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abr11

Mais um estaleiro a ser instalado em Suape causará destruição de quase 31 hectares do estuário local

Novo estaleiro de Suape aterrará 30,62 hectares de mangue e rio

Está sob consulta, no site da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), resumo do relatório de impacto ambiental do estaleiro Construcap. O empreendimento, previsto para o Complexo Industrial e Portuário de Suape, no Grande Recife, ocupará 40 hectares. O principal impacto ambiental é o aterro de 30,62 hectares (76,55% da área do empreendimento) de manguezal. São 27,93 hectares (69,9%) de vegetação de mangue e 2,69 (6,8%) de espelho d’água. O relatório destaca ainda impactos na rede hídrica pelo aterro de parte do Riacho da Cana e na qualidade da água e dos sedimentos por conta de dragagem.

O relatório principal, conforme o texto de abertura do documento, pode ser consultado na biblioteca da CPRH, no bairro de Santana, Zona Norte do Recife, e também na empresa Suape.

Um ano depois da aprovação do PL 1496/2010, promovido à lei 14.064/2010, os desmatamentos estão se aproximando. Alguns, pelo que parece (é, “parece” porque estamos tendo poucas informações sobre o que acontece por lá, não dá para dizer se alguns desmatamentos incluídos na área condenada por essa lei já aconteceram), já estão acontecendo ou aconteceram, levando embora para sempre áreas de mangue e assassinando milhares de vidas silvestres.

Enquanto isso, a população está em sua grande maioria à parte de qualquer informação sobre o outro lado do “desenvolvimento” propagandeado pelo governo de Eduardo Campos, governo esse que mostra apenas o carrão correndo e esconde a fumaça preta que ele solta pelo cano de escape e o óleo que vaza por debaixo.

Um ano depois da aprovação da lei do ecocídio, a sociedade está em silêncio. Muito pouco se discute sobre como tornar o crescimento econômico de Pernambuco minimamente próximo do sustentável (com refinaria de petróleo, usina termelétrica e diversas indústrias sujas, jamais poderemos alcançar algo que lembre sustentabilidade plena). A apreensão da sociedade é máxima em relação à detonação do nosso Código Florestal, mas pouco se fala sobre a destruição que já está acontecendo num dos maiores estuários de Pernambuco.

Sem mobilização, sem debates, sem nada, realmente perderemos o estuário do Ipojuca. Quando alguma catástrofe acontecer no litoral do Grande Recife, ou as praias do Cabo e de Ipojuca perderem a faixa de areia para a erosão marinha, já sabem quem culpar. Um tal cujas iniciais são E.C..

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