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Paulo Paim: viva a matança de peixes!

Paulo Paim comemora crescimento da produção de pescado no país

O senador Paulo Paim (PT-RS), em discurso no Plenário nesta quarta-feira (20), aproveitou a chegada da Semana Santa para divulgar números positivos apresentados pelo Ministério da Pesca sobre a produção de pescados no país. Na avaliação do senador, o Brasil é um país rico, com reais condições de se tornar o “celeiro do mundo” [Ou então o matadouro do mundo, visto que é o maior exportador de carnes bovina e galinácea do mundo e, pelo que Paim diz, pretende ser líder em exportação de peixes mortos], inclusive em relação à produção de peixes.

Paulo Paim informou que os números da pesca artesanal no Brasil são surpreendentes e estão em franca expansão. Parte deste crescimento, avalia o senador, se deve à criação da Secretaria e, posteriormente, do Ministério da Pesca pelo presidente Lula. Dados do Ministério da Pesca, apresentados por Paim, indicam que 3,5 milhões de brasileiros dependem hoje diretamente do pescado, que tem produção de 1 milhão de toneladas por ano, movimentando cerca de R$ 5 bilhões.

Esta cifra ainda pode ser aumentada pelo potencial do nosso país. A pesca é um dos caminhos para combater a miséria – defendeu.

O senador informou ainda que apresentou requerimento para promover, no âmbito da Subcomissão Permanente em Defesa do Emprego e da Previdência Social, audiência pública com a ministra da Pesca, Ideli Salvatti, para que sejam apresentadas as atuais condições da produção de pescado no Brasil e as políticas públicas do governo para o setor.

Considerando que o governo federal tem departamentos especializados em exploração animal ou encorajadores da mesma, como Ibama, Embrapa e esse Ministério da Pesca e Aquicultura, não é de surpreender ver representantes seus exaltando a economia baseada no sofrimento e na morte. Para o(s) governo(s), os animais rurais e “pescáveis” são apenas coisas, apenas pedaços ambulantes de carne, produtos lucrativos que a Natureza e a pecuária fornecem ilimitadamente. Populações de peixes, crustáceos e moluscos são reduzidas ao status de “pescado”, uma abstrata e infinita massa de seres mortos a serem consumidos.

Não é de estranhar, assim, que esse governo inconsequente estimule economicamente a exploração animal com fins alimentares. Não importa que bilhões de seres se asfixiem fora d’água, sofram vários minutos antes de morrer. São apenas pedaços inertes de carne para serem vendidos e comidos em breve.

Também é patente a visão anacrônica que o governo brasileiro tem sobre meio ambiente. Para ele, conservar a Amazônia é suficiente para estar na “vanguarda da sustentabilidade”, ainda que entoe loas ao consumo do petróleo pré-sal, à hegemonia econômica da pecuária, à abertura de indústrias sujas pelo Brasil, à destruição desimpedida de matas não amazônicas (Cerrado, Caatinga, Araucárias e outros biomas são patinhos feios perante as políticas públicas), à pesca predatória (se pescar já não é ético, fazê-lo predatoriamente é antiético ao quadrado), à multiplicação descontrolada dos carros pelas cidades do país, à construção de usinas inconvenientes – hidrelétricas inundando a Amazônia e destruindo terras indígenas, termelétricas jogando gás carbônico no ar, perspectiva de futuras usinas nucleares – etc.

Paulo Paim, ao proferir esse discurso, não fica muito distante de Aldo Rebelo e Kátia Abreu, visto que @s três são partidári@s de um crescimento econômico sem o mínimo de compromisso ético com o meio ambiente. Só difere dos dois ruralistas porque, em vez de defender o arrasamento de ecossistemas terrestres, exalta a destruição descontrolada da vida marinha e fluvial. Graças a pessoas como ele, em breve vermos notícias como essa se repetirem nas águas brasileiras.

O governo está indo muito bem no sentido de contribuir para a destruição da biodiversidade atual e o colapso da humanidade. O Brasil, que deveria ser mestre em sustentabilidade pelo potencial que possui, está agindo como destruidor.

 

A saber: não é porque é do PT que esse tipo de atitude ocorre. PSDB/DEM fariam a mesma coisa – ou no mínimo não criariam um ministério pesqueiro.

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MARIA CCRISTINA DA SILVA

maio 29 2011 Responder

PARECE QUE O DEPUTADO PAULO PAIM ESQUECEU DA LUTA CONTRA O FATOR PREVIDENCIÁRIO. DAQUI A POUCO VIRÃO MAIS ELEIÇÕES. PASSAREMOS A ESQUECER AQUELE QUE ESQUECE DO POVO.

BÁRBARA DE ALMEIDA

maio 2 2011 Responder

Olá Robson!

Já disse outras vezes que leio todos os dias teu blog, e que aqui aprendo várias novas causas que me incitam a conseguir, de vez, seguir a filosofia vegana.
Muito bom o seu post, apesar que, no fundo, todos gostaríamos que ele não tivesse porque de ser escrito, certo?
Mas enfim, vim só comentar que o link do penúltimo parágrafo está quebrado ;)
Sem mais, e boa segunda-feira!

Gabriela Gallas

abril 30 2011 Responder

Olá Robson, eu andei lendo alguns posts do teu blog e achei super interessante a consciência de sustentabilidade que possui, é algo muito raro e incomum de se ver.
Quanto à esta notícia, essa é a primeira de muitos outros comentários sobre a prática “pescada”.. Que é predatória (neste estágio que chamamos de neo capitalismo), e muito maléfica para todos os outros seres aquáticos, que vivem em uma cadeia alimentar em que esses peixes serviriam de comida a outros e comeriam outros e assim por diante.
Acho bom ressaltarmos os nomes dos deputados, senadores, governadores que aceitam este tipo de prática e este tipo de favoração para que no futuro não botemos mais gentes deste tipo, mas temos que conscientizar primeiro a população que isso não os beneficia, e sim os maleficia, pois no futuro isso terá consequencias desastrosas.
Bjão

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