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Sobre ateus e agnósticos onívoros reacionários

Nota: este artigo não é referente a todos os ateus e agnósticos que comem carne, mas apenas para aqueles que se investem com intolerância, desprezo e agressividade contra o vegetarianismo quando este é debatido. Se você é daqueles ateus ou agnósticos que apenas afirmam não querer parar de comer carne agora mas respeitar o vegetarianismo e os veg(etari)anos e/ou se abstêm nos debates sobre ética X consumo de carne, não se considere incluído.
Nota 2: este artigo é excepcional, não segue a linha de estilo dos demais textos de minha autoria, visto que faz um julgamento crítico de pessoas ao invés de ideias ou fatos e usa juízos de valor. Justifica-se por ser um artigo expositor tanto dos fatos como impressões pessoais sobre
os criticados, e também uma espécie de desabafo com minha decepção com parte muito relevante da categoria ateísta/agnóstica – eu esperava que o ateísmo tornasse as pessoas muito mais críticas à irracionalidade e cegueira de quem segue de forma dogmática uma religião, mas definitivamente essa expectativa foi frustrada.

Não tenho o costume de discutir pessoas, visto que priorizo comentar fatos e apresentar ou contestar ideias, mas acho impossível, enquanto ateu, deixar de dedicar alguma atenção a uma categoria peculiar de pessoas que rejeitam os direitos animais, demonstram ódio e desprezo a quem luta por eles e defendem “até a morte” o “direito” de comer carne. Me refiro aos ateus e agnósticos onívoros reacionários.

São pessoas extremamente contraditórias, frequentemente grosseiras e desrespeitosas. E é essa contradição que faz delas gente muito desagradável com quem quer discutir a sério sobre vegetarianismo e direitos animais. São uma das categorias de indivíduos mais relutantes em aceitar que a internet chegou a um ponto sem retorno, onde comer carne, cultuar o churrasco e ignorar o sofrimento existente na pecuária deixou de ser algo livre de questionamentos éticos, largamente aceitável, como era até o começo da década de 2000.

Esboçando resistência descomunal à propagação da conscientização ética sobre a relação humanos–animais não-humanos, tratam o assunto geralmente com galhofa, grosseria e ironia ofensiva. Quando alguém cria um tópico usando numa mesma postagem as palavras “vegetariano” e “animais”, irritam-se e investem-se ou numa espécie de trollagem defensiva, zombando dos vegetarianos, ou demonstrando séria intolerância a discussões sobre consumo de carne X ética, mesmo quando os defensores animais não estão ali, naquele fórum, para debater ou, como dizem, “converter” onívoros.

Acabam assim, a contragosto dos dois lados, atraindo a atenção dos vegetarianos, que ou lhes perguntam por que tanto repúdio e aversão ao debate saudável sobre carne ou iniciam diretamente um debate. Começa-se então a discussão, encarada pelos reacionários com uma curiosa má vontade que, em vez de fazê-los boicotar o tópico sobre vegetarianismo e animais, acaba impelindo-os a tentar “meter pau” no outro lado.

E é na troca de argumentos que nos perguntamos se esses sujeitos realmente são ateus/agnósticos, partidários da razão, do ceticismo e do senso ético independente de divindades. Porque fazem exatamente o contrário daquilo que tanto preconizam em outras discussões que não questionem suas crenças e hábitos.

Esses que sempre afirmaram prezar pela racionalidade e pelo debate de ideias em discussões sobre religião e/ou paranormalidade, transformam-se em criaturas bastante passionais e agressivas, a beirar a irracionalidade e o fanatismo, quando o tema alimentação X animais está em jogo. Jogam na discussão impressões subjetivas, sentimentos negativos e frequentemente muitos ad hominem.

Impressiona também ver esses sujeitos, que sempre falavam em ceticismo, método científico e detecção de falácias, passando a fazer tudo ao contrário. Ao terem a carne de seu prato questionada, promovem crenças morais cujo questionamento rejeitam e cuja persistência é explicável por uma passional “necessidade” de acreditar que o onivorismo é a única alimentação humana possível e nada tem de eticamente questionável

Usam um “ceticismo” muito semelhante ao dos criacionistas: descartam qualquer parecer científico legítimo que prove o vegetarianismo como saudável – ora por supostamente fazer lobby perante o “escuso” e “conspiratório” interesse dos vegetarianos de poupar a vida animal da violência humana, ora por serem “tendenciosos” quando são estudos empreendidos por nutrólogos vegetarianos – e, por outro lado, se abraçam com paixão a sites científicos que aparentam se posicionar contra a alimentação sem derivados animais, da mesma forma que os criacionistas rejeitam qualquer estudo científico que contrarie a Bíblia e os “doutores” da pseudociência da “Criação” bíblica.

