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Os mitos da racionalidade e do livre-arbítrio do onivorismo (Parte 2)

Ler Os mitos da racionalidade e do livre-arbítrio do onivorismo (Parte 1)

A segunda e final parte da refutação de seis mitos das alegações sobre a alimentação onívora ser fruto de livre vontade e escolha racional.

***

4. Comer carne é uma ação estritamente de foro íntimo

Ações que impliquem direta ou indiretamente consequências positivas ou negativas para outrem não são de foro íntimo, de forma alguma. Se algo passa a fazer bem ou mal para outra pessoa, um animal não humano, uma coletividade humana ou um ecossistema, mesmo sendo uma tradição, não é mais uma ação de cunho individual e privado. Torna-se algo de interesse público, mesmo sendo esse “público” um único indivíduo dotado de direitos.

Por exemplo, levando em conta o raciocínio dos defensores do foro íntimo, se eu fumo (o que felizmente não corresponde à realidade) apenas dentro de casa e moro só, meu tabagismo caseiro é algo de foro íntimo, uma vez que não faz mal mais a ninguém, apenas a mim mesmo.

As pessoas podem me aconselhar a parar de fumar, pensando em meu bem, em minha saúde, mas eu teria o direito de dispensar seus conselhos. Lhes alegaria que tenho plena consciência de que posso contrair um câncer, um enfisema pulmonar, uma deficiência respiratória, acidentes vasculares cerebrais etc. a longo prazo, que assumo essas consequências para mim, que aceito o ônus do meu futuro sofrimento.

Mas quando começo a fumar lá fora, perto de outras pessoas, perco o direito de reclamar o foro íntimo de meu vício, porque a fumaça do meu cigarro está envenenando todos ao meu redor, está contribuindo para lhes causar sérios problemas de saúde futuros. Em outras palavras, estou fazendo mal às outras pessoas, logo elas têm o direito de, preservando sua integridade físico-biológica, me mandar parar de fumar naquele lugar.

Em outro caso, também levando em conta esse raciocínio, eu tenho o costume de jogar lixo no chão dentro da casa onde moro sozinho. Uma vez que apenas eu poderia sofrer com a proliferação de poeira e animais transmissores de doenças, poderia alegar a quem me pede cuidado que “o problema é apenas meu”, já que não estaria prejudicando a mais ninguém fora a mim mesmo.

Mas se eu começo a jogar lixo na rua, sujar a calçada com bitucas e maços de cigarro e sacos de pipoca, descarregar o balde de lixo do banheiro no canal, estou poluindo o ambiente da minha cidade. O dejeto que jogo no ambiente vai se acumular nas galerias pluviais, vai facilitar a proliferação de ratos, baratas e outros animais transmissores de doenças, vai fazer o canal despejar mais lixo no mar ou nos rios danificando assim o ecossistema aquático.

Pessoas e animais silvestres vão sofrer as consequências dos meus atos. Assim sendo, quem me pegar em flagrante poluindo o solo ou a água terá todo o direito de me mandar parar ou reverter esse comportamento.

Aliás, nem quando faz mal “apenas” a si mesmo, o indivíduo é a única pessoa a ser afetada pelas consequências de seus atos. Quando inflige danos à sua própria saúde e põe em risco a própria vida por ações autoinfligidas, causa o sofrimento de seus parentes, de seus familiares, de seus amigos, de seus melhores colegas.

Todos eles estarão lamentando, sofrendo porque ele está gravemente doente, em sofrimento no hospital. Se ele morrer por um mal cometido por ele mesmo (como fumar), a dor causada a quem o tem como camarada será bem mais forte, e até irreversível em alguns casos possíveis.

No caso do consumo de carne, para aquele bife de carne vermelha ou pedaço de carne branca estar no prato da pessoa, o animal cujo músculo se tornou tal carne teve que ser explorado, submetido a sofrimento e morto violentamente. No do leite, uma mamífera foi obrigada a engravidar periodicamente, teve seus filhotes roubados de si, provavelmente foi confinada perpetuamente numa cabine de ordenha mecânica. Os ovos, por sua vez, vêm majoritariamente de granjas onde galinhas vivem aprisionadas em baterias de gaiolas, sendo as menos produtivas descartadas e mortas.

