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maio11

[OFF] Meu desalento de desempregado no Dia do Trabalhador

Embora este post mexa com um curso ligado a meio ambiente e um ligado a todos os subtemas abrangidos pela categoria Humanidades, ele é OFF, porque mostra um desalento (não exclusivamente) pessoal em relação a trabalho e emprego.

Neste Dia d@ Trabalhador/a (não Dia do Trabalho como se pensa erroneamente), me vem à mente o mal que a falta de um trabalho remunerado, enquanto diplomado em Gestão Ambiental e graduando em Ciências Sociais, me faz. Não em termos de ociosidade – estudo Ciências Sociais e blogo praticamente todo dia sobre temas públicos, logo estou longe de ser um ocioso -, mas de renda.

Até hoje tenho carência de uma fonte segura de renda, visto que minhas vocações, por azar capitalista, não são orientadas ao capitalismo, ao mercado de produtos e serviços. E, pelo visto, vou continuar assim por tempo indeterminado, uma vez que meus dois cursos, Gestão Ambiental (concluído) e bacharelado em Ciências Sociais (em andamento) não são cursos de boa empregabilidade.

O curso de Gestão Ambiental, já 6 anos atrás, quando ouvi falar dele pela primeira vez, era aclamado como o curso do futuro. Passado esse tempo todo e mais de dois anos da defesa da minha monografia, nunca deixou de ser um “curso do futuro”. Muito poucas empresas se interessam em contratar tecnólog@s em GA. Continua-se preferindo graduad@s em Engenharia Ambiental, Agronomia, Eng. Florestal e Ciências Biológicas, tanto no meio público como no privado, para cargos ambientais. Poucos concursos públicos chamam gestoræs ambientais, são exceções num universo de oportunidades públicas para quem tem um diploma qualquer ligado a meio ambiente.

A se considerar também: mesmo que eu retomasse o genuíno interesse em trabalhar em gestão ambiental, teria que reaprender todos os conhecimentos técnicos (gerenciamento de resíduos gasosos, líquidos e sólidos; química ambiental; ecologia e biologia aplicadas; certificações; saúde e saneamento; climatologia; hidrologia; sistemas de informação geográfica, avaliação de impactos ambientais, sensoriamento remoto… – e sociais-aplicados – administração, economia, planejamento, legislação etc. ambientais). Tudo isso vazou pelo ladrão em minha memória, visto que não me identifiquei com um curso tão voltado a temas técnicos e sociais-aplicados.

E, com todo o respeito a meus antig@s professoræs do hoje IFPE, cujo trabalho passa longe de eu considerar inútil ou supérfluo para mim, o único módulo que me interessou genuinamente na vocação da GA foi a Educação Ambiental, algo ainda bem mal explorado, e também relativamente negado para graduad@s em GA, hoje em dia. Tanto que minha monografia foi tematizada na Educação Ambiental, na proposta de mudar o arcaico paradigma de EA seguido pelas escolas mesmo nesta época de crescimento exponencial do tema ambiental perante a humanidade.

Ciências Sociais, por sua vez, não só não é um curso capitalista, voltado para o mercado de trabalho, como é em parte um curso anticapitalista – Marx é o símbolo da Sociologia desde a sua origem. Apenas órgãos do governo, ONGs e algumas pouquinhas empresas que fazem pesquisa de mercado chamam estagiári@s e formad@s em Sociologia e Antropologia. Estágio mesmo, apesar de haver obrigatoriedade de pelo menos dois semestres de estágio na UFPE, é muito difícil. Nem a própria UFPE facilita para nós. Não vi até hoje uma facilidade dada pela universidade para nós graduand@s em bacharelado de CS usarmos no esforço de obter uma experiência (decentemente) remunerada na pesquisa social. A ordem ali parece ser “Se virem!”. O resultado é que hoje em dia dependemos do conta-gotas seco do CIEE e do IEL.