Sem falar no abuso de falácias como a do espantalho, o declive escorregadio, a ad populum,  a naturalista, o apelo à tradição e às vezes até o ad verecundiam (à autoridade).

E outra característica peculiar dessa gente é exaltar os avanços da ciência, da tecnologia e da ética dos direitos (!) nos últimos séculos, mas, em debates carne X vegetarianismo, retornar ao Baixo Paleolítico. Afrontados em seu prazer creófilo pela proposta moral dos Direitos Animais, tentam importar às sociedades humanas urbano-industriais contemporâneas as “leis da selva” – como a “lei do mais forte” e a normalidade e aceitabilidade do uso amoral da violência – que vigoravam quando não existia nenhum código ético regendo os seres humanos (ou os hominídeos).

Ou seja, para os ateus e agnósticos onívoros reacionários, entre seres humanos é bem-vinda toda a força da ética dos Direitos Humanos e da igualdade, devemos nos comportar como pessoas civilizadas e educadas; já para a relação entre humanos e animais não-humanos, não deveria existir qualquer traço de noção ético-moral, somos livres para agir como trogloditas urradores.

Vale também reparar que eles adoram bombardear as religiões monoteístas e a maioria dos líderes religiosos por fazerem apologia à violência. Não perdem tempo em condenar os genocídios promovidos a mando de Deus no Velho Testamento, ou a opressão contra as mulheres e os homossexuais e a falta de democracia e liberdade religiosa nos países islâmicos, a oração dos homens judeus ortodoxos que agradecem não terem nascido mulheres, as inúmeras guerras e massacres feitos em nome de Deus ao longo da História humana.

Mas tapam os olhos, os ouvidos, a boca, tal como aquela caricatura dos três chimpanzés, e se comportam ao mais puro estilo “lálálálálá, não estou ouvindo…” quando são alertados sobre os aspectos mais bizarros da pecuária – o regime de escravidão, as práticas de mutilação (chifres, testículos, caudas, dentes, bicos…) e queima cutânea, a privação de liberdade, a separação forçada entre filhotes e mães, o cenário de sangue e dor nos matadouros, o descarte de pintinhos machos vivos em criações de galinhas poedeiras…

Em suma, essa categoria, para questionar (a existência de) deuses, mitos e paranormalidades, usa a razão, o ceticismo, o método científico, a Filosofia, a caça de falácias, às vezes portam-se como verdadeiros pensadores da Ética. Por outro lado, para defender seu “direito” de participar despreocupadamente da opressão contra seres sencientes não-humanos, abandona toda essa postura e se comporta da maneira exatamente oposta – passionalidade, agressividade, anticeticismo, aética, falácias, cientificidade seletiva, relutância em pensar. O onivorismo e o especismo são a religião fanática daqueles mesmos que acusam os vegetarianos e veganos de se comportar como religiosos proselitistas e extremistas.

Não se sabe bem o que leva essa quantidade relevante de ateus a tal comportamento, mas é provável que já advenha a priori da personalidade dessas pessoas*, soberba e arrogante. Segundo experiência própria minha de convivência com gente assim, grande parte deles já tratava mal contra-argumentadores religiosos/espiritualistas de nível fraco e se arrogava dona da verdade mesmo muito antes de o movimento vegetariano fazer seus olhos e ouvidos “arderem”.

Assim sendo, fica o conselho para veg(etari)anos militantes, engajados em debates e conscientizações: passem longe desse tipo de pessoas. Ao primeiro sinal de grosseria, irracionalidade e demonstração de mente fechada vindo delas, encerrem a discussão e afastem-se para evitarem perder tempo e energia com elas. Não se importem se o sujeito cantar vitória e tentar humilhar você, ignorem-no como fariam com um troll.

Prefiram argumentar com indivíduos que demonstram mente aberta e boa receptividade a novas ideias, pessoas que hoje já se veem pelo menos simpatizando de longe a determinação de quem muda seus hábitos alimentares e de consumo em respeito aos animais.