Ou seja, o consumo de alimentos (ou qualquer outro produto) de origem animal implica imprescindivelmente prejuízo à integridade física e à vida de outros sujeitos morais. O consumidor desses produtos participa indiretamente do sistema que causa mal a esses indivíduos não humanos, pagando aos pecuaristas e pescadores pelo sofrimento e mortes causados e estimulando-os a provocar mais dor e privações e matar mais animais.

Assim sendo, comer carne e ovos e consumir laticínios não é nem de longe um assunto privado, de foro íntimo, que diz respeito apenas ao ator da ação. Se seu comportamento é a causa da exploração, da dor e da morte violenta de animais, passa a ser assunto público, de interesse daqueles que representam e defendem os animais não humanos.

Além do mais, o argumento de que ser onívoro é algo de foro privado é especista, uma vez que não se pensaria assim se a carne consumida fosse humana. O consumidor da carne, exceto se enganado, teria total consciência de que só pôde comer aquele bife humano porque uma mulher ou um homem sofreu e foi violentamente morto(a) e descarnado(a). Ou seja, pelo raciocínio do especista, devorar um ser humano não é um assunto de foro íntimo, que diz respeito apenas a si mesmo, mas comer um outro animal é.

5. O vegetarianismo, ao contrário do onivorismo, é uma imposição, logo é errado vir falar de vegetarianismo

Em primeiro lugar, a maioria dos vegetarianos militantes não impõe nada. Até porque sequer têm o pleno poder de impor algo, obrigar terceiros a alguma coisa. Na pior das hipóteses, constrangem os interlocutores, que veem seu próprio paradigma moral alimentar rebaixado do status de ético, plenamente aceitável e “inofensivo” ao de questionável, criticável e até maléfico – aos animais, ao meio ambiente e à própria saúde do indivíduo.

Além do mais, pelo raciocínio de quem acusa os conscientizadores de serem impositivos, a própria Educação Ambiental como um todo, desde os conselhos de não jogar lixo no chão até os ensinamentos que levam em conta a necessidade de mudar hábitos individuais e confrontar coletivamente interesses econômicos antiambientais, seria uma imposição. Isso porque ela determina ações e comportamentos certos e errados para as pessoas, com ou sem a contribuição construtiva delas, e limita aquilo que poderia ser considerado liberdade de ação – como a “liberdade” de jogar o lixo onde quiser ou de defecar em riachos.

Em segundo, recapitulando a resposta ao mito nº2, o onivorismo é historicamente uma imposição cultural, muito mais que o vegetarianismo. Dezenas de milhões de crianças no Brasil são obrigadas por seus pais a crescer comendo alimentos de origem animal. Mesmo depois de crescida, essa gente continua(va) sob coerção cultural. Isso pelo menos até ter começado há alguns anos a aceleração do crescimento da população vegetariana brasileira, depois da qual passou a haver uma alternativa a mais de alimentação.

Portanto, não é coerente alguém cujo hábito alimentar lhe foi direta ou indiretamente imposto acusar os conscientizadores pró-vegetarianismo de “impor” um ensinamento, “impor” aquilo que no Brasil surgiu como uma alternativa, praticamente como uma opção.

6. Orientar os filhos ao vegetarianismo é uma imposição. Deixá-los comer carne, não

Não é uma total mentira o fato de haver de fato uma imposição alimentar quando os pais dão ao seu filho, depois da época da lactação exclusiva, uma alimentação sem derivados de origem animal.

No entanto, é mais que incoerente dizer que pais vegetarianos são impositivos enquanto os genitores onívoros não o seriam. Bebês e crianças pequenas não têm poder de escolha desenvolvido, limitam-se a demonstrar não gostar de determinado tipo de alimento. São os pais que devem planejar a alimentação do filhinho. Assim sendo, tanto os adultos vegetarianos como os onívoros acabam de alguma forma impondo a alimentação de seus filhos.

