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maio11

A antiética da mídia online que exalta os zoológicos

Quem lê sites que reservam seção aos animais não humanos, como Folha.com e Terra Notícias, deve ter percebido a abundância de notícias sobre filhotes nascidos ou apresentados em zoológicos de todo o mundo. Pessoalmente não sei se há algum intuito nesses veículos de imprensa de promover educação ambiental pela frequente exibição de filhotes fofinhos. Mas, havendo ou não esse objetivo, há uma grande valorização dos zoos nesses portais e isso é um grande desserviço à ética dos Direitos Animais, além de uma educação antiambiental.

Com tantas notas sobre animais graciosos exibidos em zoológicos, dá-se aos leitores a forte impressão de que a vida dos animais nesses lugares é aprazível, é uma “vidinha boa”. Fica parecendo que os bichos sentem-se bem ali, atrás de jaulas ou cercas de poucos metros quadrados, e vivem a melhor vida possível. Essa porção da mídia joga fora o alegado ideal da imparcialidade e mostra ser totalmente favorável aos zoos em sua essência – desde que não firam regras de “bem-estar animal”.

E também são passadas as mensagens implícitas de que:
a) lugar de animal selvagem também é no zoológico, mesmo que ali passem a vida toda privados do básico direito à liberdade e expostos ao estresse dos barulhos humanos, coisa que não acontece nos seus habitats naturais;
b) é certo exibir animais em zoos, é legítimo atribuir aos animais a utilidade de servir como objetos de exibição a render dinheiro para seus “donos”;
c) os animais silvestres também podem ser propriedade humana, sendo perfeitamente justo submetê-los ao interesse capitalista do dono do zoo, tal como manter o jugo dos animais rurais aos anseios do pecuarista.

Esses jornais virtuais irrelevam o fato de que a essência do zoológico é a exploração animal, é o aprisionamento de animais em confinadouros, é tratá-los como propriedade, como se fossem análogos a objetos de um museu. Ignoram que, se não aprisionassem animais para exibi-los à população, não seriam zoológicos.

Num sentido mais tendente ao prático, a exaltação dos zoos também acaba impulsionando que mais e mais bichos sejam sequestrados de seus habitats por caçadores traficantes de animais selvagens. Porque, afinal, a primeira girafa a ser trancafiada no zoológico da cidade não nasceu ali, e sim foi capturada no meio silvestre. E para haver mais diversidade de animais em exibição – porque as pessoas gostam de zoos diversificados, que exibam novas espécies de animais periodicamente –, é necessário traficá-los na mata quando não se pode importá-los de outros zoos.

E como se deve ter noção, roubar animais de seu ambiente natural não é nem um pouco ecologicamente correto, pois pode causar danos à fauna local se considerarmos a subtração cumulativa de bichos livres pelos traficantes locais. Somando esse fato à desinformação que se passa aos leitores, relativa à suposta validade ética e ambiental de se prender bichos em zoológicos, a valorização do zoo no noticiário tem um efeito contrário ao da educação ambiental. Pois estimula os leitores a acreditar que é certo, é ético, é justificável manter em cativeiros com fins lucrativos animais que deveriam estar vivendo em liberdade e mantendo em equilíbrio os ecossistemas que suas espécies habitam.

Pensando nos Direitos Animais e na Ecologia, percebemos que não são razoáveis essas odes dos noticiários online à cultura do zoológico, ao costume de apresentar novas espécies e manter os animais aprisionados para fins arrecadativos. Seria mais lógico, assim, que parassem essa divulgação gratuita (?), em respeito às vidas sencientes que são roubadas de seus lares e tornadas escravos de corpo.

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Irene

maio 30 2011 Responder

Nunca tive simpatia por zoológicos.
Ver animais em circos era-me insuportável.
Depois que cresci o suficiente tive conciscência do por que.

Lugar de animal é no o seu habitat.

Fico sentindo que há muitas crianças com o mesmo sentimento que eu tinha em criança.

Os zoológicos e locais de comércio de animais deveriam ser terminantemente proibidos mediante Lei.

Aguardo que brevemente aparecerá 1 político que lute, obviamente criando leis, sinceramente pela liberdade do animal, proibindo sua retirada e o avanço do humano ao seu habitat.

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