*Isso não é uma generalização, uma extrapolação a todos os ateus, mas sim uma referência aos reacionários em questão.

imagrs

26 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Leandro

maio 14 2012 Responder

Facinante!Sou Ateu e Vegetariano ao pé da letra.Mas não sou um por outro,porém hoje,percebo com um unifica com o outro!!

Fabi

setembro 3 2011 Responder

Excelente texto, várias vezes já sofri ataques de ateus/agnósticos por ser vegana. Em um fórum sobre ceticismo ao me deparar com um tópico sobre direitos animais, fiquei estarrecida como a razão e racionalidade que ateus e céticos adoram pregar, foi por água abaixo.

Alex Rodrigues

julho 29 2011 Responder

Desconheço qualquer ser humano que seja completa, irrestrita e irrepreensívelmente racional em todos os aspectos de sua vida. E se um dia chegar a conhecer tal pessoa, desconfiarei seriamente de estar diante de um robô :-)

Isso posto, digo o seguinte: todos temos nossas dissonâncias cognitivas, e é importante que reconheçamos isso.

Eu, ateu, humanista e onívoro, procuro não desmerecer a posição adotada por veg(etari)anos, simplesmente porque me faltam subsídios (e, confesso, tempo para saber mais sobre o assunto)para chegar a uma conclusão sólida e firme sobre qual seria o melhor tipo de dieta para o ser humano e para o planeta (para os animais não-humanos é bem clara qual o melhor tipo de dieta que nós devemos seguir).

Nos últimos anos, tenho diminuído consideravelmente o consumo de carnes, porém confesso que o fiz mais por questões de saúde do que pelos demais aspectos concernentes à questão.

Por fim, e aqui justifico por que toquei no assunto da dissonância cognitiva, mesmo que ficasse provado por A+B que a dieta veg(etari)ana é a melhor opção em todos os aspectos considerados, não sei se (imagino que não) seria capaz de abrir mão do consumo, mesmo que esporádico, de produtos de origem animal, pois como disse alguém aí acima, lá se vão mais de 30 anos de vício.

Um texto que suscita uma ótima reflexão, Robson. Parabéns.

    Robson Fernando de Souza

    julho 29 2011 Responder

    Obrigado, Alex. Você é muito lúcido no que tange à sua forma de encarar o veg(etari)anismo e a ter uma mente aberta.

    Abração

Franklin

junho 26 2011 Responder

Cara, a minha pergunta é a seguinte:
Enquanto eu, com certeza, não dou o direito a ninguém, de se proclamar racional e racista, ou racional e homofóbico, ou racional e machista, ou… por esse caminho, você considera possível alguém se considerar racional e onívoro?

Em “Em suma, essa categoria, para questionar (a existência de) deuses, mitos e paranormalidades, usa a razão, o ceticismo, o método científico, a Filosofia, a caça de falácias, às vezes portam-se como verdadeiros pensadores da Ética. Por outro lado, para defender seu “direito” de participar despreocupadamente da opressão contra seres sencientes não-humanos, abandona toda essa postura e se comporta da maneira exatamente oposta – passionalidade, agressividade, anticeticismo, aética, falácias, cientificidade seletiva, relutância em pensar.” de seu texto, me parece até um pouco o contrário… como considerando o vegetarianismo como sendo a solução óbvia, e os “não adeptos”, como apenas “gente que pensa de menos”.
Ateu, Onívoro, que sabe (não acha, pois isso é um fato, e não uma opinião) que o vegetarianismo pode ser seguido de forma saudável, e ainda assim, escolhe o onivorismo.
Adoraria uma discussão respeitosa sobre o assunto.

    Robson Fernando de Souza

    junho 27 2011 Responder

    Franklin, o “racional onívoro” é aquele “racional seletivo”, que escolhe quando quer e não quer aplicar a Razão a seus usos e costumes.

    É aquela coisa: somos racionais quando questionamos a crença de outrem com argumentos, mas irracionalizamos quando nossas próprias crenças são questionadas com argumentos melhores do que os que temos. Na verdade, em última análise, até nós mesmos podemos ter essa irracionalização em alguma ocasião possível, se algum dia algum filósofo arrochado vier a nós e questionar grande parte do que acreditamos.