Aliás, percebemos uma tendência impositiva maior dos pais onívoros em relação aos vegetarianos quando, retomando o poder da criança de demonstrar desgosto por certas espécies de comida, estão diante de um pequenino que recusou qualquer tipo de carne. Enquanto os onívoros, caso queiram um filho também onívoro, acabam meio que forçando-o a comer as carnes de que ele não gosta, os vegetarianos não se veem diante desse problema: é possível uma criança não gostar de carnes, mas não o é ela recusar todo o universo de vegetais, gigantescamente mais amplo do que o de alimentos de origem animal.

Quando o filho cresce, aproximando-se da segunda infância, os pais vegetarianos têm o poder de dar à imposição alimentar dele um sentido racional que os onívoros acabam sendo incapazes de dar. Ensinam-lhe que comer alimentos derivados de animais não é certo por causa de suas consequências aos seres sencientes explorados pela pecuária e pela pesca e também ao meio ambiente, e pelo princípio da igualdade moral entre animais humanos e não humanos.

Tornam o respeito a todos os animais e à natureza uma regra racional que a criança pode entender e consolidar através da alimentação. Convertem assim a imposição alimentar da primeira infância num paradigma ético-moral para todo o restante da vida do filho. Não têm, assim, uma necessidade tão imperativa de obrigá-lo ao vegetarianismo através da norma coercitiva, na base do “se comer carne, vai ficar de castigo”.

Já os onívoros não contam com essa base racional para explicar a seus filhos por que comer alimentos originados de (algumas espécies de) animais é certo. A única “racionalidade” que podem usar é o antropocentrismo, mas ainda assim de forma bastante débil. Como poderão argumentar moralmente, com coerência, à criança que comer cães, gatos, roedores e primatas é errado mas comer bois, porcos, galinhas, bodes, peixes etc. não o é? Ou que tomar leite de porca ou de outras mulheres não é certo mas consumir leite de vaca ou de cabra é? Ou que se pode comer ovo de galinha e de codorna mas não de canário ou de lagarto?

Acabam os pais creófilos tendo que obrigar os filhos a continuar consumindo alimentos de origem animal mediante dogmas e falsas informações, como o suposto perigo de anemia e baixa de proteínas para quem deixa de comer carne e o alegado risco de descalcificação para quem não toma leite. Quando crescem, adquirem senso crítico e têm acesso a conteúdo conscientizador pró-vegetariano na internet, acabam descobrindo que seus pais estavam tanto enganados como enganando-os esse tempo todo.

Assim se comprova que não é nem um pouco coerente dizer que os pais onívoros não impõem seu hábito alimentar aos seus filhos. O onivorismo acaba sendo uma imposição bem mais arbitrária e forçosa às crianças do que o vegetarianismo.

***

Ao contrário do que quem diz aos vegetarianos que prefere racionalmente e com livre-arbítrio o onivorismo, na grande maioria das vezes a “escolha” não foi tão racional assim. Começar a comer carne e outros alimentos de origem animal sequer foi uma escolha para essas pessoas.

Há em jogo, na verdade, uma vida toda de prazeres semiviciantes, anos e mais anos de tradição gustativa pautada nas carnes, nas pizzas, nos sorvetes comuns, nos pudins, nos doces, nos bolos etc. Além do medo do desconhecido, de se deparar com uma culinária fraca cujos sabores não lembrem nem um pouco os gostos onívoros do passado e que nem mesmo garanta a manutenção da saúde.

A única forma de fazer essas pessoas perderem o receio de se tornarem vegetarianas é despertar-lhes a plena empatia dirigida a todos os animais vítimas da pecuária e da pesca. É plantar-lhes a consciência de que a alimentação individual pode ou causar sofrimento e mortes violentas para no mínimo alguns milhares de sujeitos morais ou preservar suas vidas e lhes reconhecer direitos intrínsecos à sua condição de seres sencientes.

Para causar esse despertar, na maioria das vezes, o discurso racional e argumentativo é insuficiente, visto que o apego ao onivorismo relutante majoritariamente se assemelha à “profunda necessidade de acreditar” dos religiosos citada por Carl Sagan. Faz-se necessário, nesses casos, mostrar com recursos audiovisuais o sofrimento que a nada inocente alimentação onívora (e ovolactovegetariana) humana imprescindivelmente causa.