Em CS, resta a esperança de adquirir um dia, tal como adquiri os gostos pela leitura e pela escrita de artigos de opinião, a habilidade de professor universitário. Apenas essa sorte vai me garantir um futuro seguro nas CS, pois é apenas sendo professor que poderei fazer aquilo que sonhava em fazer ao passar pelo vestibular desse curso: ser sociólogo e adquirir credencial acadêmico-profissional para escrever livros de sociologia – de temas à minha escolha – para as massas. E preciso adquirir essa habilidade num prazo, creio eu, entre 5 e 7 anos, contando com os 2 ou 2,5 anos que tenho pela frente na graduação, o tempo indeterminado que usarei para estudar para o mestrado em Sociologia (posso passar na seleção do mestrado no mesmo ano que me graduar ou então demorar 3 anos para consegui-lo) e os dois anos do mestrado. Porque, pelo que parece, mesmo um/a bacharel em CS é obrigad@ a ser professor/a, em qualquer nível de ensino, para viver dessa vocação.

Aí eu me pergunto: o que vou fazer em termos de trabalho nesses cinco, seis ou sete anos?

Ou seja, minha segurança profissional é nula neste momento. Não tenho nem mesmo a perspectiva de ganhar com publicidade no Consciencia.blog.br, visto que, em um ano e quatro meses, o AdSense só me “rendeu” menos de 9 dólares. Mesmo concursos públicos estão temporariamente “interditados”, visto que os concursos federais, de melhor remuneração, foram muito reduzidos esse ano. E ainda assim fica aquele peso ético de usar o Estado apenas para obter uma remuneração – em outras palavras, ingressar num emprego público com o interesse exclusivo de mamar nas tetas do Estado -, não o objetivo consciente de servir com meu trabalho ao melhor funcionamento das entidades estatais.

Livros que possam expandir meu conhecimento o suficiente em assuntos como Educação Ambiental, Sociologia Ambiental e Pedagogia para poder começar a vislumbrá-los profissionalmente são apenas títulos escritos em uma lista de desejos, cuja concretização (compra dos livros) não tem uma data para acontecer, visto que preciso da bendita renda própria para comprá-los.

Enfim, este é o desalento de quem não pode comemorar o Dia d@ Trabalhador/a por não ter uma renda. E é com certeza o lamento de milhares de outras mentes pensantes numa sociedade que não valoriza a arte de pensar e repensar a si mesma.

Fico, desde já, disposto a ouvir conselhos d@s leitoræs que tenham algum conhecimento sobre empregabilidade nas Ciências Sociais, na Educação Ambiental e em outras vocações cuja ferramenta de trabalho seja o cérebro pensante e crítico.

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Andrew

maio 5 2011 Responder

Caro Robson Fernando,

Primeiro, quero agradecer a esta bela contribuição (seu blog) para nós leitores.

Sou graduando em Ciências Sociais, em tese deveria estar resenhando um texto (muito bom por sinal) sobre o preconceito (iluminador o artigo!). MAS Mergulhando no universo “nem tão” paralelo da internet, cheguei a seu blog — estava à procura da temática ateísta na rede. Li, li, li e li… (passeando por vários temas; ótima abordagem do feminismo e do preconceito contra as mulheres). Tive, como disse, a grata surpresa de me deparar com sua produção pública. Ao ver seu perfil, notei que meus olhos já tinham lido palavras suas, desta vez não vou deixar escapar e salvarei em meus favoritos, embora gravado após sucessivas leituras em minha memória o “Consciência”.

Vamos ao ponto! O que me motivou a comentar foi o que pensara quando lia seus textos, antes deste inclusive: “Só pelo pensar, pelo questionar, viver vale à pena!.” Fique tranquilo, caro, você já tem e luta cotidianamente pela maior das remunerações; esta, porém, que não se estima, ou se monetariza, qual seja, o próprio nome deste blog: Consciência”!

Grandes abraços,

Andrew

    Robson Fernando de Souza

    maio 5 2011 Responder

    Muito obrigado, Andrew, pela admiração. Espero que você volte sempre por aqui. Aqui tem textos novos (notícias comentadas e artigos) praticamente todo dia.

    Abração

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