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maio11

O problema em comer carne: Mark Zuckerberg, você está fazendo (e entendendo) isso errado

Zuckerberg come apenas carne de animais abatidos por ele

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, decidiu comer apenas a carne dos animais que ele mesmo tenha matado, uma determinação que faz parte de um desafio pessoal que se propôs a cumprir neste ano, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira pela revista Fortune.

“Neste ano, me tornei praticamente vegetariano [sic], já que só como os animais que eu mesmo mato. Até agora tem sido uma boa experiência. Como alimentos muito mais saudáveis e aprendi muito sobre agricultura e criação de animais”, afirmou Zuckerberg em carta enviada à Fortune e divulgada pela revista em seu site.

O bilionário nova-iorquino de 27 anos explica na carta que a cada ano se propõe um desafio pessoal. Depois de se dedicar a aulas de mandarim no ano passado, Zuckerberg decidiu agora expressar sua gratidão à comida. “Acho que muita gente esquece que um ser vivo tem de morrer para que você coma sua carne. Portanto, meu objetivo é não esquecer isso e agradecer pelo que como“, declara o jovem bilionário, que no último dia 4 escreveu em sua conta no Facebook: “Acabo de matar um porco e uma cabra“.

O comentário suscitou opiniões de todo tipo, e sua declaração à revista esclarece que a ideia lhe ocorreu ano passado, quando, comendo carne de porco com amigos, alguns deles disseram que preferiam não pensar que aquela carne pertencera a um animal que já fora vivo. “Isso me parece irresponsável. Não tenho nada contra as pessoas que decidem comer, mas eu acho que deveriam assumir a responsabilidade e agradecer pelo que comem, e não ignorar de onde vêm”, acrescenta.

O criador do Facebook revelou à Fortune que a chef Jesse Cool foi quem lhe apresentou a vários granjeiros da área e o ajudou a matar seus primeiros animais. “Ele cortou a garganta da cabra com uma faca, que é a maneira mais benévola de fazê-lo“, detalha Cool, em declarações à revista, acrescentando que o jovem e sua namorada cozinharam diferentes pratos com a carne dos animais.

Mark Zuckerberg entendeu tudo errado sobre qual é o problema que existe em comer carne. O problema verdadeiro não é simplesmente os onívoros não terem consciência de onde vem a carne que comem, mas sim a implicação ética que isso tem. Ou seja, a alienação dos onívoros à exploração e matança intrínsecas à pecuária.

Se o onívoro está cometendo um ato eticamente questionável, não é estritamente porque ele paga para matar os animais nos matadouros. Mas sim porque ele é distante do sofrimento existente, da escravidão das fazendas e granjas, do nascer para servir. Mas o fundador do Facebook entendeu a coisa por um caminho totalmente equivocado e achou que o problema era o onívoro ter coragem para ele próprio ser o assassino dos animais que come.

Daí esse espetáculo bizarro que estamos vendo acima. Um bilionário, milênios depois de o Paleolítico ter acabado na Europa, achar que está dando um exemplo ao mundo por literalmente matar para comer. E ainda pensar que está sendo “benévolo” ao degolar suas vítimas.

Apesar do esforço dele, isso não vai pegar como uma moda, porque é inviável muitas pessoas explorarem animais para consumo regular em apartamentos de classe média. Ele continuará sendo uma exceção que entendeu o dilema do onivorismo de forma totalmente tronxa.

E pior: ele está pondo em risco sua sensibilidade a atos de derramamento de sangue, sua empatia ao sofrimento alheio – se é que ele tem essa empatia. Posso estar incorrendo em falácia de declive escorregadio, mas é capaz de ele, num futuro próximo, perder a sensibilidade para qualquer ato de crueldade contra animais não humanos, ou mesmo contra seres humanos, ao ler notícias com esse tema na internet ou ver na TV (se é que bilionários ainda assistem televisão). Porque investir-se no ato de matar banalmente é um potencial primeiro passo para a perda de qualquer sensibilidade à violência.

Portanto, literalmente, não faça isso em casa. Se você quer se livrar do dilema de pagar para outros matarem os animais que você come, faça-o pelo caminho mais simples: torne-se vegetariano – e busque o veganismo em seguida. Assim nenhum animal mais morrerá por causa de você a dezenas ou centenas de quilômetros de sua casa.

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6 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Bárbara de Almeida

maio 30 2011 Responder

Olha, não sei qual foi melhor: o texto ou o comentário de Heide.
Quando parei de comer carne, apos sofrer umas brincadeiras de mal gosto, vieram com essa de ‘come então animais criados em casa, sem passar por a indústria da carne’ e tal. Não gastei mais do que 3 segundos pensando a respeito: é tudo a mesma coisa. E pior, por que, imagine eu criando laços afetivos com os animais que ‘crio’ pra depois simplesmente degola-los? U-hum, piedade total ¬¬’
“Praticamente vegetariana” = Faz me rir.
Incrível é ele falar para os zilhoes de amigos dele no Face numa boa, como se td mundo fosse habituado a sair matando pro próprio prato. #fail

Paulo Fradinho

maio 29 2011 Responder

o que houve com o comentário que postei ontem à noite?!!

Heidi Ponge

maio 28 2011 Responder

Desculpe discordar. Sou vegetariana.
Mas esta prática é de uma seita budista, e eu entendo como uma forma de respeito à vida sim.
Difícil é encarar vegetarianos e veganos que consomem refrigerantes, soja transgenica, e que não cuidam de seu esgoto, porque esses sim matam mais que um budista.
Só que são mais covardes…
E não assumem o quanto matam indiretamente.

    Robson Fernando de Souza

    maio 28 2011 Responder

    Heidi:

    Mas esta prática é de uma seita budista, e eu entendo como uma forma de respeito à vida sim.

    Me responda por favor: matar é respeitar a vida? Desde quando?

    Difícil é encarar vegetarianos e veganos que consomem refrigerantes, soja transgenica, e que não cuidam de seu esgoto, porque esses sim matam mais que um budista.
    Só que são mais covardes…
    E não assumem o quanto matam indiretamente.

    Refrigerantes, soja transgênica e esgoto não são formas de exploração animal como a pecuária. Ainda que realmente causem muitas mortes por causa da degradação ambiental.
    Pelo menos eu não consumo refrigerante nem despejo esgoto em corpos d’água. Soja transgênica, apenas quando não há marcas não transgênicas de óleos à venda no supermercado – e na má vontade, porque também odeio transgenia.

    Paulo Fradinho

    maio 29 2011 Responder

    Desculpe, Heidi – jamais ouvi um comentário como esse advindo de um/uma vegetariano/a.

    e vc está confundindo ‘Budismo’ com uma forma arcaica, primitiva e bizarra de HINDUISMO, praticada apenas no Nepal e em alguns lugarejos na Ìndia.

    bem, veganos, vegetarianos, onivoros ..todos pagam impostos – cuidar de rede de esgotos é função do governo municipal

    refrigerantes, soja trangênica matam mais que Budistas? pode ser…mas, ainda não li nos noticiários nada do tipo:

    “Refrigente invade orfanato estupra e mata 160 velhinhas” ou…”Soja transgênica vítima de bulling se vinga de ex-colegas e manda todo mundo pro beneficiamento”

    acho que os Budistas devem estar em 3° no ranking dos “assassinatos improváveis” !

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