Daí o próprio conscientizado irá perceber que estava enganado quando dizia aos vegetarianos militantes que sua alimentação creófila era uma “opção”, uma “escolha” racional, e que o onivorismo diferia do vegetarianismo por não ser uma imposição coercitiva.

imagrs

17 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Rjfox

outubro 21 2012 Responder

Cara, ouvi dizer que o ovo da ”galinha caipira” não passa por um processo de exploração pq elas ficam em um lugar aberto, ciscando, tranquilas e o ovo é obtido com uma relação mais harmônica, onde elas não sofrem… Oq vc pensa disso? Nesse caso elas realmente não são submetidas à exploração mesmo?

    Robson Fernando de Souza

    outubro 21 2012 Responder

      Rjfox

      outubro 22 2012 Responder

      É, de qualquer forma os animais são privados do mundo que também pertence a eles, não tem como assumir uma alimentação onívora sem explorá – los, uma pena. Mas uma galinha tem percepção para entender que seu espaço está limitado por cercas? Me ja me disseram que galinhas tem pouca consciência. Mas oq axo pior no processo ”bem estarista” é q de qualquer jeito, sem necessidade alguma, depois que os animais não servem mais, eles matam, isso é uma declaração de antiética e inescrupulosidade. No caso das vacas, eu nem consigo imaginar uma maneira de obter o leite delas de forma ética, pq para esse leite ser obtido, os bezerros precisam ficar sem, então realmente não tem como :/

Kid

agosto 4 2011 Responder

De novo para reforçar que você precisa fazer esse vídeo para pôr no Youtube! :) Então, sou ovolactovegetariano, sei dos problemas causados nas granjas (aves confinadas, empoleiradas, que mal vêem a luz do sol) e das vacas nos laticínios (confinadas, vivendo em restrição de movimento) e por isso faço o possível para obter tanto os ovos como o leite de origem orgânica, exceto pelo leite que eu não conheço nenhuma empresa comprometida com os DIREITOS ANIMAIS e não simplesmente apenas o tal “bem-estar” para “morrer tranquilo, embora saudável”. Você sabe, uma dieta vegana restrita bem-feita, para um praticante assíduo de atividades físicas, sai bastante caro… Castanhas, nozes, leite em pó enriquecido… Salgado para o bolso do cidadão :(

    Robson Fernando de Souza

    agosto 4 2011 Responder

    Aí é que tá, Kid: você jamais vai encontrar produtores de alimentos de origem animal comprometidos com os direitos animais, porque essa produção intrinsecamente viola esses direitos.

    Quanto à dieta vegana, a saída melhor seria encontrar algum nutricionista que respeite o veganismo. Eu mesmo tenho uma dieta vegana bem feita (apesar de ter carboidrato acima do necessário em minhas doses atuais) e não preciso gastar tanto com produtos enriquecidos. A B12 basta 16 reais pra suplementar com Rubranova intramuscular por pelo menos 6 meses.

      Rjfox

      outubro 15 2012 Responder

      Oi Robson!
      Eu sou vegano há alguns mêses, vegetariano há um ano, mas nunca nem pensei em suplementar nada na minha dieta. Você sabe me dizer se a b12 é a única coisa que preciso suplementar, ou tem mais nutrientes? Eu achei que os leites de soja fortificados ja me dariam a quantidade necessária de b12.

        Robson Fernando de Souza

        outubro 16 2012 Responder

        Oi =) Na verdade, se a quantidade de leite de soja fortificado que você consome lhe fornece pelo menos 2,4mcg de B12 ao dia, não precisa suplementar (a não ser que esteja em terapia de reposição da vitamina).

        Outra vitamina que pessoas com pouco contato solar precisam suplementar é a vitamina D. Mas se você já toma pelo menos uns 10min de banho de sol por dia, não precisa suplementar.

          Rjfox

          outubro 19 2012

          Ah, q bom! E mais uma pergunta que me surgiu agora, está sendo falado adoidado na tv q a soja em excesso, no homem, causa impotência, sabe me dizer se isso é verdade?

          Robson Fernando de Souza

          outubro 19 2012

          Nunca vi nada comprovando isso.

