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abr11

Suape conquista mais 2 estaleiros, 5000 empregos e -133,5 hectares de vegetação

Suape conquista mais dois estaleiros e 5 mil empregos

Mais dois estaleiros serão instalados no Complexo Industrial e Portuário de Suape. O anúncio foi feito na última sexta-feira (26), em solenidade no Palácio do Campo das Princesas. Juntos, os empreendimentos da empresa portuguesa MPG Shipyards e da coreana STX Europe somam US$ 490 milhões (cerca de R$ 882 milhões) em investimentos. Essas duas novas empresas vão gerar cinco mil empregos diretos, fora os empregos indiretos e a garantia de estimular a vinda de indústrias de fornecimento de insumos para a construção naval para Suape.

A STX Europe vai investir R$ 630 milhões na unidade que ficará pronta dentro de três anos. O foco do grupo será a construção de embarcações e projetos navais e sua unidade irá ocupar uma área de 100 hectares. A STX possui outros 15 estaleiros espalhados pelo mundo e 16 mil funcionários e pretende ocupar uma posição entre os cinco maiores do mundo nas áreas de navegação e comércio, construção naval e de projetos offshore.

Já a MPG Shipyards, que atua há 30 anos no setor naval, vai erguer em Suape uma unidade produtora de módulos offshore, equipamentos para navios e projetos eólicos. O empreendimento será instalado numa área de 33,5 hectares. Os investimentos são de R$ 252 milhões. O estaleiro da MPG irá gerar 1,2 mil empregos diretos com a expectativa de outros seis mil indiretos.

A disputa por mercados internacionais é a meta dos dois empreendimentos que receberão, por parte do Governo do Estado, incentivos fiscais do Prodepe e Prodinpe. “Fomos completamente seduzidos por Suape que apresenta uma estrutura quase perfeita para a instalação de uma indústria naval. O Cluster que se formará em Suape vai responder às demandas da Petrobras e, num futuro próximo, vai atender também ao mercado exterior”, afirmou Carlos Costa, diretor geral da MPG.

Suape hoje já conta com dois estaleiros. O Atlântico Sul – que deve entregar o seu primeiro navio dentro de 30 dias – e o da Schahin-Tomé, que iniciou sua implantação há um mês. Um outro estaleiro pernambucano, capitaneado pelas empresas Alusa e Galvão Engenharia, pode ser anunciado em breve. O investimento previsto é de US$ 350 milhões na construção do empreendimento, que deve gerar outras 2.500 vagas de trabalho. Além destes, a Construcap também deve desembarcar no porto pernambucano, considerado o melhor do País.

Pelo que tudo indica, essas áreas ameaçadas estão dentro da grande zona de 7 quilômetros quadrados de ecossistema que a lei estadual 14.046/2010 condenou à destruição. É 1,335 quilômetro quadrado a menos no exaustivamente estuprado estuário dos Rios Ipojuca, Merepe, Tatuoca e Massangana.

Pelo visto, num futuro bem próximo, questão de até cinco anos, o estuário inteiro vai se tornar apenas uma lembrança do passado, tal como as cachoeiras de Sete Quedas (que foram inundadas para dar lugar à Usina de Itaipu) e o pássaro dodô.

Me lembro do refrão da música de Roberto Carlos – As Baleias:

Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão
O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão

Eu poderia adaptá-lo para:

Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Do estuário que abraçava o oceano
Que eles viram num velho livro
Ou nas fotos do arquivo
Da rede mundial no computador…
O gosto amargo do silêncio em sua boca
Te faz voltar a Ipojuca e à fúria louca
Da motosserra antes do aterro
Do trator que fez o enterro
Do mangue caído n’água para a nossa dor…

Enquanto os maus anunciam milhares de empregos, os bons se calam diante da perda de centenas de hectares de um estuário cuja destruição ainda vai causar muitas catástrofes na região metropolitana do Recife.

A saber: Suape é uma realidade irreversível, mas bem que os planos de expansão do complexo industrial poderiam ser revistos de modo a preservar o que ainda resta do estuário do Ipojuca e promover a verdadeira sustentabilidade. Desenvolvimento sim (?*), mas sem destruição de  um ecossistema tão rico como o daquela foz.

*Teóricos do ambientalismo são opositores fortes do atual modelo de desenvolvimento quantitativo ilimitado. Argumentam que, cedo ou tarde, a humanidade será obrigada a suspender as práticas desenvolvimentistas se quiser continuar existindo e desenhar limites para o crescimento econômico.

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