    E eu digo mais: nesse último fim de semana li um texto pesadamente questionador, um texto um nível acima do veganismo enquanto corrente ética de libertação animal. É em inglês, e trago o link pra você em primeira mão: http://files.meetup.com/160880/Boycott%20veganism.pdf
    É capaz de tantos ateus veganos irracionalizarem ao se depararem com esse texto, porque ele exige uma abertura de mente extremamente ampla.

lucabi brasil

junho 11 2011 Responder

A ateus, ateus convictos e ateus convictos e militantes ., expor a diferença entre cada nível é que são elas., Quem se habilita !

Cassiano

junho 5 2011 Responder

Não sei qual o problema em comer outros animais. Somos predadores, biologicamente, somos predadores.

Sou totalmente a favor das manifestações de todo o tipo, principalemnte àquelas que se autoproclamem portadoras de um modo de vida mais saudável.

No entanto, sou visceralmente contra qualquer tentativa de restrição de meus direitos em favor desse ou daquele grupo social, por esse ou por aquele motivo.

Sou onívoro (como bom representante da minha espécie) e planejo continuar sendo. Se um coelho fosse, quem sabe, consideraria o vegetarianismo como modo de vida.

Minha namorada é vegetariana. E quanto a isso, ela parece uma crente. Vive tentando ‘salvar minha alma carnívora’ :D

Ela escolheu reduzir suas opções alimentares a vegetais e pescados. Ótimo para ela; assim como eu escolho (na verdade, não escolhi. Nasci assim) ser onívoro. Ótimo para mim.

Tudo vai bem enquanto cada um tiver liberdade de fazer escolhas por si e para si.

Os problemas hão de começar, entretanto, quando alguém resolver extrapolar os limites da liberdade alheia, fazendo escolhas por si, para os outros.

É como diz a música: “Ado, a-ado, Cada um no seu quandrado”

    Robson Fernando de Souza

    junho 5 2011 Responder

    Cassiano, o texto não questiona o onivorismo, e sim critica aqueles ateus e agnósticos que, ao mesmo tempo em que se arrogam arautos da racionalidade, do ceticismo e do zelo científico, comportam-se como autênticos religiosos criacionistas e fanáticos quando têm questionado eticamente seu hábito alimentar – porque abusam de apelos ad hominem, de falácias e de uma cientificamente infundada seletividade de fontes informacionais, escancarando um contraditório fechamento intelectual a ideias que questionem suas crenças e práticas cotidianas.

    Sobre o onivorismo ser uma escolha, leia esse artigo (dividido em duas partes): http://consciencia.blog.br/2011/05/os-mitos-da-racionalidade-e-do-livre-arbitrio-do-onivorismo-parte-1.html

    Quanto à sua namorada, se ela come “pescados”, ela não é vegetariana, e cai em contradição em todos os seus discursos – pois, tal como uma comedora de animais, defende uns e come outros.

    Em relação ao predatismo original, os humanos foram predadores no passado, quando caçavam suas presas. Hoje é um “predador” artificial e dos mais covardes, porque aprisiona e explora os animais antes de matá-los e não lhes dá qualquer chance de fuga ou defesa. Aliás, é questionável se o humano foi sequer um predador natural, propriamente dito, porque ele usava armas e armadilhas pra caçar, ao contrário de todos os verdadeiros predadores, que usam predominantemente as facilidades de seus próprios corpos.

Jessica Metz

maio 29 2011 Responder

Sempre me pergunto: por que que as pessoas que tem o hábito de comentar e criticar em blogs nunca endentem o que foi dito ou escrito?

Ótimo texto!
Sou atéia e vegana, e sempre questionei o por que dessa ignorância voluntária em não querer discutir sobre o assunto ou sequer interesar-se pelo outro ponto de vista. Os “ateus e agnósticos onívoros reacionários” me lembram bastante os fanáticos religiosos.

Cesar Gomes

abril 25 2011 Responder

A única coisa correlãção que eu não consegui entender é porque o fato de eu não acreditar em um deus me qualifica, ou deveria qualificar-me, a ser um vegetariano.
Ser racional não me parece uma prerrogativa dos ateus, as vezes não acreditar em deus se dá somente pelo desapontamento com as opções apresentadas.