Beatriz Oliveira

julho 10 2011 Responder

obs. só para situar: fui vegetariana durante alguns anos, hoje em dia consumo carne em baixíssimas quantidades.

Beatriz Oliveira

julho 10 2011 Responder

muito bom o texto sim, mas acho que rola outra questão que até hoje não vi nenhum vegetariano levantar: e a nossa relação com as plantas, tanto faz também, é só comida, tudo bem plantar em grande escala? e os impactos ambientais das monoculturas, em especial cana e soja? só porque os vegetais não interagem diretamente, não têm expressões com que possamos nos identificar e comover (como as do reino animal), ou um sofrimento aparente, quer dizer que podemos também consumi-los sem pensar duas vezes, estão aí para o nosso deleite? se matar animais é especismo, cortar vegetais é reinismo hehehe (e quanta gente arranca flores porque são “bonitinhas”, sem propósito ou respeito à planta que a gerou…)
se vou repensar minha alimentação, principalmente minha relação com o que ingiro, faço-o por completo. não tem essa de proteger os animais e comer 25 brotinhos de feijão logo em seguida. todo o meio que construímos para viver É uma grande furada insustentável e desrespeitosa em todos os sentidos, na agricultura inclusive, não só na produção e ingestão de carne. não vejo nada de errado em comer um animal de vez em quando, seja ele qual for (dentro da minha limitação biológica), principalmente se morreu naturalmente; tenho ressalvas sim quanto aos meios necessários para que isso aconteça. e isso vale para nossos amigos verdes também. a morte é inevitável para todos os seres, mas escolhemos como vamos honrá-la.
aí rola a grande complicação: se fosse viver segundo a minha ética, já estaria bem longe daqui há muito tempo e sem tempo nem direcionamento mental para discussões “conscientizadoras”…
claro que podemos fazer opções menos impactantes dentro das nossas limitações pessoais. mas tenho muito cuidado mesmo ao dizer que o vegetarianismo necessariamente é mais consciente que o onivorismo. pode ser verdade na maioria dos casos, mas conheço muito veganinho aí que coloca nem os animais, mas a sua própria posição acima dos “reles” humanos carnívoros.

    Robson Fernando de Souza

    julho 10 2011 Responder

    Beatriz, as plantas não são consideradas moralmente, exceto através do olhar ambiental que engloba o conjunto local, regional ou global de vegetais, porque não têm senciência. Mais informações aqui: http://consciencia.blog.br/?s=plantas+sentem+dor
    Sobre o “reinismo”, leia esse artigo do meu brother Samory: http://opiniaovegana.sitenl.net/2011/06/25/reinismo/

    não vejo nada de errado em comer um animal de vez em quando, seja ele qual for (dentro da minha limitação biológica), principalmente se morreu naturalmente; tenho ressalvas sim quanto aos meios necessários para que isso aconteça. e isso vale para nossos amigos verdes também. a morte é inevitável para todos os seres, mas escolhemos como vamos honrá-la.

    Comer um animal, mesmo que seja uma vez por ano, vai sempre implicar a manutenção do funcionamento de um imenso sistema de escravidão e morticínio de animais. Um resumo sucinto da questão de Direitos Animais e veganismo pode ser visto aqui: http://direitosanimais.org/
    Animais rurais jamais morrem naturalmente. Eles sequer nascem naturalmente: desde o estado de gametas, têm sua existência condicionada a interesses financeiros de outrem. Nascem por inseminação artificial ou monta induzida. E mesmo vacas leiteiras e galinhas poedeiras, que fornecem o leite e os ovos consumidos pelos ovolactos, têm seu fim no abate para produção de carne de segunda. A única morte “natural” possível na pecuária é a morte por doença ou por feridas de brigas entre os animais.
    A morte é inevitável pra qualquer ser vivo, mas fazer um ser senciente nascer e morrer por interesses alheios é totalmente evitável.

Fernando Cônsolo Fontenla

maio 6 2011 Responder

Muito bom o seu texto, está de parabéns!

    Robson Fernando de Souza

    maio 7 2011 Responder

    Obrigado Fernando =)

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