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Nutrólogo Mauro Fisberg não acredita (mais) no vegetarianismo saudável

Postado originalmente em 16/04/11 às 16:48

Em entrevista à revista Carta Fundamental – revista-irmã da Carta Capital -, publicada na sua edição de abril e no site da Carta Capital, o nutrólogo Mauro Fisberg endossou o coro das Vejas, Globos, pró-carnes e alfacistas da vida ao insistir que o vegetarianismo, mesmo balanceado e bem planejado, pode não ser saudável.

Na entrevista em que ele falava sobre obesidade infantil, foi perguntado e respondeu (grifos meus):

Carta Fundamental: O senhor vê o vegetarianismo como uma coisa negativa?
Mauro Fisberg:
Pode ser negativa e pode ser positiva. O vegetarianismo radical é um fator negativo porque existem dezenas de trabalhos que mostram que ele leva a uma série de carências nutricionais, justamente porque nascemos para ser onívoros. Um ovolactovegetariano ainda consegue ter a proteína animal de outras fontes que não a carne vermelha. Já o vegetariano radical não consegue cálcio, ferro, zinco, proteínas de boa qualidade e com isso acaba tendo alterações no crescimento e desenvolvimento.

Fisberg deu assim sua parcela de força ao movimento de desinformação alarmista que vem recrudescendo nas últimas semanas, sob a luz do caso do casal de vegan@s francesæs que foram condenad@s por terem induzido à morte, por desdém às ciências médicas e nutricionais e crença em tratamentos pseudocientíficos, sua filha de 11 meses.

E acaba deixando escapar que não entende realmente do que diz sobre vegetarianismo – ou esqueceu do que sabia, vide referência a artigo dele na revista Crescer -, visto que insinua que ovolactovegetarian@s obtêm proteína de carne branca (“Um ovolactovegetariano ainda consegue ter a proteína animal de outras fontes que não a carne vermelha“) e crê na distinção de qualidade entre proteína animal e proteína vegetal – ignorando que o corpo humano absorve não proteínas inteiras, mas os aminoácidos que as integram, e aproveita aminoácidos de origem vegetal somando-os a partir de diferentes alimentos.

Além do mais, ele afirma que “dezenas de trabalhos” condenam o vegetarianismo “radical” (os nomes certos são estrito, total ou completo) ao status de dieta hipossuficiente e perigosa. Desafiemo-no então a apresentar essas fontes a especialistas em nutrição vegetariana, de modo que elæs poderão verificar a validade delas – se são ou não recentes ou atualizadas; se foram avaliadas por peer review; se são de autoria de pesquisadoræs idône@s, sem ligação com o lobby da pecuária e da indústria lacto-frigorífica.

Adicionalmente, façamos um segundo desafio: um debate, a ser gravado e publicado em vídeo na internet, entre ele e um/a nutrólog@ especializad@ em alimentação vegetariana completa e incompleta. Até hoje não tivemos debates desse tipo entre especialistas em vegetarianismo e nutrólog@s que defendem o consumo de carne e/ou outros alimentos de origem animal. Os mais conhecidos nutrólogos/nutricionistas pró-vegetarianismo no Brasil são Eric Slywitch e George Guimarães, ambos com quem ele pode tentar contatar.

Os dois desafios estão no ar.

A saber: Mauro Fisberg já falou de vegetarianismo em outras ocasiões, como para a revista Crescer. Na ocasião, ele também demonstrou algum alarmismo para com supostas sensibilidades nutricionais de crianças vegetarianas, além de ter omitido as motivações ética e ambiental para o não consumo de carne, mas foi muito mais respeitoso para com o vegetarianismo do que na entrevista dada à Carta Fundamental, visto que reconheceu que os trabalhos científicos evoluíram de um quadro de frequentes condenações à atual e crescente tendência de avais aprovadores ao banimento das carnes das refeições. Ele próprio afirmou para a Crescer:

Na década de 80, quase a totalidade das publicações sobre o vegetarianismo no crescimento e desenvolvimento da criança enfocava mais os prejuízos desta prática, demonstrando que crianças que seguiam esta alimentação eram mais magras e menores. Com o passar do tempo, percebeu-se que os resultados eram inconclusivos e contraditórios.

E na mesma ocasião também classificou corretamente as variantes do vegetarianismo.

O que aconteceu com ele para ter mudado de opinião desse jeito? E logo perante a Carta Fundamental/Carta Capital, revistas contrárias ao conservadorismo?

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7 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Gisele

setembro 29 2014 Responder

Sou vegetariana há 3 anos, e quero ser vegana. Espero ter sorte em encontrar algum nutrólogo aqui no Rio de Janeiro que me ajude na transição. Só fui a uma médica, mas sem sucesso em receber ajuda. Se souber de algum, aceito indicação! =)
Parabéns pela matéria, Robson! E pelo blog como um todo. Força!

Lucho

abril 18 2011 Responder

Pois é, agora a Carta Capital faz parte da Imprensa Golpista.

“O que aconteceu com ele para ter mudado de opinião desse jeito? E logo perante a Carta Fundamental/Carta Capital, revistas contrárias ao conservadorismo?”

Vai ver que ele tomou um chá de simancol. Ou então viu (sentiu na pele) como a dieta vegetariana é tão saudável.

    Robson Fernando de Souza

    abril 19 2011 Responder

    Lucho, se você não tem algo respeitoso a dizer, se é incapaz de discordar do vegetarianismo com educação e respeito, simplesmente abstenha-se de comentar. O Arauto da Consciência é apenas pra leitores que respeitam as causas aqui defendidas, concordando com elas ou não, e vêm debater concordante ou discordantemente com respeito e intenção de contribuir pra uma discussão saudável.

    Só não editei seu post porque ele não passou do limite do desrespeito gratuito. Mas passou muito perto.

    Se persistir nesse tipo de postura, terei que começar a editar seus próximos comentários que vierem com esse tom e, em último caso, jogá-los automaticamente no spam.

    O aviso está dado.

      Lucho

      abril 21 2011 Responder

      Desrespeito? Desrespeito?!?!

      Desrespeito aonde, sendo que eu não disse um palavrão ou uma palavra de baixo calão? Robson, deixa de ser emo! Ops, acho que isso foi desrespeitoso.

      E o que me deixou encucado é o que tem a ver conservadorismo com ser onívoro? Quer dizer então que ser vegetariano é ser “pogreçista”, enquanto ser onívoro, escolher aquilo que milhares e milhares de anos de seleção natural deram para mim, é ser conservador reacionário?

      Eu não tenho culpa se eu estou no topo da cadeia alimentar.

      Esse comentário também foi desrespeitoso?

        Robson Fernando de Souza

        abril 21 2011 Responder

        Seu comentário (não o de agora) foi sim desrespeitoso e provocativo. Comentários desse tipo não são tolerados pelas regras, mas ainda o deixei publicado porque não passou dos limites óbvios. Não é necessário ter uma palavra de baixo calão pra sê-lo, basta que o comentário venha com o intuito de provocar e trollar.

        Se você quer comentar, que seja com um fim construtivo ou que simplesmente não construa nem destrua. Não pra provocações.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo