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Peixes “comerciais” ameaçados de extinção no Mar Mediterrâneo

Mediterrâneo corre risco de perder 40 espécies de peixe

Um novo estudo indica que mais de 40 espécies de peixe do Mediterrâneo podem desaparecer no futuro próximo.

O estudo, divulgado nesta terça-feira, 19, pela União Internacional para a Conservação da Natureza, diz que praticamente metade das espécies de tubarão e arraia do Mediterrâneo, e pelo menos 12 espécies de peixes ósseos, estão sob ameaça de extinção por causa da pesca predatória, poluição e destruição de hábitat.

Os estoques de atum barbatana-azul, badejo, merluza e mero estão especialmente ameaçados, diz o relatório da União, uma rede de 1.000 grupos de 160 países.

“A população de atum barbatana-azul do Mediterrâneo e do Atlântico Oriental merecem preocupação”, disse Kent Carpenter, coordenador de avaliação de espécies marinhas da organização.

Ele mencionou uma queda aguda na capacidade reprodutiva do peixe, por causa de quatro décadas de pesca intensiva e predatória. Restaurantes japoneses consomem 80% dos barbatanas-azuis capturados no Atlântico e no Pacífico. Trata-se de uma variedade especialmente valorizada pelos amantes do sushi.

Em janeiro, um atum de 342 kg foi arrematado por 32,49 milhões de ienes, ou quase US$ 396.000 (cerda de R$ 600.000) em Tóquio, ou quase R$ 2.000 o quilo.

A pesca no Mediterrâneo é regulamentada por tratados das Nações Unidas, da União Europeia e por leis nacionais dos 21 países que são banhados por esse mar.

Em novembro de 2010, a Comissão Internacional para a Conservação dos Atuns do Atlântico votou por reduzir a cota de pesca de barbatana-azul no Atlântico Oriental e no Mediterrâneo, de 13.500 a 12.900 toneladas anuais.

Grupos ambientalistas, no entanto, desejavam um corte radical, ou a suspensão de toda a pesca, e ficaram frustrados com a redução de apenas 4%.

Essa pesca “intensiva e predatória”, por mais que se queixe, é necessária para atender a essa demanda de centenas de milhões de consumidoræs que, se dependessem de uma pesca moderada e não intensiva, não teriam acesso nem a metade da carne de peixe que come.

É até irônico que, ao mesmo tempo em que os alertas de ameaça de extinção nos mares se multiplicam ressoando por todo o planeta, continue havendo campanhas claramente irresponsáveis de incentivo ao consumo crescente, inclusive no Brasil (ver aquiaqui e aqui), da carne de animais aquáticos (peixes, crustáceos e moluscos, em especial os peixes) e o propagandeamento quase intensivo dos supostos benefícios do consumo de carne desses animais à saúde humana.

O resultado de tantas campanhas sem consciência zooambiental é esse: perigo de extinção de muitas espécies “comerciais” – tratadas meramente como “estoques comerciais”, em vez de como populações de seres sencientes, mesmo nessa situação – nas próximas décadas ou mesmo anos.

É evidente que a única solução para a crise da fauna mediterrânea é no mínimo a diminuição drástica do consumo de peixes, por bem (crescimento do vegetarianismo e consequente aumento do número de pessoas que se recusam a comer animais aquáticos e terrestres) ou por mal (imposição legal de cotas ínfimas de pesca e subsequente forçação ao declínio acentuado do consumo de carne de peixe).

É uma verdade inexorável: nas sociedades modernas, o consumo de alimentos de origem animal é inseparavelmente ligado a graves problemas ambientais. Medidas de gestão ambiental podem atenuar um pouco o problema, mas jamais vão tornar o não-vegetarianismo-completo* uma atividade harmônica para com a natureza.

*O vegetarianismo incompleto tolera o consumo de leite e laticínios e ovos e, assim sendo, não é uma atitude ambientalmente amigável tão próxima da perfeição quanto o vegetarianismo completo ou o veganismo.

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