    Robson Fernando de Souza

    abril 25 2011 Responder

    Cesar, não existe correlação intrínseca entre ateísmo e vegetarianismo. A não ser nas interpretações de militantes como Sottomaior da ATEA.

    O artigo não afirma nenhuma correlação entre ambos, mas sim critica a irracionalidade e fanatismo dos ditos onívoros reacionários, geralmente incapazes de defender seu costume alimentar com argumentos racionais e fontes idôneas e sem falácias.

Roberto Vasconcelos

abril 25 2011 Responder

Bom texto. Gostei do blog. E compartilho do ponto de vista. Alguns ateus são tão ou até mais fanáticos que os religiosos que tanto criticam.
Eu me esforço pra abandonar o hábito de comer carne, mas é que já vão 30 anos de vício. Sempre que possível, me limito a comer peixe, já que tanto a cultura para alimentação como o abate envolve procedimentos bem mais brandos, e que não causam sofrimento como o causado aos bovinos, suínos e aves.

    Robson Fernando de Souza

    abril 25 2011 Responder

    Obrigado Roberto, pela apreciação do texto e do blog =)

    Mas tenho que discordar de você sobre o sofrimento do peixe. O sofrimento pode ser mais rápido, mas não deixa de ser intenso. Imagine todo o terror que é agonizar por vários minutos até morrer de asfixia. E, no caso de pesca à vara, a dor que é ter a mandíbula perfurada por um anzol (peixes têm bastante sensibilidade na mandíbula). Considerando ainda mais que não existe sequer a “insensibilização” na pesca.
    E em alguns casos, peixes grandes que demoram mais a morrer são mortos à paulada.
    Ou seja, não existe brandeza na forma como os peixes sofrem e morrem pra virar a carne dos onívoros e “piscitarianos”.

Fabio

abril 24 2011 Responder

Não sou ateu, não participo de debates sobre vegetarianismo, e muito menos sou reacionário.

O que acontece é que Vegetarianismo, Veganismo, e todos os outros tipos de dieta são uma OPÇÃO PESSOAL!
Pelo modo que foi escrito o texto, eu vejo que o autor é uma pessoa engajada em debater esses assuntos com outras pessoas.
Pela frase “Assim sendo, fica o conselho para veg(etari)anos militantes, engajados em debates e conscientizações”
Da para perceber que o autor é um “militante” defensor do vegetarianismo.

Eu convivo com muitos vegetarianos (minha mãe inclusive) e não existe coisa mais chata do que alguem “pregar” o vegetarianismo.
Nunca fui nem sou contra alguem ser vegetariano, mas hoje, do mesmo jeito que está sendo feita a reclamação contra os “ateus e agnósticos onívoros reacionários”. Eu sou contra todos os vegetarianos que PREGAM o vegetarianismo.

Sejam conscientes de suas atitudes e deixe os outros serem conscientes das deles! Cada um tem sua liberdade de escolha e parem de pensar que comer carne/não comer carne é uma opção pior/melhor! Cada um tem sua PRÓPRIA CONSCIENCIA!

Na minha opinião os “vegetarianos reacionários” estão no mesmo nível dos “ateus e agnósticos onívoros reacionários”.
Nenhum dos dois aprendeu a viver a PRÓPRIA VIDA e parar de querer implementar seus valores nos outros.

Obs: ja falei, mas nao custa repitir. Nada contra os vegetarianos, apenas contra os que PREGAM o vegetarianismo nos outros.

    Robson Fernando de Souza

    abril 24 2011 Responder

    Fabio, em primeiro lugar, o artigo não chama de reacionário indiscriminadamente todo aquele que come carne. Mas sim aqueles que usam de sarcasmo, deboche, raiva, falácias e até ódio contra quem fala de vegetarianismo “perto” deles.

    Sobre a questão do conflito entre opção pessoal X conscientização, existe todo um debate acerca disso.
    Quem advoga pela conscientização afirma que não convém que atos que tenham consequências negativas diretas ou indiretas sobre a vida (senciente) de outrem sejam considerados meras opções pessoais. Por exemplo, jogar lixo na rua, bater em animais, usar casacos de pele, dirigir em alta velocidade etc. poderiam ser considerados costumes motivados por escolha pessoal, mas ninguém mais é livre de fazê-lo (os casacos de pele, embora ainda não reprimidos legalmente, já são culturalmente repudiados). Discute-se estender essa visão ao consumo de alimentos de origem animal, mas não é conveniente essa esticada neste momento porque esse costume é muito forte culturalmente e condenar explicitamente o ato de comer carne é forte demais pra muitas pessoas.
    E, a saber, defende-se majoritariamente o ato de conscientizar e debater sobre vegetarianismo apenas em determinados momentos adequados. Não a qualquer hora do dia tal como uma pregação religiosa.

