ida da mulher ao espaço;

b) distinguir a ida do homem no espaço e a ida da mulher no espaço dá a impressão de que está se dividindo a espécie humana em duas subespécies imescláveis, tal como na Grécia Antiga se dizia que mulher e homem formavam genos (uma concepção arcaica de espécies biológicas) diferentes – sendo a mulher um genos “inferior” e “degenerado” em comparação ao homem;

c) dizer ida do homem ao espaço é ambíguo, mas é inferível que queira dizer especificamente ida do ser humano ao espaço, pelo menos para quem não trata homem e mulher como se parecessem duas espécies distintas. Eis o império do androcêntrico uso pseudogenérico da palavra homem novamente exibindo seu poder, que se conserva apesar do crescimento do feminismo.

É certo que Yuri Gagarin foi o primeiro homem no espaço, mas isso não autoriza ninguém a dizer que ele foi a primeira personificação do “homem” no espaço. E sim do ser humano, visto que homens e mulheres pertencem à mesma espécie, e é antiético, sob a perspectiva da opressão de gênero, chamar-se a espécie humana pelos seu representante masculino.

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