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abr11

Terezinha Nunes: Suape necessita de controle ambiental

Abaixo texto de Terezinha Nunes, obtido do Blog de Jamildo, sobre a necessidade, atualmente ignorada, de Suape ter um controle ambiental.

 

Suape necessita de controle ambiental
por Terezinha Nunes, para o Jornal do Commercio (coluna Três por Quatro) e o Blog de Jamildo

Na apresentação de relatório sobre a Petroquímica Suape esta semana, o Governo do Estado revelou, de forma ufanista, que aquele complexo petroquímico será o maior pólo integrado de Poliester das Américas e da Europa. Pode não ser tanto assim, mas dá para desconfiar que pode vir a ser. Somando-se a isso, a Refinaria, ( em construção) e o Estaleiro, fora outros projetos, dá para perceber o quanto está crescendo em pujança econômica a área de Suape e adjacências.

Mas, se o crescimento econômico prospera, traz também problemas ambientais. E não se pode relegar ou deixar em segundo plano a discussão sobre o que todos eles vão provocar de danos à natureza em nosso estado.

Não se conhece até agora nenhum debate substancioso sobre o assunto. Os projetos enviados pelo Governo para a Assembléia autorizando desmatamentos poderiam ser um bom momento para provocar uma análise acurada. Mas estes são aprovados em regime de urgência, por conta da grande base governista na casa, e nada acontece além de alguns pronunciamentos pontuais.

Justiça se faça à bancada de oposição na gestão passada que, mesmo com tempo exíguo, conseguiu apoio dos ambientalistas e o Governo acabou aceitando reduzir em 30% o aterramento de 1 mil hectares de mangue em Suape, como previa o projeto inicial. O percentual foi o possível na negociação mas quem garante que não poderia ter sido maior se a discussão tivesse se estendido?

Normalmente, quando se desmata, o que menos se exige é que o Governo ou a iniciativa privada se encarreguem de compensar o meio-ambiente, plantando novas árvores ou providenciando a recuperação do eco-sistema, quando se trata de mangues.

As notícias, porém, não são animadoras. O Conselho Estadual de Meio-Ambiente revelou, em reunião recente,como registrou o Jornal do Commércio, que das 11 intervenções feitas sobre o meio-ambiente em Suape só uma fez a compensação devida: a Termopernambuco.

Ao todo os empreendimentos em Suape suprimiram até agora 365,36 hectares de vegetação nativa, mangue e restinga.

O pior é que não se pode sequer confiar que as áreas, cujo desmatamento obedeceram a todas as exigências dos órgãos ambientais, como o Ibama, estão sendo monitoradas. Dá para desconfiar que não. Esta semana, por exemplo, a imprensa denunciou que uma estrada estava
sendo aberta em meio à reserva de Mata Atlântica em Suape, sem que qualquer providência tivesse sido tomada. Foi preciso que os pescadores procurassem os jornalistas para por fim a tamanha ousadia e descaso.

Está faltando também um grande debate em Pernambuco sobre Suape e até que ponto vamos permitir que empresas e mais empresas ali se instalem, quando poderiam ser deslocadas para outros municípios. Cada dia se sabe pelos jornais que novas empresas estão chegando lá sem qualquer explicação sobre os motivos que estão levando as autoridades a empanturrar o local de empreendimentos.

Claro que Suape precisa continuar crescendo mas como Pernambuco tem um grande potencial turístico e o turismo hoje produz mais rendimentos do que indústrias, está no momento de saber que danos as praias de Porto de Galinhas, Muro Alto – só para citar as principais – podem vir a ter na medida em que a instalação de empresas em Suape fugir do controle. Sobretudo ambiental.

Em termos futuros, Porto de Galinhas, apontada seguidas vezes como a melhor praia do Brasil, pode representar em geração de emprego e renda muito mais do que muitas e muitas empresas que estão sendo ou virão a ser implantadas em Suape.

Seria o momento, quem sabe, de uma grande discussão sobre isso na Universidade com a participação dos ambientalistas e da sociedade em geral. O Partido Verde poderia ser um caminho mas, infelizmente, perdeu a neutralidade na medida em que se incorporou à base governista, deixando a oposição.

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