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Orangotango viciado em cigarros, zoológicos da Malásia, “graves” críticas contra os maus tratos em zoos. E a escravidão desses animais?

Organização denuncia zoo por maus-tratos com orangotango fumante

Um orangotango se tornou fumante contumaz em um zoológico da Malásia, segundo organizações ambientalistas.

Shirley, um orangotango fêmea de 25 anos, disputa com seu parceiro as pontas de cigarro jogadas por visitantes e ambos vivem em situação precária no Johor Zoo, de acordo com testemunhas.

Eu vi cigarros, latas, garrafas, comida e pacotes sendo jogados no local, deixando a área (onde Shirley vive) imunda“, disse Sean White, diretor da ONG Nature Alert.

“Funcionários do zoológico precisam ser treinados para gerenciar melhor os cercados dos animais e é preciso colocar urgentemente avisos aos visitantes proibindo jogar cigarros e outros itens aos orangotangos antes que seja tarde demais para Shirley e seu parceiro.”

Ambientalistas que visitaram o zoológico sem se identificar dizem que Shirley tem mudanças radicais de humor. Algumas vezes parece drogada, outras, fica muito agitada, como se estivesse sofrendo com a falta de cigarros.

CRÍTICAS

A Nature Alert diz ter submetido um relatório detalhado sobre as condições em que os orangotangos vivem no Johor Zoo ao governo malaio pedindo providências, entre elas tratamento veterinário para Shirley.

Zoológicos da Malásia já sofreram graves críticas pela forma como os animais são mantidos – incluindo jacarés que vivem em áreas sem água e leões e tigres que ficam presos em pequenas jaulas.

Alguns zoológicos do país também foram flagrados com orangotangos capturados de forma ilegal, segundo a ONG.

A população selvagem de orangotangos em todo o mundo é estimada em algo entre 55 e 60 mil e 75% deles vivem fora de áreas protegidas.

Ambientalistas dizem que a destruição de seu habitat natural através do desmatamento está levando a uma redução considerável dessas populações a cada ano.

A situação do casal de orangotangos e a miséria dos animais reféns dos zoológicos denunciada pelas “graves críticas” dos ambientalistas são apenas consequências de um paradigma: a escravidão animal, a exploração de seres sencientes tratados como objetos feitos para render dinheiro. Medidas de “bem-estar” podem resolver parte dos problemas mais visíveis, rendendo-lhes algum conforto material, mas não vão lhes dar algo que é impossível de existir em zoológicos: a dignidade, a liberdade, que é direito intrínseco a todo ser capaz de atuar como sujeito e senhor de sua própria vida.

A única solução verdadeira para o fim da miséria desses animais é a extinção dos zoológicos, a soltura dos bichos que podem ser libertos e a criação de santuários, fechados a visitações, para aqueles que perderam as condições de reaver totalmente a liberdade ou nasceram sem elas.

As “graves” críticas que denunciam os maus tratos aos animais presos nesses zoológicos jamais serão graves o suficiente enquanto não passarem pela crítica à escravidão, à situação de objetos de exibição, a que eles são submetidos.

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

BÁRBARA DE ALMEIDA

maio 19 2011 Responder

Já tinha visto antes uma matéria sobre esta orangotanga. E, incrível, não tinha nenhum comentário antes a respeito da liberdade do animal.
Infelizmente nem todos tem cabeça pra se colocar no lugar dos outros ¬¬’

ruth iara

maio 18 2011 Responder

Que coisa mais triste!

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