    Eu pessoalmente já discuti muito no passado com esse tipo de gente, seletivamente cética e cientificista. Mas sempre tendo como pontapés iniciais momentos convenientes de discussão sobre direitos animais. Sempre no sentido de expor um ponto de vista, nunca no sentido de “pregar uma verdade”.

Marco

abril 24 2011 Responder

Mas que maravilha de texto!

Desse tipo de ideias que a evolução carece.

Muito bom!

Paulo

abril 14 2011 Responder

Cara, o que significa essa arroba @ nos seu textos? Pelo que eu saiba @ significa “at” em inglês, agora coloca “at” onde tem @ no seu texto. Não faz sentido!

    Robson Fernando de Souza

    abril 14 2011 Responder

    Segundo a página “Sobre o blog”:

    São caracteres utilizados como as novas letras da língua portuguesa segundo o Português com Inclusão de Gênero (PCIG):
    – a arroba economiza caracteres em palavras como “garot@” (mais econômica que “garoto(a)”) e “bonit@s” (mais econômica que “bonitos(as)”);
    – a ligadura “æ” faz o mesmo com palavras comumente terminadas em -es [ex.: cantoræs (cantores(as)), professoræs (professores(as))].
    Ambos os caracteres são utilizados para dar a uma palavra um caráter de inclusão de mulheres e homens numa mesma palavra variável por gênero, evitando-se assim a utilização de um único gênero como padrão.

    Sobre o Português com Inclusão de Gênero: http://consciencia.blog.br/2010/10/a-proposta-do-portugues-com-inclusao-de-genero.html

      Paulo

      abril 15 2011 Responder

      Obrigado pela informação. Nunca tinha ouvido falar disso, mas já tinha visto outras pessoas escrevendo assim.
      Entendi o ponto da questão, mas é inviável o uso em línguas de origem latina. O inglês, por outro lado, não tem esse problema.

        Robson Fernando de Souza

        abril 18 2011 Responder

        A arroba é um caractere importado, e a ligadura æ tem origem latina. Ao meu ver, nada impede que o português adote a arroba e a ligadura, o que incrementaria o seu alfabeto.
        A questão mesmo é como vão ser os fonemas que corresponderão às duas novas vogais.

          Michael Kevin

          julho 29 2011

          Cara, isso seria apenas para a linguagem escrita, tal como “pra”, na linguagem falada e “para” na linguagem escrita, a pronúncia continuaria a mesma, professorA, se tratando de um indivíduo do gênero feminino e professor, se tratando do gênero masculino…

          “Mas, o que eu quis dizer foi: com uma pronúncia apenas para ambos os gêneros…”

          Desculpe, mas a riqueza do português é dada por essa diferença, e logo, o @ e a ligadura æ vem apenas para economizar espaço, e não tem pronúncia, o indivíduo na hora da leitura irá ler ao gênero referido ou simplesmente compreende que isto é relacionado à ambos os gêneros…

          Robson Fernando de Souza

          julho 29 2011

          Isso eu concordo, esses caracteres especiais não têm fonema. Propor igualdade de gênero no português falado é um desafio em aberto.

          Michael Kevin

          julho 29 2011

          Meu comentário se refere ao trecho: “A questão mesmo é como vão ser os fonemas que corresponderão às duas novas vogais.”
          A economia de espaço se refere à caracteres, mas acho isso difícil de acontecer em um (“num” na liguagem falada) futuro próximo já que apenas ano que vem, a reforma já efetuada irá se perpetuar…

Luís

abril 12 2011 Responder

Comentário editado por ofensa e grosseria.

Você não reparou que o texto não é uma generalização a todos os ateus onívoros, e sim uma referência apenas àqueles que se investem em reacionarismo?

Seja mais racional e equilibrado da próxima vez em que ler um texto criticando ateus reaças, ok? Senão você acaba assumindo que a carapuça serviu.

RF

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