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abr11

Tortura em nome da ciência (Parte 31)

Experiência mostra que bullying altera composição química do cérebro

Uma pesquisa com ratos da Universidade de Rockefeller, nos Estados Unidos, descobriu que o bullying persistente tem efeitos não apenas na autoestima, como na composição química do cérebro daqueles que sofrem a agressão. Os resultados do estudo mostraram que os ratos que foram vítimas de bullying desenvolveram, além de um nervosismo pouco comum perto de novas companhias, uma maior sensibilidade à vasopressina, um hormônio ligado a uma variedade de comportamentos sociais.

Segundo os pesquisadores, as descobertas sugerem que o estresse social crônico afeta o sistema neuro-endócrino, fundamental para comportamentos sociais como o cortejo, ligação entre pares e comportamento paternal. Mudanças nos componentes desses sistemas implicam em desordens como fobias sociais, depressão, esquizofrenia e autismo, afirmam os pesquisadores. Assim, as descobertas do estudo sugerem que o bullying pode contribuir para o desenvolvimento de ansiedade social de nível molecular a longo prazo.

Para realizar o estudo, os pesquisadores desenvolveram um cenário que simula um pátio escolar onde um pequeno rato é colocado em uma jaula com diversos ratos maiores e mais velhos, que vão sendo substituídos a cada dez dias. Como os ratos são animais territoriais, cada nova chegada ocasionava uma briga, que era sempre perdida pelo novo ocupante da jaula.

Após a briga, os pesquisadores separavam os animais fisicamente com uma grade que permitia ainda que o animal perdedor visse, ouvisse e sentisse o cheiro do outro, criando uma experiência de estresse.

Depois de um dia de descanso, o rato perdedor, que passou por essa situação de estresse extremo, era colocado na presença de um outro rato não ameaçador. Nesta situação o rato vítima de bullying era mais relutante na hora de interagir com outros ratos. Eles também desenvolveram uma tendência a “congelar” em um lugar por tempos mais longos e frequentemente demonstravam estar avaliando riscos em relação a seus colegas de jaula. Todos esses comportamentos indicam medo e ansiedade.

Os pesquisadores então passaram para a análise do cérebro desses ratos[, assassinados depois de sofrerem a descomunal violência para extração do cérebro e realização da análise], particularmente da parte do meio do córtex pré-frontal que é associada ao comportamento social e emocional. Eles descobriram que a expressão dos receptores de vasopressina havia aumentado, tornando os ratos mais sensíveis a esse hormônio, que é encontrado em altos níveis em ratos com distúrbios de ansiedade.

Os pesquisadores também deram para um grupo de ratos um medicamento que bloqueia os receptores de vasopressina, o que controlou o comportamento ansioso de diversos ratos vítimas de bullying.

A pergunta que ainda precisa ser respondida é por quanto tempo duram os efeitos do bullying no cérebro. Embora ainda não haja uma resposta certa, os pesquisadores afirmam que há evidências de que traumas psicológicos ocorridos no início da vida podem continuar afetando uma pessoa por toda a vida.

Assim como no post número 27 da sequência de posts Tortura em nome da ciência, a experiência-tortura acima envolveu causar violência entre suas vítimas, a agressão mútua, a causação agressiva de ferimentos mútuos. Não bastasse nascerem sem ser para viver – e sim para ser escravos – e viverem uma vida inteira de prisão em celas de chão forrado num biotério, os ratos ainda tiveram que passar por isso. E no final (de sua vida), foram mortos para terem seus cérebros arrancados e analisados, encerrando com chave de ouro (ironia) uma vida de miséria, escravidão e sofrimento.

Escolhem fazer essas experiências maliciosas com roedores ao invés de com seres humanos não apenas pela alegada similaridade fisiológica entre ambos, mas também, e principalmente, porque os primeiros são considerados moralmente inferiores, havendo assim a liberdade da espécie “superior” de lhes causar privações, torturas, sofrimento e mortes violentas – em outras palavras, de fazer com eles, em nome da ciência, coisas que renderiam cadeia se praticadas em outros humanos.

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